- Anúncio -

 

A história do voleibol é antiga, Morgan criou esse esporte em 1895, e aos poucos essa modalidade começou a ser praticada em diversos países1. Nos primórdios do voleibol não existia rotação entre os jogadores, somente atletas específicos de defesa e de ataque na rede2. Aos poucos as regras se modificaram e o jogo se tornou mais veloz, com menos interrupção (a bola pode bater na rede, é permitido que o atacante toque na fita superior da rede, a bola defendida pode tocar em qualquer parte do corpo, etc.), os técnicos e preparadores físicos passaram a prescrever um treino mais científico e são auxiliados pelas filmadoras e programas de computador que fazem a análise do jogo durante a partida3.

O voleibol chegou ao em 1915, sendo jogado pela 1ª vez no Colégio Marista de Pernambuco. Porém, as informações divergem entre os estudiosos, em 1916 que o voleibol chegou ao nosso país, sendo praticado pela 1ª vez na Associação de Cristãos e Moços de São Paulo4. Em 1923, aconteceu à primeira iniciativa para a difusão do voleibol no Brasil, o Fluminense promoveu o 1º torneio desse esporte. Hoje esse jogo é modalidade olímpica, tendo destaque no Brasil por causa dos seus excelentes resultados.

Porém, é interessante para o estudante conhecer o desenvolvimento do voleibol no Brasil e o efeito da evolução científica da Educação Física brasileira nesse esporte. Quando são consultados estudos sobre a história do voleibol5,6 e da história da Educação Física7,8, não são observadas nenhuma investigação sobre esse tema. Logo, torna-se uma revisão de literatura extremamente importante para os envolvidos nesse jogo.

Como era o material esportivo do voleibol brasileiro nos anos 40? Quais eram os principais times nos anos 60 no Brasil? Porque as mulheres brasileiras gostam de praticar voleibol? Quais, como e onde ocorreu a contribuição dos professores de Educação Física para a evolução científica do voleibol? Quais foram os Doutores, os Mestres e os Especialistas que permitiram o desenvolvimento intelectual direto ou indiretamente dos envolvidos no voleibol? Várias dessas questões foram respondidas nesse artigo de revisão. Então, o objetivo do estudo foi apresentar a história do voleibol no Brasil e o efeito da Educação Física nessa modalidade.

- Anúncio -

Evolução do voleibol brasileiro e da Educação Física do Brasil

Nos anos 40 e 50, o voleibol era praticado pela elite social, o Brasil tinha pouco intercâmbio com as principais potências do esporte, acontecendo algo curioso, no Mundial Masculino de 56, a seleção brasileira conheceu a manchete um dia antes da disputa9. O sistema de jogo utilizado pelos brasileiros era o 4×2, o modelo de jogo da seleção nacional não era dos melhores, com ataques na ponta e no meio, tendo média de estatura muito abaixo das forças do esporte, sendo de 1,80 m10. As potências do esporte dispunham de um modelo ofensivo composto por fintas e a estatura média era de 1,90 m.

O treino de voleibol no Brasil, nos anos 40 e 50, era composto por um aquecimento livre, aquecimento com bola, cortada na rede sem bloqueio e jogo11. Isso começou a mudar nos anos 50, Jorge Bittencourt, o Jorginho, criou a Escola de Voleibol para ensinar os técnicos a elaborar as sessões com embasamento científico12. A partir desse momento as sessões com bola eram realizadas da seguinte maneira: treino técnico (só era exercitado um fundamento), treino técnico em conjunto (era exercitado mais de um fundamento) e treino de jogo e/ou treino situacional. Mas a preparação física quase não existia, sendo introduzida precariamente entre 58 a 60.

A maneira de realizar os fundamentos durante o jogo de voleibol dos anos 40 e 50 era muito ruim11. O bloqueio duplo ou triplo era mal feito porque os atletas não juntavam e os jogadores não conseguiam saltar ao mesmo tempo para efetuar esse fundamento. A recepção do saque não tinha precisão, prejudicando muito o levantamento e a defesa para pegar as bolas largadas era vulnerável, o jogador que não estava no bloqueio ficava responsável por uma grande área da quadra, então, muitas bolas caiam. O voleibol nessa época tinha outros problemas, dispunha de material esportivo rudimentar material11. A bola da marca Drible machucava muito durante o passe ou após a defesa. Os atletas usavam camiseta, deveriam vestir camisa comprida para amortecer o impacto da bola e ninguém tinha joelheira. Por último, o tênis não possuía amortecedor adequado quando o voleibolista corria ou aterrissava na quadra após um salto. A figura 1 ilustra essas explicações:

http://www.efdeportes.com/efd170/historia-do-voleibol-no-brasil-01.jpg

Figura 1. Esporte Clube Pinheiros de 49 com seu material esportivo11.

Existem acontecimentos importantes entre os anos 40 e 50 para a difusão do voleibol no Brasil, merecendo destaque: em 1944 aconteceu o 1º Campeonato Brasileiro, em 1955 ocorreu o 1º Campeonato Sul-Americano e em 1954 foi fundada a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). Entretanto, apesar dessas datas relevantes, o voleibol era pouco praticado nos anos 50 pelos homens por achar seus gestos afeminados13. A técnica de “quebrar” o punho durante uma cortada era indicada para moças, mas não para rapazes. Isso perdurou até os anos 60. Contudo, o voleibol para o sexo feminino era considerado um esporte ideal, não existia contato físico (considerado pouco violento) e os seus fundamentos eram elegantes quando as mulheres praticavam14. Através dessas informações, o leitor pode entender porque o voleibol no Brasil é tão adorado pelo sexo feminino, tendo seu ápice de popularidade nos anos 80 com a “Geração das Musas” (Isabel, Vera Mossa, Dulce, Regina Uchôa, Jaqueline, etc.) e atualmente também possui muito interesse pelas meninas e adolescentes, o Brasil vem conseguindo bons resultados. A figura 2 mostra uma equipe feminina na época que o voleibol já tinha grande aceitação pelo sexo feminino:

http://www.efdeportes.com/efd170/historia-do-voleibol-no-brasil-02.jpg

Figura 2. Botafogo campeão carioca em 46 (www.mundobotafogo.blogspot.com/)

Nos anos 60, Santos e Botafogo dominaram o voleibol masculino, um dos principais atletas da época era Quaresma do Botafogo. Outro time que revelava muitos craques e tinha resultados expressivos era o Fluminense. Em dezembro de 66 o Botafogo derrotou o Spartak, equipe que era formada pela base da seleção campeão mundial em 56 da Thecoslováquia15. A figura 3 expõe a equipe do Botafogo que venceu o Spartak da Thecoslováquia, partida realizada no Mourisco (Hoje o Mourisco não existe mais, no seu lugar foi construído um prédio empresarial muito feio. Esse patrimônio esportivo do Botafogo ficava em frente da praia de Botafogo):

http://www.efdeportes.com/efd170/historia-do-voleibol-no-brasil-03.jpg

Figura 3. Equipe do Botafogo que jogou contra o Spartak15

Outro bom desempenho do voleibol brasileiro nos anos 60 foi o 5º lugar da seleção masculina no Mundial do Rio de Janeiro16. Esse resultado e a vitória do Botafogo sobre o Spartak mostraram que aos poucos o Brasil começava adquirir respeito dos estrangeiros e futuramente se tornaria uma potência mundial nessa modalidade. Em 1964, o voleibol foi incluído nos Jogos Olímpicos, o Brasil ficou em 7º lugar nessa competição e o feminino não participou.

Nos anos 70 aconteceu significativa evolução do voleibol brasileiro e da Educação Física do nosso país. Foi inserida a preparação física com embasamento científico por Tubino e Rocha na seleção brasileira e em alguns clubes aderiram a idéia17. Foi o caso do Fluminense, onde Tubino foi preparador físico. As equipes brasileiras passaram a jogar através do sistema 5×118. A periodização usada na época era o modelo de Matveev, aplicada no treino físico da seleção masculina que jogou a Olimpíada de 7619. Existem duas explicações para os treinadores brasileiros usarem mais a periodização tradicional de Matveev: 1º) Oliveira20informou que nos anos 70 o Brasil teve um convênio com a Alemanha Ocidental, nesse curso os técnicos brasileiros aprenderam com os alemães o modelo de Matveev e como aplicar os testes físicos nos atletas. 2º) A maioria das potências do voleibol dos anos 70, principalmente o bloco socialista, utilizava a periodização de Matveev, sendo copiado pelos países mais fracos do voleibol.

Em 1975, Nuzman assumiu a presidência da CBV e começou a modernizar a direção do voleibol na sua gestão. Outro acontecimento marcante foi o 11º título carioca do Botafogo no masculino, sendo campeão de 64 a 75, somente Mário Dunlop esteve nas 11 conquistas. A figura 4 mostra esse extraordinário atleta:

http://www.efdeportes.com/efd170/historia-do-voleibol-no-brasil-04.jpg

Figura 4. Mário Dunlop do Botafogo, 11 vezes campeão carioca

(www.mundobotafogo.blogspot.com/)

Em 1976, no Brasil, o 1º professor de Educação Física a conseguir o título de Doutor foi Fernanda Beltrão (Faleceu em 2008, ocupava a linha de pesquisa de Estudos Educacionais da Motricidade Humana do Mestrado em Ciência da Motricidade Humana da UCB). Ela cursou o Doutorado em Administração e Supervisão Educacional na Universidade de Nova Iorque, Estados Unidos21. Outros professores de Educação Física também saíram do Brasil com o intuito de adquirir o título de Mestre ou Doutor. Muitos desses professores quando retornaram ao Brasil, contribuíram diretamente ou indiretamente com o conhecimento científico que foi aplicado no treinamento do voleibol brasileiro. Por exemplo, Lamartine Pereira da Costa estruturou o Treino da Altitude para a seleção brasileira de futebol tricampeã em 7022, sendo uma referência de prescrição para ser aplicada em qualquer equipe de voleibol. O preparador físico Tubino, elaborou em 1975, o treino intervalado anaeróbio para a seleção brasileira masculina de voleibol por 3 meses, com intuito de amenizar as interferências da altitude23. A equipe chegou ao México poucos dias antes da disputa e obteve excelente resultado, foi medalha de prata no Pan-Americano. Com a evolução científica da Educação Física brasileira, dispondo de treinadores competentes, jogadores talentosos e uma direção atuante da CBV, o voleibol brasileiro começou a obter resultados satisfatórios.

Na Olimpíada de 76 a seleção masculina repetiu a mesma colocação de 64, foi 7º lugar. Mas teve uma grande surpresa, o ponteiro Bernard, de apenas 19 anos, foi eleito o 5º melhor jogador do mundo e ficou entre os 6 melhores atletas para integrar a seleção da Olimpíada de 7624. Em 1977, aconteceu um dado importante, o ginásio do Tijuca Tênis Clube (clube da zona norte do Rio de Janeiro) foi construído para o Sul-Americano Juvenil, alguns integrantes dessa seleção futuramente pertenceriam a “Geração de Prata” (Bernard, Renan, Xandó, Paulão Crioulo, João Paraíba – levantador reserva capitão, Bernardinho e outros). O técnico era Bebeto de Freitas e o Brasil venceu na final a Argentina.

Ainda em 77, alguns dos jogadores do Sul-Americano Juvenil serviram a seleção juvenil que disputou o 1º Mundial da categoria sob o comando do técnico Jorge Bittencourt, o Jorginho. O Brasil conseguiu o 3º lugar no Mundial disputado no Brasil. Enquanto que o voleibol feminino alcançou um 4º lugar no Mundial Juvenil de 77, revelando talentos como Isabel, Regina Uchôa e Jaqueline. Em 1978, o voleibol brasileiro adotou um plano de expectativa para preparar a seleção adulta para as grandes competições25. Essa iniciativa culminou com um 6º lugar no Mundial de 78 e Bernard foi eleito o braço de cortada mais rápido dessa disputa. Porém, Guimarães e Matta26 informaram que os anos 70 e 80 foram a era “Cooper”, com ênfase no treino aeróbio de corrida contínua. Outro problema na prescrição do treinamento foi a sessão de musculação, os jogadores costumavam realizar trabalho de hipertrofia. Portanto, o conhecimento científico dos treinadores ainda precisava melhorar.

Em 1979, aconteceu um marco na literatura da Educação Física brasileira, Tubino escreveu o 1º livro de treinamento esportivo do nosso país, obra que foi importante para os treinadores do voleibol da época e de diversos esportes. Essa referência apesar de ser antiga, continua atualizada, está na 13ª edição23.

Os anos 80 foi um prosseguimento do trabalho efetuado na época de 70. Os jogadores da seleção brasileira juvenil masculina de 77 (do Sul-Americano e do Mundial) que tiveram oportunidade (Obs.: Muitas injustiças aconteceram na escolha dos juvenis para a seleção principal. Por exemplo, o oposto Paulão Crioulo, uma das cortadas mais fortes do Brasil, não foi selecionado. João Paraíba, reserva capitão, atuava mais como levantador, mas tinha excelente desempenho jogando na ponta, de oposto e como central, porém, não foi relacionado para integrar ao grupo), se juntaram aos veteranos (Suíço, Moreno, Granjeiro e outros) da seleção adulta e disputaram Olimpíada de 1980, o grupo ficou com um honroso 5º lugar, naquela ocasião era uma vitória.

Nessa Olimpíada o Brasil causou uma boa impressão, estava perdendo para a Polônia por 2 sets a 0, acabou vencendo de 3 a 2. Antes da Olimpíada de 80, a Polônia foi campeã olímpica, isso ocorreu em 76. A seleção masculina foi formada pelos seguintes atletas: Moreno, Suíço, Deraldo, Granjeiro e pela futura “Geração de Prata” (Amauri, Badalhoca, Bernard, Bernardinho, Montanaro, Renan, Xandó e William)27. O técnico era Paulo Russo e seu auxiliar foi Bebeto de Freitas. A equipe feminina obteve um 7º lugar, algumas jogadoras tiveram destaque, como Isabel, Jaqueline, Vera Mossa e outras atletas.

Após a Olimpíada de 80 o voleibol brasileiro deixou de ser amador e os atletas se tornaram profissionais. Nuzman sugeriu que o voleibol do nosso país deveria adotar o modelo utilizado pela Itália e pelo Japão, clube empresa. O empresário Braguinha foi um dos iniciadores dessa atividade, fundou a Atlântica Boavista no Rio de Janeiro, sendo campeão brasileiro em 1981. Outras empresas (Hygia, Pirelli, Pão de Açucar, Transbrasil, Sadia, Supergasbrás e outras) também aderiram a moda, investiram no voleibol porque ele era um produto rentável28. No início dos anos 80, os principais clubes empresa no masculino eram Atlântica Boavista do Rio de Janeiro (posteriormente se associou a Bradesco, tornando Bradesco Atlântica) e Pirelli de São Paulo porque essas equipes tinham os principais jogadores da seleção brasileira. Enquanto que no feminino, destacava-se Flamengo, Paulistano e Pirelli. A figura 5 mostra o escrete da Pirelli que derrotou por 3 a 1 a Atlântica Boavista, sagrando-se campeã brasileira em 198229:

http://www.efdeportes.com/efd170/historia-do-voleibol-no-brasil-05.jpg

Figura 5. Em pé, da esquerda para direita, temos Brunoro (técnico), Montanaro (ponta da seleção), Vicenzo Roma (dirigente), Ronaldo (central da seleção),

Maurício Jaú (ponta, atualmente trabalha na ESPN), William (levantador da seleção), Xandó (oposto da seleção) e Amauri (central da seleção). Agachados, da esquerda

para direita temos Dênis, Emerson, Décio, Márcio (central), Marcão e Boni (ponta ou oposto, fez parte da comissão técnica da seleção brasileira feminina campeã olímpica em 08)

Além do investimento das empresas, existe um jornalista que ajudou popularizar o voleibol, foi Luciano do Valle, inicialmente na TV Record (82 a 84) e posteriormente na TV Bandeirantes (85 em diante), sob sua direção, acontecia transmissão dos principais jogos no Brasil e no exterior. Também, na equipe de esportes de Luciano, existiam profissionais gabaritados, por exemplo, os comentários sobre o voleibol durante e no fim das partidas, eram do ex-jogador da seleção brasileira de voleibol e do ex-técnico da seleção olímpica masculina 5º lugar em 80, o Professor de Educação Física Paulo Russo. Ao mesmo tempo que Paulo Russo explicava os acertos e falhas de uma equipe, também ensinava voleibol, que na época tinha uma regra difícil (a vantagem) e os brasileiros estavam começando a conhecer esse esporte, ele não era difundido no nosso país.

Outro acontecimento importante que contribuiu direta ou indiretamente para os resultados expressivos do voleibol brasileiro foi o retorno do exterior de alguns Professores de Educação Física (Barbanti com Mestrado em 1980 e Doutorado em 1982 ambos nos Estados Unidos, Amadio com especialização em 1976 na Alemanha, Tubino com Doutorado em 1982 na Bélgica, Go Tani com Mestrado em 1978 e Doutorado em 1982 ambos no Japão) com título de Especialista, Mestre e/ou Doutor. Segundo Barbanti, Tricoli e Ugrinowitsch30, os anos 80 foi o momento que a Educação Física do nosso país começou a se desenvolver cientificamente. Nessa mesma época, Russo e Caldas31 fizeram análise do jogo do voleibol masculino das principais seleções do final dos anos 70 e início da época de 80, destacando os pontos fortes e fracos dessas equipes. Esse estudo de Russo e Caldas31 confirmaram o que Barbanti et alii30 informaram, a Educação Física do Brasil começou evoluir cientificamente.

Em 1981, Quadra et alii32 escreveram um artigo mostrando que o voleibol brasileiro masculino estava evoluindo significativamente, porém, ainda necessitava de mais treino para chegar no pódio. A melhor colocação foi um 5º lugar na Olimpíada de 80 e um 3º lugar no Mundial Juvenil de 77. Contudo, para o Brasil chegar entre os três melhores, necessitava otimizar o salto vertical, possuir jogadores mais altos com o intuito de conseguir maior alcance das mãos no bloqueio e na cortada. Entretanto, sabendo dos acertos e falhas do voleibol masculino, em 1981 a seleção brasileira juvenil sob o comando do excelente técnico Bebeto de Freitas sagrou-se vice-campeã mundial, perdendo apenas para a União Soviética por 3 sets a 0. O oposto ou ponteiro Xandó foi eleito o melhor atleta da disputa. Outros jogadores que fizeram parte da seleção 2ª colocada no Mundial Juvenil de 81, foram Domingos Maracanã (central) e Marcus Vinícius (central ou ponta)24, posteriormente se tornariam atletas da “Geração de Prata”. O voleibol masculino obteve outro resultado expressivo, aconteceu na 2ª Copa do Mundo do Japão (Obs.: A 1ª versão foi em 77), onde a seleção conseguiu a medalha de bronze. Os atletas da conquista do bronze eram jogadores do Mundial Juvenil de 77, da Olimpíada de 76 e de 80 e do Mundial Juvenil de 81 (Amauri, Badalhoca, Bernardinho, Bernard, Domingos Maracanã, Marcus Vinícius, Renan, William e outros). Todos esses jogadores eram orientados pelo estrategista Bebeto de Freitas (Obs.: Bebeto foi ex-levantador da seleção brasileira e do Botafogo, se formou nos anos 70 em Educação Física pela Universidade Gama Filho), para muitos, o melhor técnico do voleibol brasileiro.

Com todos esses bons resultados, e a divulgação da TV, Luciano do Valle batizou a seleção masculina de “Geração de Ouro”, enquanto que o feminino era a “Seleção das Musas”, com maior destaque de beleza e no jogar das atletas Jaqueline, Vera Mossa (Posteriormente seria o 1º casamento de Bernardinho) e Isabel. Agora o voleibol começava se tornar “febre” nacional, quase todo adolescente do sexo feminino ou masculino queria jogar essa modalidade33. Por exemplo, praias que não tinham essa modalidade, passaram praticar esse esporte. Foi o caso da rede de vôlei do Nelson (foi levantador do América nos anos 60), ele fundou em 1981, na Barra da Tijuca, uma rede de voleibol que tinha organização de um clube (presidente, tesoureiro, sócios e outros). Essa rede foi uma das primeiras da Barra, ainda fica situada entre os condomínios Vivendas e Beton. A foto ilustra o 1º campeonato dessa rede (aconteceu em 1982) e uma das primeiras disputas de dupla na areia da Barra da Tijuca, localizada na zona oeste do Rio de Janeiro:

http://www.efdeportes.com/efd170/historia-do-voleibol-no-brasil-06.jpg

Figura 6. Torneio Luiz Carlos Cruz de vôlei na areia. Competição que teve mais de 30 duplas. Os três primeiros colocados foram:

Nelson (com a bola) e Luizinho no 3º lugar, Donato (com o troféu, foi o melhor jogador) e Ângelo no 1º lugar e no 2º lugar ficaram Neto e Décio

Em 1982, foi um ano de decepção para os brasileiros, isso aconteceu no dia 5 de julho. O futebol arte do Brasil perdeu para a seleção medíocre da Itália por 3 a 2 nas quartas de final, sendo desclassificado da fase final da Copa do Mundo. Todos os especialistas do futebol apontavam que o escrete “canarinho” fosse campeão. Porém, algo de especial estava reservado para acontecer.

O Brasil promoveu o 1º Mundialito de Voleibol Feminino e Masculino. Durante esse evento, vários jogos foram transmitidos pela TV Record no horário nobre, com ótimo índice de audiência34 e o estádio do Ibirapuera (São Paulo, foi realizada a disputa do feminino) e do Maracanãzinho (Rio de Janeiro, campeonato masculino) ficou lotado com esse evento. Durante o Mundialito no Rio de Janeiro, apareceu um animador de torcida de maneira espontânea, a cada jogo ele estava com sua corneta para torcer pelo Brasil. Ele era um vendedor de roupa da loja Company, sendo batizado pela imprensa de Dartagnan. No decorrer do Mundialito as pessoas só falavam sobre o voleibol, principalmente depois que o selecionado brasileiro conseguiu duas conquistas relevantes, isso aconteceu em setembro de 1982.

Logo, a decepção da Copa de 82 era esquecida, o voleibol passava a ser um dos esportes de preferência no nosso país. Em 3 de setembro de 82, no 1º Mundialito de Vôlei Feminino, o Brasil venceu a União Soviética por 3 sets a 2 e se tornou vice-campeão35. O campeão foi o Japão. Enquanto que no masculino, o sucesso no 1º Mundialito foi maior, a seleção venceu a quase imbatível União Soviética por 3 sets a 2, isso aconteceu em 25 de setembro35. A União Soviética naquela ocasião era a melhor seleção do planeta, dispunha do central Savin, melhor jogador do mundo, e do levantador Zaitsev, melhor na posição. Foi o 1º jogo oficial que o voleibol masculino derrotou a União Soviética. Além disso, o público feminino lotava o ginásio para ver os bonitos atletas de voleibol, os preferidos eram Renan (chamado de Rei) e Bernardinho (denominado de Príncipe Encantado).

Outro destaque que levava o público a “loucura”, era o saque “Jornada nas Estrelas”, idealizado pelo ponteiro Bernard. O “Jornada” foi um saque por baixo desenvolvido nas areias da praia de Ipanema e Copacabana. Bernard informou: “Começou como uma brincadeira de praia, quando percebi que o sol poderia representar um fator dificultador na recepção de bolas muito altas”36. Ele resolveu aplicar esse saque no Maracanãzinho, durante o 1º Mundialito, porque os refletores do ginásio atuariam como os raios solares, interferindo na visão do atleta no ato de realizar o passe. O “Jornada nas Estrelas” atingia 25 m de altura e descia a 72 km/h, sendo um dos responsáveis pela vitória brasileira frente a União Soviética.

Esse saque foi eficaz por causa de 3 fatores: os refletores do ginásio dificultavam os passadores em visualizar a bola, a velocidade de queda da bola era muito grande e os jogadores não tinham conhecimento de como recepcionar esse saque. Com o passar do tempo, por volta de 1989, o “Jornada” passou a ser pouco praticado até chegar ao desuso. Contudo, Nogueira37 noticiou: “Me chega agora a carta de Roberto Poli, ex-jogador de vôlei; quando jogávamos em Jundiaí, o Jornada já era posto em prática”. Entretanto, esse ocorrido foi antes dos anos 80, mas não se tem imagens ou fotos dessa atividade, não podendo ter prova da elaboração do saque de Poli, sendo autor do “Jornada” o atleta Bernard.

Renan concluiu sobre o 1º Mundialito38: “Percebemos que a torcida estava canalizada para nós, as angústias sofridas durante o ano”, diz. “Mas saber que o público estravassou o grito de gol contido em nossas cortadas foi a maior recompensa que poderíamos ter”. “Nós vingamos o futebol. E isso foi mais que gratificante”. A figura 7 mostra alguns dos jogadores que fizeram sucesso no 1º Mundialito:

http://www.efdeportes.com/efd170/historia-do-voleibol-no-brasil-07.jpg

Figura 7. Algumas atletas da equipe feminina (de olho azul e loura Dulce – ponta, 2ª não dá para identificar, Helga – ponta, Blenda – levantadora, Eliana – central,

Regina Uchôa – ponta ou oposta, a única canhota, Heloísa – central, Isabel – ponta ou oposta, www.melhordovolei.com.br) e o time titular masculino (2 o oposto

Xandó, 6 o ponta Renan, 12 o ponta Bernard, 8 o central Amauri, 14 o central Fernandão e 7 o levantador e capitão William, www.justvolleyball.com.br).

Após a vitória no Mundialito, a seleção masculina confirmou a evolução brasileira no esporte, foi vice-campeã mundial, perdendo para União Soviética por 3 a 0 (A final ocorreu em 15 de outubro de 82)35. Durante a final, os soviéticos jogavam sem vibrar, somente tocando nas mãos uns dos outros. Essa maneira de comemorar após cada ponto ou boa jogada causava um desânimo na seleção brasileira. Segundo Bizzocchi10, o voleibol brasileiro utilizou uma novidade durante o Mundial, foi o ataque de velocidade da linha dos 3 metros. Isso começou numa excursão da seleção masculina à União Soviética, por causa da dificuldade de enfrentar um bloqueio alto durante o ataque na rede, a seleção adotou cortada dos 3 metros de velocidade17. Outra inovação aplicada pelo voleibol brasileiro masculino no Mundial foi o saque em suspensão (Obs.: Os 1º a sacarem foram William e Renan), sendo batizado pelo auxiliar técnico Brunoro de “Viagem ao Fundo do Mar” para diferir do “Jornada nas Estrelas”. Segundo Montanaro, um dos ponteiros da “Geração de Prata”, em entrevista concedida ao programa Clássicos BandSports, em 6 de janeiro de 2005, o saque em suspensão começou da seguinte forma: “Eu, Renan, William e outros companheiros da seleção, ficávamos após o treino brincando de realizar cortadas dos 3 metros, dos 4 metros até que chegamos um dia na linha dos 9 metros, a de saque”. “A disputa consistia no maior número de acertos em cada linha de ataque”. O técnico Bebeto de Freitas, vendo aquela competição sugeriu: “Porque vocês não passam a treinar essa cortada como saque?” “Gostamos da idéia e começamos a treinar”. “A partir desse momento nasceu o saque em suspensão, popularizado por todo o mundo, sendo o 1º ataque no jogo de voleibol”. Entretanto, Lima11 informou que o saque em suspensão voltou a ser praticado, porque nos anos 50, Jorginho do Botafogo e da seleção brasileira, já efetuava esse saque com salto, mas sem passada.

O voleibol feminino não teve a mesma atuação do 1º Mundialito, no Mundial (Obs.: Ambas disputas foram em 1982) ficou em 8º lugar, merecendo mais treino e intercâmbio para chegar no nível da China (1º lugar), Peru (2º lugar) e Estados Unidos (3º lugar).

Em 1983, o destaque do voleibol brasileiro ficou por conta do masculino. No dia 26 de julho aconteceu o jogo entre Brasil e União Soviética, onde ocorreu recorde de público (95.881 pessoas), a partida foi realizada no Maracanãzinho39. Às 19 horas começou a chover, mas o público chegava cada vez mais, porém, não era possível determinar se a partida ia ser realizada. A chuva parou às 21 horas e 49 minutos, os soviéticos, várias vezes campeões mundiais e olímpicos, mostraram um grande espírito esportivo, enxugavam a quadra com rodo e pano. Os brasileiros imediatamente ajudaram os soviéticos. O técnico Platonov da União Soviética aceitava jogar até com chuva, desde que não houvesse risco para os atletas. Após secar a quadra, a partida começa, a União Soviética faz 4 a 0, mas logo volta a chover. Era impossível praticar voleibol no chão liso do tablado que foi construído no meio do campo do Maracanã. Quando os organizadores iam anunciar a suspensão da partida, o técnico da União Soviética teve uma idéia: “Vamos colocar sobre a quadra os tapetes de lã que nós utilizamos como caminho do vestiário até a quadra”. Imediatamente todos atletas aceitaram a sugestão de Platonov, a marcação da quadra foi improvisada com fita crepe. Às 22 horas e 49 minutos, a partida começou, o público foi ao delírio, os atletas tinham a meta de jogar apenas alguns sets, mas foram realizados 4 sets espetaculares, com vitória brasileira de 3 sets a 1 (14/16, 16/14, 15/7 e 15/10). Entretanto, um dado merece registro, para assistir um jogo de voleibol no Maracanã não é muito bom porque a partida fica muito distante da visão do público, não dando para acompanhar direito os lances do jogo. Somente de binóculo pode-se observar bem o voleibol. Essas afirmações são baseadas no autor do artigo, ele esteve presente nessa festa. As figuras a seguir, ilustram o ocorrido no Maracanã:

http://www.efdeportes.com/efd170/historia-do-voleibol-no-brasil-08.jpg

Figura 8. Os soviéticos enxugando a quadra39.

 

http://www.efdeportes.com/efd170/historia-do-voleibol-no-brasil-09.jpg

Figura 9. Renan num peixinho espetacular39

 

 

http://www.efdeportes.com/efd170/historia-do-voleibol-no-brasil-10.jpg

Figura 10. Brasileiros comemorando mais um ponto39

Outro momento emocionante do voleibol masculino foi no Pan-Americano de Caracas na Venezuela, em 1983. A final foi entre Brasil e Cuba, aconteceu no dia 27 de agosto de 198340. A seleção brasileira perdeu o 1º set, mas se recuperou e venceu os outros três. O grande nome do jogo foi Badalhoca (o Badá), com seu ataque na ponta ou da linha dos 3 metros foi o principal responsável pela vitória brasileira. Badá, como é chamado pelos colegas, se superou, minutos antes da final sua presença era incerta, estava com graves problemas no joelho (Obs.: Os problemas de joelho do Badá foram até o fim da carreira), passou o dia inteiro na fisioterapia, mas mostrou alto poder de superação durante a partida. A partida foi tão emocionante, que diversos funcionários da TV Record vibraram com os jogadores, ou seja, saltaram, se abraçaram, pareciam que eles tinham acabado de jogar. Isso contagiou o telespectador, por exemplo, algumas pessoas “soltaram” foguetes para comemorar o título Pan-Americano de voleibol, fato ainda não visto no Brasil, aos poucos, o voleibol começava a se tornar o 2º esporte do brasileiro. O levantador e capitão William, contou os detalhes da disputa: “Entramos para o sacrifício”, lembrou com a voz embargada pela emoção e rouca de tanto gritar, por causa dos incentivos durante a partida. “Badá, Fernandão, Xandó, Bernard e eu estávamos fisicamente estourados. Mas fomos para o pau, fomos para ganhar.” A medalha de ouro, a vitória era a única coisa que poderíamos aceitar.” O auxiliar técnico Brunoro completou: “As vezes penso que essa seleção exagera na raça”. “Com tanta técnica, talvez nem precisasse de garra”.

Após o ano vitorioso de 1983, William já planejava 1984, ano da Olimpíada: “Quero conquistar uma medalha olímpica41.” O futuro para o capitão William começou porque naquela ocasião ele esperava um 1984 melhor do que 1983. O preparador físico da seleção brasileira masculina também se preocupou com o futuro, Rocha42 planejou o treino físico para a Olimpíada de 1984, com intuito de conseguir êxito esportivo.

O artigo de Rocha42 nos mostrou que o treino fisco do voleibol brasileiro evoluiu com o avanço da Educação Física porque a periodização estava muito atualizada para época. O treino físico foi estruturado através da periodização de Matveev (Obs.: Para saber sobre essa periodização, leia Matveev43. Todos os parâmetros relevantes para o treino físico foram estabelecidos, tendo estreita ligação com a fisiologia do exercício. O 1º parâmetro consistiu em preparar a seleção masculina para um jogo de 2 horas e 45 minutos, duração média de 5 sets, levando em consideração o tempo de cada set, 45 minutos. O 2º parâmetro foi baseado no tempo médio de bola em jogo, cada set era de 15 minutos. O 3º parâmetro foi determinar o número de saltos em uma partida, 30 por set, dando um total de 150 saltos por partida. O 4º parâmetro o objetivo era aumentar o salto vertical da seleção, embora essa variável já tenha melhorado 5 centímetros (cm) da Olimpíada de 80 para o Pan-americano de 83 (Olimpíada de 76 com 84 cm – 7º lugar, Olimpíada de 80 com 84 cm – 5º lugar e Pan-Americano de 83 com 89 cm – 1º lugar). O aumento do salto vertical era importante porque a seleção tinha baixa estatura, quando comparada com as principais potências (União Soviética, Bulgária, Thecoslováquia, etc.). Saltando bastante, conseqüentemente facilitaria o ataque e o bloqueio.

Os testes que Rocha42 pretendia utilizar em 1984, para avaliar os atletas antes da Olimpíada eram os seguintes: corrida de 15 minutos para estabelecer o consumo máximo de oxigênio (VO2máx), corrida de 300 m para determinar a potência anaeróbia, quantidade de saltos em 1 minuto a 30 segundos para identificar a força rápida de resistência e a potência de salto no sistema ATP-CP e 30 saltos para avaliar a força rápida de resistência e potência de salto glicolítico. Serão realizadas 4 avaliações físicas ao longo da temporada. Os meios e métodos (Obs.: Para entender o que são meios e métodos, leia Forteza44) da preparação física foram embasados no princípio da individualidade biológica, eles são os seguintes: corrida contínua, corrida intervalada, musculação, exercícios isométricos, salto em profundidade e alongamento. As fases do treino são baseadas na fisiologia do exercício com associação ao princípio da sobrecarga. A periodização clássica de Matveev foi dividida em 5 fases, elas são apresentadas na tabela 1:

Tabela 1. Treino físico periodizado

http://www.efdeportes.com/efd170/historia-do-voleibol-no-brasil-11.jpg

A 1ª fase da periodização é a mais longa e mais importante, visa aumentar o VO2máx, tentando que os atletas cheguem valores superiores a 48 a 50 ml/kg/min42. Essas informações estão de acordo com ensinamentos de Matveev45, o treino aeróbio é fundamental para otimizar diversas capacidades condicionantes (força, anaeróbio, etc.), cria pré-requisito para aumento da carga e ocasiona transferência do treino de corrida para as ações do voleibol. Em relação ao VO2máx, atletas de alto rendimento do voleibol possuem resultados dentro dessa faixa ou superiores, chegando até 65 ml/kg/min46. A prática do treino cardiopulmonar seguiu o 5º parâmetro, a duração do rali (rali curtíssimo de 10 segundos, rali muito curto de 15 segundos e rali curto de 30 segundos), sendo utilizado principalmente nas corridas curtas. O treino cardiopulmonar foi periodizado da seguinte maneira:

Tabela 2. Meios e métodos do treino cardiopulmonar

http://www.efdeportes.com/efd170/historia-do-voleibol-no-brasil-12.jpg

A musculação seguiu os ensinamentos de Verkhoshanski47, trabalhar com pesos simulando o gesto esportivo, mas todo o treino é feito através do circuito, visando aumentar a massa corporal magra.

Segundo Rocha42, a previsão da periodização do treino físico para 1984 era a seguinte: 28 semanas de treino, sendo 45 sessões de musculação e 96 sessões de corrida, sem considerar alguns tipos de treino (alongamento, treino técnico e físico, treino técnico, treino situacional e treino de jogo). A descrição desse treino mostra como o treinamento esportivo evoluiu no decorrer dos anos no nosso país, nesse estudo o voleibol.

O ano de 1984 era muito esperado pelo voleibol brasileiro, a seleção masculina tinha reais chances de conseguir uma medalha. A preparação para a Olimpíada de Los Angeles foi realizada através de jogos amistosos e competições de menor importância. No ginásio do Ibirapuera, São Paulo, aconteceu o 2º Mundialito de Voleibol, tendo presença da Coréia do Sul, Argentina, China, Polônia, Cuba e Iugoslávia48. Esse evento o Brasil venceu Cuba, no dia 11 de junho de 84, data próxima da Olimpíada, aumentando a confiança do grupo. Após a final, Gustavo Herrera, técnico de Cuba, concluiu49: “Me dêem o William e eu serei campeão do que disputar”. As palavras do técnico cubano mostraram como a medalha olímpica estava próxima, principalmente depois que a União Soviética anunciou que não ia participar dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, 1984, em resposta ao boicote norte-americano na Olimpíada de Moscou, 1980.

O CELAFISCS (Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul) foi importante para a “Geração de Prata”, realizou a bateria de testes na seleção masculina antes dos Jogos Olímpicos de 84, também, efetuou a estatística dos acertos e erros de cada fundamento, através da Professora Sandra Caldeira50. Próximo da Olimpíada, o técnico Bebeto de Freitas já tinha os 12 atletas, sendo que 8 eram titulares (Amauri, Bernard, William, Renan, Xandó, Fernandão, Montanaro e Badá)51. A figura 11 mostra a seleção medalha de prata:

http://www.efdeportes.com/efd170/historia-do-voleibol-no-brasil-13.jpg

Figura 11. Atletas e comissão técnica que foram medalha de prata em 84. Em pé, da esquerda para direita temos Paulo Laranjeiras (preparador físico), Brunoro (auxiliar técnico), Badá (ponta ou oposto), Amauri

(central), Rui (ponta ou central), Bernard (ponta), Marcus Vinícius (ponta ou central) e Bebeto (técnico). Sentados, da esquerda para direita temos Paulo Sérgio Rocha (preparador físico), Domingos Maracanã

(central), Montanaro (ponta), Bernardinho (levantador), William (levantador), Renan (ponta ou oposto), Fernandão (central) e o auxiliar técnico Jorjão, não estando presente na foto51

Antes de começar os Jogos Olímpicos, Bernard prometeu: “Esta semana, ele começa a jogar sua própria vida em Los Angeles”52. Apesar da grande motivação da equipe, a seleção tinha problemas, o “Jornada nas Estrelas” não podia ser executado, existia um enorme placar eletrônico no centro da quadra e ao seu redor, tinha diversas bandeiras dos países participantes do voleibol. Também, vários jogadores estavam contundidos, Renan com problema no tornozelo, Fernandão com conjuntivite, Badá com calcificação da patela e Domingos Maracanã com torcicolo. Porém, isso não impediu da seleção masculina chegar à final contra os Estados Unidos, no dia 11 de agosto de 198453. Antes da final, era total confiança, por exemplo, Domingos Maracanã prometeu: “Vou matá-los esta noite”. Mas os norte- americanos não deram chance, efetuaram bem todos os fundamentos, foi uma aula de voleibol, vencendo facilmente por 3 sets a 0. O grande nome da partida foi Pat Powers (oposto), com seus ataques na rede e no fundo da quadra. O sexteto titular americano também era formado por Kiraly (ponta), Dvorak (levantador), Berzins (ponta), Buck (central) e Timmons (central), todos foram perfeitos durante o jogo, sob o comando de Doug Beal. Era uma seleção montada com todo aparato científico (Obs.: Mais detalhes serão explicados adiante).

Após a decepção dos brasileiros, a medalha de prata foi valorizada pelos meios de comunicação, o Jornal do Brasil publicou um suplemento especial gratuito, na compra do Jornal, o leitor ganhava um pôster da “Geração de Prata” (Obs.: Na época era chamada de “Geração de Ouro”)24. Essa promoção era noticiada no rádio. A figura 12 expõe as belas fotos do pôster:

http://www.efdeportes.com/efd170/historia-do-voleibol-no-brasil-14.jpg

Figura 12. Xandó cortando contra a Coréia do Sul e a equipe na entrega das flâmulas24

Apesar do sucesso do voleibol masculino, a seleção feminina chegou próximo das finais, vencia por 2 sets a 0 os Estados Unidos (foi medalha de prata), mas por problemas emocionais, a equipe perdeu por 3 a 2, ficando em 7º lugar. Outro importante resultado do voleibol masculino foi a vitória de 3 a 2 da Pirelli frente a Bradesco Atlântica (Ambos times eram brasileiros) no 1º Mundial Interclubes, realizado no Ibirapuera, em São Paulo. Isso aconteceu em 20 de outubro de 1984.

Após a Olimpíada de 84, foi identificado que o voleibol era o 2º esporte de preferência entre os jovens com 15 a 24 anos de idade, empatando com o futebol de campo54. Perdendo apenas para o futebol de salão. Posteriormente, seria constatado pela CBV, que de 1980 a 2000, o voleibol se tornaria a 2ª modalidade de preferência do brasileiro55, não estando relacionada com a idade. Em 2008, Renato Maurício Prado do O Globo e ex-jogador de voleibol do Botafogo falou no Programa Bem Amigos: “Futebol no Brasil é religião e o voleibol é o 1º esporte”.

Anos mais tarde, foi descoberto um dos motivos da derrota do Brasil para os Estados Unidos na Olimpíada de 84. Segundo o Jornal do Brasil56, ocorreu o seguinte:

Tanta badalação serviu para aumentar o jogo de vaidades e mostrar que ninguém estava preparado para a fama. Poucos minutos antes da seleção masculina entrar na quadra do Arena, na final olímpica de 1984 com os Estados Unidos, Bernard e Montanaro discutiram, e William brigou com Bernard. Até hoje, o episódio não foi totalmente esclarecido, é mais um dos casos mal explicados que o vôlei colecionou. A seleção entrou na quadra abalada emocionalmente e foi derrotada por 3 a 0 (não paginada).

De 1985 a 1988, aconteceu um pequeno declínio do voleibol brasileiro masculino, a causa foi a não permanência no pódio nas principais disputas (Mundial, Olimpíada e Copa do Mundo do Japão). Segundo Montanaro, um dos ponteiros da “Geração de Prata”, em entrevista concedida ao programa Clássicos BandSports, em 6 de janeiro de 2005, “um dos problemas da seleção masculina foi a desunião do grupo, por esse motivo passou a não estar entre as 3 melhores equipes nas principais competições”. Por exemplo, ficou em 4º lugar na Copa do Mundo do Japão de 85 (1º Estados Unidos, 2º União Soviética e 3º Thecoslováquia) e esteve em 4º lugar no Mundial de 86 (1º Estados Unidos, 2º União Soviética e 3º Bulgária). Em maio de 1987, aconteceu o Pré-olímpico de Voleibol Masculino em Brasília, capital do Brasil, valendo uma vaga para a Olimpíada de 88, tendo a presença de 5 países (Argentina, Cuba, França, Japão e Egito)57. A seleção brasileira masculina não se classificou (Obs.: A vaga foi conquistada pela Argentina), um dos motivos do fraco desempenho foi problema de relacionamento entre jogadores “Cariocas” e “Paulistas” (Obs.: Assim eram chamados os atletas que atuavam no time do Rio de Janeiro e em São Paulo). Por causa dos resultados ruins, o técnico Brunoro foi substituído pelo coreano Sohn.

A escolha de Sohn para técnico da seleção foi baseado nos seus últimos resultados, sob o comando do Minas Tênis Clube sagrou-se tricampeão brasileiro (84, 85 e 86) e revelou jogadores talentosos como o excelente cortador Pelé (ponta ou oposto de 1,92 m), o bom bloqueador Elberto (central de 1,96 m), o capitão e completo (Obs.: Completo em voleibol significa que o jogador domina bem todos os fundamentos) Henrique Bassi (ponta de 1,75 m, porém, as vezes jogava de levantador). O método de treino de Sohn era inovador para o voleibol brasileiro, se preocupava muito com o aspecto psicológico e dava prioridade à defesa e ao bloqueio porque esses dois fundamentos evitam que o adversário marque ponto58. O ataque era considerado importante pelo coreano, mas ele achava fácil de ser aprendido, já é uma ação natural do ser humano. Outra novidade nas suas sessões eram os exercícios de ginástica olímpica e também era dada muita atenção ao treino de musculação e de salto em profundidade. Sohn estabeleceu duas diretrizes para a seleção masculina voltar ao pódio: a estatura dos atletas deveria ser maior e a renovação era importante para o grupo obter sucesso na Olimpíada de 88 e nas futuras disputas (Obs.: Em 89 a seleção masculina seguiu esses ensinamentos e o Brasil foi campeão olímpico em 92).

No início do trabalho, Sohn foi muito elogiado, o capitão da equipe era Bernard, sempre considerava o coreano um grande mestre, achando seus métodos de treino excelentes (ginástica olímpica, sessões psicológicas, ênfase no bloqueio e na defesa e outros). Parecia que a seleção masculina tinha acabado com a briga interna entre os jogadores, principalmente depois que conquistou em agosto de 87 a medalha de bronze frente à Argentina, isso aconteceu no Pan-americano de Indianápolis, Estados Unidos. Contudo, o modelo de jogo da seleção masculina era muito criticado, a recepção não era boa e interferia na qualidade da distribuição do levantamento59. Sohn continuou no cargo, em setembro de 87, classificou a seleção masculina para Olimpíada de 88, venceu o Sul americano com vitória diante da Argentina. Após 10 meses de trabalho, os jogadores passaram a criticar os seus métodos de treino, fizeram um manifesto pedindo a sua saída, resultando no afastamento dos líderes dessa iniciativa (Bernard, Xandó e Renan) e na permanência de Sohn, que durou apenas por mais 3 meses. Então, a direção da CBV contratou Bebeto de Freitas (fora da seleção desde 1984) para dirigir o voleibol masculino na Olimpíada de 88. Ninguém acreditava no grupo, formado por atletas veteranos da “Geração de Prata” (Renan, William, Montanaro, Amauri – esses quatro atletas eram chamados pelo treinador de intocáveis porque eram os titulares, Léo e Domingos Maracanã) e por novatos (Pampa, Paulão, Carlão, Vágner Bocão, Maurício e Paolo Roese), a seleção conseguiu um honroso 4º lugar, perdendo o bronze para a excelente Argentina.

O voleibol feminino também obteve êxito no período de 85 a 88 (6º lugar na Copa do Mundo do Japão, 5º lugar no Mundial de 86 e 6º lugar na Olimpíada de 88), sendo marcado por desentendimento entre atletas e dirigentes. Em 85, algumas jogadoras da seleção pediram dispensa (Isabel, Vera Mossa, Sandra e Dulce), mas foi à levantadora Jaqueline a ocupar maior atenção do público. Em julho de 85, em entrevista à Revista Placar, Jaqueline falaria de autoritarismo, sexo e dos bastidores do vôlei60. Ela ainda escreveu o livro Vida de Cachorro, criticando o voleibol brasileiro. Imediatamente a levantadora foi banida do voleibol do nosso país, nenhuma equipe queria contratar a atleta por causa da sua briga com a direção da CBV, a voleibolista foi obrigada a jogar voleibol de dupla na areia nos Estados Unidos.

O período de 85 a 88 aconteceu uma lenta proliferação dos cursos de mestrado e de doutorado da Educação Física, principalmente na região Sul e Sudeste61. Também, começou a ocorrer uma pequena produção de revistas científicas e de editoras dedicadas à Educação Física. Então, o avanço científico da Educação Física brasileira permitiu aos treinadores do voleibol um maior conhecimento sobre essa modalidade. Alguns livros tiveram partes dedicadas ao voleibol, facilitando o trabalho dos técnicos e dos preparadores físicos. Por exemplo, Ouellet62 (1985) informou no livro de Fisiologia que o voleibol tem longa duração de jogo (44 minutos a 2 horas e 26 minutos) e possui rali de curto tempo (7 a 8,5 segundos). Portanto, essa modalidade foi classificada como um esporte intermitente (tem esforço e pausa), predominando no rali o sistema ATP-CP e na pausa o metabolismo aeróbio. Ouellet62 recomendou o seguinte treino cardiopulmonar ao identificar essas características do voleibol: treino intervalado de corrida e/ou através do treino técnico, para trabalhar o sistema ATP-CP (metabolismo do rali) ou o metabolismo aeróbio (importante na recuperação do atleta após cada rali). Outra obra relevante foi de Barbanti63, escreveu as características fisiológicas da partida de voleibol (freqüência cardíaca, rali, pausa, VO2máx e outros), mostrando que a preparação física deveria estar embasada nas ações do jogo.

Entretanto, como nos anos 80 o treino físico utilizava muito a periodização de Matveev45, era dada muito atenção as sessões de corrida contínua aeróbia, gerando num trabalho cardiopulmonar pouco específico (Obs.: O ideal seria o fartlek ou o treino intervalado) e não seguindo totalmente os ensinamentos das referências anterior62,63, ou seja, treino cardiopulmonar simulando o jogar. Somente em 1987, um dos estudiosos da Educação Física, o Prof. Paulo Roberto de Oliveira, teve contato com um novo modelo de periodização, o modelo em bloco de Verkhoshanski20. Logo, pode-se notar que apesar da evolução da Educação Física brasileira, ela ainda precisava de mais atualização para os treinadores do voleibol prescreverem uma sessão mais específica.

No fim dos anos 80 e no início da época de 90, começaram aparecer às primeiras publicações sobre a seleção norte-americana64-66 que ganhou os títulos mais importantes entre 1984 a 1988 (Olimpíada de 84 e 88, Mundial de 86, Copa do Mundo do Japão de 85 e Pan-americano de 87). Essas informações foram importantes para a evolução do voleibol na estruturação e prescrição do treinamento, sendo aplicado até hoje pelas principais potências mundiais, inclusive no Brasil.

A seleção norte-americana era permanente (Obs.: Seleção permanente é a única variável não utilizada pela a maioria das seleções mundiais), os jogadores efetuavam treino com bola (técnico, situacional, tático e jogo) no ginásio pela manhã (8 às 12 horas, corresponde à 4 horas), no período da tarde os atletas trabalhavam e/ou estudavam (13 às 17 horas, corresponde à 4 horas) e de noite, era praticado treino de força (musculação e/ou salto em profundidade das 19 às 20 horas e 30 minutos, corresponde à 1 hora e 30 minutos). A duração do trabalho com bola mais a sessão de força dava um total de 5 horas e 30 minutos de treino. Os esportistas americanos costumavam treinar 5 vezes na semana, ou seja, de 2ª à 6ª feira, somente sábado e domingo os jogadores descansavam. Consultando algumas referências67,68, o treino dos Estados Unidos era muito atualizado para o voleibol dos anos 80. Por exemplo, o treino com bola de manhã (Obs.: Os americanos treinavam de manhã) permite uma melhor absorção do conteúdo na memória porque os voleibolistas estão mais descansados intelectualmente e fisicamente69.

O treino de força é ideal no fim da tarde e à noite (Obs.: A seleção ianque treinava de noite), por causa do aumento do hormônio do crescimento e da testosterona, gerando em ganhos de força mais significativos70. O trabalho aeróbio não foi prescrito porque o voleibolista consegue alto desempenho competitivo com um VO2máx mediano. Também, o treino de velocidade (corrida e/ou força) e/ou o treino com bola, pode acarretar um incremento no condicionamento aeróbio71,72. Por esse motivo a sessão aeróbia não foi praticada pelos voleibolistas norte-americanos.

O treino dos fundamentos ou da equipe de voleibol dos Estados Unidos era baseado na especialização3. Os atletas treinavam somente a função que exerceriam na partida. A recepção era composta por apenas 2 passadores, atualmente utiliza-se 3 jogadores por causa do saque “Viagem ao Fundo do Mar”. O bloqueio dos americanos era praticado através da interpretação das ações do levantador e do cortador para o jogador realizar esse fundamento com qualidade. Enquanto que a estatística dava suporte sobre a movimentação tática da equipe e do adversário, proporcionando uma tomada de decisão racional do técnico no “O que fazer” e “Como fazer”. Portanto, atualmente qualquer equipe ou seleção do voleibol de alto rendimento seguem os ensinamentos dos norte-americanos.

Outra contribuição americana para o voleibol, mas no de dupla na areia, foi o modelo de jogo utilizado por Smith e Stoklos no final dos anos 80 e início da época de 90. O bloqueio sempre tratava de interceptar a cortada, visando o ponto ou dificultar essa atividade ofensiva. Enquanto que o defensor, em alguns momentos da partida, se posicionava na mesma linha do bloqueio com o intuito de se esconder do atacante adversário para conseguir praticar a defesa. Em outros lances do jogo, o defensor se colocava fora da linha do bloqueio para a tarefa de defesa. Porém, poucas duplas do voleibol na areia conseguiram realizar esse sistema de bloqueio e posicionamento de defesa com a qualidade que Smith e Stoklos efetuaram. A figura 13 ilustra essas explicações:

http://www.efdeportes.com/efd170/historia-do-voleibol-no-brasil-15.jpg

Figura 13. (A) Mesma linha entre bloqueio e defesa e (B) jogador fora da região que o bloqueio protege a quadra

Em 1989, o Governo Collor suspendeu a Lei de Incentivo Fiscal para o Esporte, essa iniciativa acabou com diversos clubes empresas do Brasil (Obs.: Essa lei só retornou em 2001). Porém, mesmo com esse problema, o voleibol masculino (Campeão olímpico em 92 e da Liga Mundial em 93), feminino (Medalha de bronze nos Jogos da Amizade em 90, campeão Sul-americano em 91, campeão do Grand Prix em 94 e medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de 96) e de dupla na areia (Várias vezes campeão ou vice-mundial) obtiveram resultados expressivos nos anos 90. Esses bons resultados do voleibol brasileiro na década de 90 estão relacionados com o avanço científico da Educação Física no Brasil. Por exemplo, a detecção dos atletas campeões olímpicos em 92 foi através da Estratégia Z CELAFISCS50. A Estratégia Z CELAFISCS faz uma comparação do perfil Z de um voleibolista com o perfil Z de uma equipe nacional do mesmo esporte com extraordinário desempenho internacional.

Também, tornou-se conclusivo na literatura brasileira que a solicitação metabólica no voleibol durante uma jogada é através da ATP-CP (rali) e a pausa através do sistema aeróbio73. Enquanto que o estudo sobre metragem percorrida, apresentou que o voleibolista corre uma distância curta (no máximo 10 metros) e em diferentes direções (frontal, lateral e curvilínea)74. Interpretando esses resultados, indica-se o treino intervalado e/ou o fartlek. Outro conteúdo conclusivo para prescrição do treino físico foram às capacidades condicionantes (flexibilidade, força, agilidade, velocidade e potência aeróbia) do voleibolista75.

Apesar dessa evolução científica da Educação Física, até 1996, os cursos de graduação ensinavam apenas a periodização de Matveev. Então, a periodização clássica de Matveev era mais usada porque muitos treinadores do voleibol só conheciam esse modelo. Isso foi evidenciado no treino da seleção feminina para a Olimpíada de 9676. Aos poucos o conteúdo sobre a periodização no Brasil aumentou, apareceram outros tipos, o caso do livro de Verkhoshanski77, que explicava um pouco sobre a periodização em bloco. Em 1998, Oliveira78 evidenciou na sua tese de Doutorado os benefícios na força de voleibolistas causados pela periodização em bloco. Alguns cursos de Pós-graduação Lato Sensu, também passaram a ensinar a periodização em bloco. Mas foi somente a partir do ano 2000, que os envolvidos no voleibol tiveram mais acesso a outros modelos de periodização (Tschiene, pendular, etc.)79. Inclusive foi criado no Brasil, através do Prof. Dr. Antonio Carlos Gomes80, a periodização de cargas seletivas, sendo indicada para ser aplicada no voleibol. Também foi divulgada para ser usada no voleibol a periodização tática81. O conhecimento de vários modelos de periodização proporcionou a aparição de estudos no voleibol71,82.

Então, a partir de 2000, a Educação Física brasileira passou a possuir um maior conhecimento sobre treinamento esportivo, biomecânica, fisiologia do exercício, bioquímica, neurociência, anatomia, aprendizagem motora, estatística e outras disciplinas, tornando uma “ferramenta” fundamental para os resultados do voleibol do Brasil no masculino (Campeão olímpico em 2004 e tricampeão mundial – 2002, 2006 e 2010), no feminino (Campeão olímpico em 2008) e de dupla na areia (Campeão olímpico em 2004 e várias vezes campeão do Circuito Mundial). Outro acontecimento que foi fundamental para a difusão do conhecimento científico na Educação Física e que facilitou o trabalho dos treinadores de voleibol foi o aumento significativo, principalmente a partir de 2006, dos periódicos online. Inclusive foram produzidos vários artigos sobre voleibol. Entretanto, somente em algumas regiões do Brasil que o sinal da internet é fraco, isso foi evidenciado pelo autor em 2011, o caso de Boa Vista, em Roraima, não é possível adquirir o artigo científico em PDF.

Porém, apesar do número elevado de vitórias do voleibol brasileiro da iniciação ao alto rendimento e da melhora do conhecimento científico, Nogueira da Silva83 (2006) alertou que o número de lesões vem crescendo muito nos atletas da aprendizagem (mirim, infantil, etc.) ao alto nível (profissional de clubes e seleções). Essas informações são conclusivas na literatura do voleibol do Brasil. Para tentar amenizar esse problema dos voleibolistas, Marques Junior84 identificou os motivos das contusões e sugeriu como prevenir esse incômodo nos jogadores. Um dos meios de reduzir as lesões é adequar o volume dos fundamentos ao longo da semana e conforme o esforço da tarefa, o técnico merece programar atividades mais fortes e mais fracas ao longo do mesociclo. O quadro 1 mostra a intensidade aproximada de cada fundamento para o treinador prescrever as sessões com mais segurança, ou seja, tentando não ocasionar lesão85,86:

Quadro 1. Esforços dos fundamentos

http://www.efdeportes.com/efd170/historia-do-voleibol-no-brasil-16.jpg

Através dessa revisão o leitor conheceu o efeito da melhora científica da educação física brasileira no voleibol desse país.

.

 

- Anúncio -