Nas últimas duas décadas do século XIX as câmeras fotográficas evoluíram bastante. Um dos principais factores nesse processo foi o aperfeiçoamento das chapas e das emulsões fotossensíveis. As emulsões em gelatina, o pancromatismo (sensibilidade igual a todas as cores) e sobretudo os novos suportes em celulóide caracterizavam os novos filmes, tornando obsoletos os daguerreótipos e os calótipos até então usados. Além disso o Congresso de Paris de 1889 normalizou os formatos das chapas, as aberturas das objectivas e as velocidades de obturação. A Indústria chegava à Fotografia.

A diminuição do tamanho e da velocidade dos filmes fez com que aparecessem pequenas câmaras muito engenhosas que, atendendo à tecnologia da época, eram verdadeiros prodígios da miniaturização. Câmaras dissimuladas de revólveres, de relógios, de sacos de mão ou de discos, que

FOTÓGRAFO LAMBE-LAMBE

A fotografia como meio de expressão e registro de uma época fez surgir uma série de novas profissões. O avanço das descobertas químicas, mecânicas e eletrônicas aperfeiçoou os processos e melhorou  os resultados tornando-os mais precisos ao longo da história recente deste advento, uma vez que a primeira imagem fotográfica foi realizada em 1838.

Muito embora o avanço tecnológico tenha vindo, como decorrência natural do progresso em todas as áreas, a fotografia em preto e branco continua sendo até hoje considerada como um meio expressivo de arte. Muito utilizada até meados dos anos 60, hoje está de volta como cult do momento. A foto em preto e branco voltou a ser considerada como arte, pelo método artesanal de reprodução com que é feita, sendo cultuada pelas classes mais elitizadas e cultas e desprezada pelas classes menos favorecidas.

Longe dos  grandes estúdios fotográficos e das máquinas domésticas, encontramos uma figura especial, ligada à esse passado não muito distante, mas considerado ultrapassado por muitos: o fotógrafo lambe-lambe.

Poucas pessoas no mundo conhecem a atividade do fotógrafo lambe-lambe pois a máquina que deu origem a esta profissão foi fabricada somente no Brasil. Surgiu no início do século pela necessidade de um homem, Francisco Bernardi, de transportar com maior comodidade, todo o equipamento necessário para se obter uma foto em preto e branco.

Ele inventou a famosa máquina lambe-lambe, que traz a todos uma certa nostalgia, do tempo em que estes profissionais dirigiam-se aos parques e praças da movimentada São Paulo do início do século para retratar as famílias que saiam à passeio.

A idéia de se levantar mais informações sobre esses profissionais e toda a história que os envolvem surgiu de um trabalho de pesquisa folclórica, onde a atividade foi colocada como uma, dentre tantas outras. Porém, essa atividade é extremamente técnica e resgata todos os princípios básicos da fotografia, hoje ministrados em cursos de artes e comunicação.

A busca de material sobre o assunto tornou ainda mais interessante este aspecto, pois a inexistência de qualquer trabalho específico com referência a este assunto fez desta pesquisa uma verdadeira busca pelos profissionais que ainda trabalhavam como lambe-lambe. Duas cidades no Estado de São Paulo foram apontadas como locais de trabalho dos lambe-lambe: Pirapora do Bom Jesus e Aparecida do Norte, ambas com o turismo ligado ao movimento de romeiros.

Nas últimas décadas do século XIX as câmeras fotográficas evoluíram bastante e tornaram-se mais pequenas, mais leves e mais acessíveis. Um dos factores por trás desta evolução foi o aperfeiçoamento das chapas e das emulsões sensíveis; o outro chamou-se George Eastman. Este é o segundo artigo dedicado às câmeras fotográficas antigas.

se podiam guardar no bolso, já não constituíam novidade na época e faziam as delícias de todo o amador extravagante de fotografia.