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Outros pesquisadores, além de Marques (2001), mencionada anteriormente, foram buscar na literatura, fundamentos para subsidiar seus conhecimentos acerca da prática pedagógica dos professores, bem como para alicerçar as pesquisas desenvolvidas nas escolas, nas quais se encontram matriculados alunos com deficiência nas classes comuns.

Fortemente marcada pelo embate teórico-metodológico das matrizes epistemológicas do objetivismo e do subjetivismo do período pós-renascentista, a prática pedagógica adentrou o século vinte mergulhada num oceano de investigações sobre os processos de desenvolvimento e de aprendizagem (MARQUES, 2001, p. 11).

Dentre esses, podemos citar Sacristan (1999) Ferreira (2004), Garcia (2005), Mendes (2008), Oliveira (2008) e Pletsch (2010). Com apoio nos estudos desses pesquisadores, então podemos dizer que as práticas pedagógicas, pauta de estudos deste curso, são identificadas com as seguintes definições:

A prática educativa é algo mais do que expressão do ofício dos professores, é algo que não lhes pertencem por inteiro, mas um traço cultural compartilhado, assim como o médico não possui o domínio de todas as ações para favorecer a saúde, mas as compartilha com outros agentes, algumas vezes em relação de complementariedade e de colaboração, e, em outras, em relação de atribuições. A prática educativa tem sua gênese em outras práticas que interagem com o sistema escolar e, além disso, é devedora de si mesma, de seu passado. São características que podem ajudar-nos a entender as razões das transformações que são produzidas e não chegam a acontecer (SACRISTÁN, 1999, p. 91).

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Na escola, diante de um aluno com deficiência que, como os demais, vive num mundo em constante evolução, com as dinâmicas e complexidades de um sujeito em desenvolvimento, com características únicas, implicados, sobretudo, com as tramas relacionais, num contexto social em que convivem família e comunidade, influenciadas pelo meio social, por valores pessoais, e um ambiente físico, geográfico e histórico que não podem ser dissociados de sua existência. Os pais e seus filhos com deficiência convivem em um mundo social, permeado de exigências de toda ordem, da mesma forma os alunos na escola.

Garcia nos diz o seguinte sobre práticas pedagógicas:

[…] a prática pedagógica pode ser dividida em “práticas de caráter antropológico” e “práticas pedagógicas institucionalizadas”. A autora explica que a primeira diz respeito à perspectiva social pela qual se compreende a educação escolar como um espaço cultural compartilhado, não exclusivo de uma classe profissional concreta, ainda que conceda certa legitimidade técnica à ação docente. Já a segunda se refere à atividade docente realizada nos sistemas educacionais e às organizações escolares em que estão inseridos. Neste sentido, “a prática profissional depende das decisões individuais, que não estão isentas da influência de normas coletivas e de regulações organizacionais”. Portanto, o conceito de prática pedagógica não se limita apenas às ações dos professores em sala de aula (GARCIA, 2005 apud PLETSCH, 2010, p. 158).

Ferreira, por sua vez, apresenta significativas recomendações à maneira de atuar na escola com vistas à aprendizagem e desenvolvimento dos alunos:

Pensando na educação dos sujeitos com deficiência, a busca de códigos pedagógicos apropriados é necessária, mas não suficiente se não ressignificarmos as relações de existência concreta destes alunos no âmbito da prática e dos discursos da e na escola. Por esse ponto de vista, torna-se pouco provável que possamos simplesmente recorrer à ajuda do conhecimento e da prática tradicionalmente acumulados em educação especial, uma vez que trazem uma perspectiva da educação especial que se constitui sob a égide de outras concepções e outras referências teóricas (2004, p. 44).

No entendimento de Mendes (2008, p. 118):

[…] as práticas curriculares são entendidas como as ações envolvidas na elaboração e implementação do currículo. São práticas nas quais convivem ações teóricas e práticas, refletidas e mecânicas, normativas, orientadoras, reguladoras, cotidianas. Desde a proposição de currículos pelos órgãos governamentais, à recontextualização feita desses discursos pela escola e pelos seus sujeitos, tudo é entendido aqui como práticas curriculares.

No currículo produzido pelas práticas curriculares se expressa o que a escola entende como conhecimento, o que prioriza, que saberes privilegia e transmite, assim como que sujeito pretende formar e que sujeito de fato forma.

Essa autora reforça seu ponto de vista sobre práticas curriculares, dizendo:

[…] quando estudamos a escola estamos diante de práticas curriculares que são o exercício característico da escola na organização e desenvolvimento do currículo, ou seja, dos conteúdos e das formas de sua transmissão, o que inclui atividades e tarefas propostas, bem como acompanhamento dos alunos no processe ensino-aprendizagem. São aquelas implementadas e recontextualizadas nos condicionantes escolares (tempo-espaço) envolvendo as práticas de seleção e distribuição dos conhecimentos escolares (Mendes, 2008, p. 118).

Enquanto isso, Oliveira (2008, p. 174) assim se posiciona:

As ações dos professores nas salas de aulas não se desenvolvem isoladamente, não são resultados apenas de suas características pessoais (suas crenças, valores, expectativas), mas refletem o tipo de cultura da instituição, considerada no contexto mais amplo das políticas de reformas e mudanças educacionais que exercem influências no cotidiano da escola e, consequentemente, nas práticas dos professores.

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