Formas de Transmissão e Manifestações clínicas do HEV

FARMACIA

A hepatite E ocorre tanto sob a forma epidêmica, como a forma esporádica em áreas endêmicas de países em desenvolvimento (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004 e 2005).

 

As formas de transmissão da hepatite são bem semelhantes as da hepatite A, sendo também a sua forma mais comum de contágio através da transmissão fecal-oral (ânus- boca) associada ao consumo de água e alimentos contaminados por fezes de humanos e de animais (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004).


Embora mais raras, o HEV também poderá será transmitido via vertical (mãe para neonato) ou mesmo, via parenteral (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004). Neste último caso, a transmissão só poderá ocorrer quando estiver dentro do período de viremia (SARACENI, 2001, p. 45). Como exemplo, a administração de produtos hemoderivados poderia ser uma fonte plausível de infecção do HEV, uma vez que, os métodos geralmente utilizados para a inativação viral para esses produtos podem não inativar vírus não envelopados como o HEV (SARACENI, 2001, p. 45).

 

O período de transmissibilidade da hepatite E compreende desde a segunda semana anterior ao início dos sintomas até o final da segunda semana de doença propriamente dita (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004).

 

Manifestações Clínicas da Hepatite E:

A hepatite E é considerada uma doença viral aguda e autolimitada (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004).

 

Essa doença apresenta-se principalmente de forma assintomática, manifestando-se geralmente entre as crianças (PARANÁ e SCHINONI, 2002; MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004 e 2005). Esse fator dificulta o diagnóstico da infecção pelo HEV na fase aguda da doença (PARANÁ e SCHINONI, 2002; MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004 e 2005).

 

As taxas mais elevadas de infecção clínica ocorrem entre os adultos jovens (PARANÁ e SCHINONI, 2002).


Como a hepatite E é uma doença essencialmente aguda, ela apresenta os períodos típicos de uma hepatite aguda, ou seja, um período de incubação; período prodrômico, ictérico e de convalescência (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004).

 

O período de incubação geralmente é de duas a nove semanas, com uma média de seis semanas (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004).

Já o período prodrômico compreende de uma duração média de três a quatro dias, sendo caracterizado pela presença dos seguintes sintomas (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004):

•Mal estar;
•Febre baixa;
•Cefaléia;
•Anorexia;
•Fadiga intensa e Astenia (fraqueza);
•Náuseas e vômitos;
•Desconforto e/ou dor abdominal;
•Artralgia (dores nas articulações).

 

O período ictérico é caracterizado não só pela presença de icterícia, como também é comum o paciente apresentar queixas de presença de colúria, prurido, acolia e hepatomegalia (aumento exacerbado do fígado) (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004). Nesta fase também, tende haver o desaparecimento dos sintomas de febre, artralgia e cefaléia (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004).

 


No período de convalescência, há o retorno da sensação de bem estar e gradativamente a o sintoma de icterícia regride e as fezes e a urina retornam a coloração normal (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004). Nos casos de hepatite E típicos, já em um mês há remissão completa dos sintomas nesse período (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004).

 

Desta forma, o quadro clínico da hepatite E é semelhante à de outras hepatites virais que apresentam a forma aguda, exceto que, nesse caso, foram relatados casos com maior número de icterícias principalmente entre os pacientes adultos (PARANÁ e SCHINONI, 2002).

 

Semelhante a hepatite A, a hepatite E também não cronifica (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004).

 

No entanto, em gestantes, a hepatite E tende a ser mais grave, podendo apresentar as formas fulminantes (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004 e 2005). A letalidade entre as gestantes com hepatite E pode chegar até 25%, especialmente durante o terceiro trimestre (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004 e 2005).

 

A maioria dos casos evolui para cura, sendo que a hospitalização se faz necessária para os casos mais graves como os casos de hepatite E entre as gestantes (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004 e 2005).

 

Um aspecto peculiar da hepatite E é que o HEV pode causar infecção intra-uterina, assim como significativa morbidade e mortalidade perinatal (SARACENI, 2001, p. 14).