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Qual o papel da química na história? É o que se propõem a responder os químicos Penny Le Couteur e Jay Burreson em “Os Botões de Napoleão – As 17 Moléculas que Mudaram a História”. Suas respostas são surpreendentes e capazes de seduzir não somente químicos e historiadores, mas todo leitor relativamente culto, que tenha curiosidade em compreender como uma coisa tão pequena quanto uma molécula pode contribuir para desencadear processos de cunho político e econômico.

Comecemos pelas célebres especiarias – cuja influência no descobrimento do Brasil é nossa velha conhecida. Pois bem, Le Couteur e Burrenson nos revelam que, mais do que um simples tempero, a noz-moscada desenvolve isoeugenol, um composto químico que funciona como pesticida natural para proteger a planta de seus predadores. O isoeugenol também repelia pulgas e, com isso, podia proteger as pessoas desses insetos que transmitiram a peste bubônica na Europa dos séculos 14 e 15.

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Naturalmente, isso conferia à noz-moscada um grande valor econômico. Tão grande que os holandeses, no tratado de Breda, de 1667, trocaram com os ingleses sua posse da ilha de Manhattan por uma ilhota na Indonésia que dispunha das condições ideais para o cultivo da noz-moscada. O resultado dessa troca é simplesmente o coração econômico do mundo atual, a cidade de Nova York.

Aliás, as especiarias também estão por trás de outras questões econômicas decisivas. A piperina – um composto que dá as propriedades da pimenta – acaba se relacionando às bolsas de valores, à medida que os investimentos para ir comprá-la no Oriente eram muito altos e exigiam a participação de muitos investidores no empreendimento, por meio de um sistema de cotas ou ações.

E você sabia que os romanos ricos armazenavam seus vinhos em recipientes de chumbo, material com que também se confeccionavam os encamentos de seus palácios? Cumulativamente, o chumbo produz um envenenamento que interfere diretamente com o sistema nervoso o que talvez ajude a explicar as excentricidades e instabilidades de imperadores como Nero e Calígula.

Para finalizar, o estanho – material com que se confeccionavam os botões dos uniformes das tropas napoleônicas – se esfarela a temperaturas muito baixas. Esse fenômeno químico certamente contribuiu para a derrota do imperador francês na campanha da Rússia, em pleno e glacial inverno. Afinal, seus soldados não dispunham de mãos suficientes para segurar as armas e, ao mesmo tempo, impedir que seus uniformes se abrissem, expondo seus corpos ao congelamento.

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