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    Resenha do filme: Batismo de sangue

     

    batismodesangue

    Baseado em um dos três livros em que Frei Betto descreve suas experiências na prisão, “Batismo de Sangue” é impactante e expõe de forma crua o que foi a Ditadura Civil-Militar brasileira.

    Até então, já ouvira falar muito à respeito do filme. De Frei Betto só tenho experiência com suas crônicas semanais no jornal carioca “O Globo”. Livro, só havia lido o “Conversas sobre a fé e a ciência” em que ele participa, que aliás é ótimo. Atenho-me então, a resenhar o filme sem compromisso de criar analogias com o livro homônimo.

    A película retrata a vida de cinco frades dominicanos e o desenrolar de seus dias, cheios de perseguições, torturas e sofrimentos. Resistentes à ditadura militar e movidos por ideais cristãos, os frades Tito, Betto, Oswaldo, Fernando e Ivo passam a apoiar logística e politicamente o grupo guerrilheiro Ação Libertadora Nacional, comandado à época por Carlos Marighella.

    É realmente triste e avassaladora a história recente de nosso país. E o filme sabe retratar isso perfeitamente. Sem usar achismos e saudosismos, acerta no tom para tratar do assunto. Não há delicadeza além das cenas campestres e ares bucólicos. Também não há drama. Há dor, selvageria, estupidez. Hannah Arendt chamaria toda a barbárie que aconteceu em nosso país de “a banalidade do mal” como o fez com o holocausto.

    Óbvio que são momentos diferentes, contextos divergentes. Entretanto, o que se vê é exatamente isso. A “Banalidade do Mal”. Tirar toda a essência de um ser humano, todo o individualismo e designá-lo com um nome é demasiadamente perigoso. A historiografia prova isso.

    Por que tanta maldade? Tanta indiferença? Ninguém merece viver o que esses cinco e tantos outros viveram. Não importa se alguém pensa diferente. Isso não é motivo. O mais estapafúrdio é que, apesar de vasta literatura e abundante presença do tema na sétima arte, tem gente que defende a ditadura. É simplesmente assustador.

    O legal do filme é que ele soube passar todas essas sensações para o público. O mais doloroso é que é real. Um passado tristíssimo, mas verossímil. As cenas de tortura são fortíssimas. Dificilmente me choco em filmes. Todavia, o filme é chocante. A fotografia é ótima. A impressão é que se está nos anos retratados pela obra. Tudo isso agrega na intenção da mensagem passada.

    Os diálogos são bacanas e apesar de eu não ter achado o filme ótimo comparado com outros sobre o tema, ele é essencial para te dar uma visão mais ampla do assunto. Roteiro, figurinos, cenários são bons e cumprem a função designada.

    A atuação está ótima. Todos se desempenham de maneira apreciável. Porém, destaque para Caio Blat e Daniel de Oliveira. Quão bom são esses dois artistas brasileiros. Caio soube dar semblantes agradáveis quando precisava e soube ser depressivo sem ser melodramático nas partes que isso era exigido. Daniel, além do inesquecível Cazuza no cinema e outras tantas boas interpretações, prova, mais uma vez, a que veio.

    Por fim, é um filme tristíssimo. É também sobre amizade, companheirismo, tragédia. É sobre o mal. É sobre a podridão do ser humano. É sobre a prova que existem pessoas boas. É ambíguo, como foi esse período da história do Brasil. Cheio de ótima literatura, boa música, porém repleto de sordidez. É, também, premente assisti-lo, para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça.

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