- Anúncio -

O que faz uma lenda virar folclore?

O que faz uma lenda virar folclore?

A região norte do Brasil possui várias narrativas folclóricas, o Poronominare é uma delas

Lendas como a da Iara, uma sereia que encanta pescadores com a sua voz e beleza e o Boto Cor-de-rosa, que se transforma num jovem elegante para seduzir as moças durante as festas, tomam conta do imaginário popular e justificam acontecimentos misteriosos.

Histórias como estas existem em todo o país e fazem parte do folclore brasileiro. Mas você sabe o que é folclore? Como surgiu? Quais as características atribuídas para determinar que tal personagem faz parte da cultura popular? Ou a diferença entre Mito e Lenda?

- Anúncio -

Folclore: um saber popular

A palavra folclore surgiu em 1846 numa revista literária semanal publicada em Londres, The Athenaeum. Grafada inicialmente como folk-lore, em que folk significa povo e lore saber, ela expressa literalmente “saber popular”.

No Brasil, o conceito de folclore ficou definido na apresentação da Carta do Folclore Brasileiro que em um de seus trechos diz: “Folclore é o conjunto das criações culturais de uma comunidade, baseado nas suas tradições expressas de modo individual ou coletivo”.

Todos os povos possuem tradições que são passadas de maneira informal de um indivíduo para outro. Essas tradições geralmente incluem músicas, danças, artesanatos, comidas, brincadeiras, histórias, lendas, mitos, etc. e permitem que as pessoas dêem sentido às suas vidas, criando uma identidade social.

Mito x Lenda

Desde os tempos mais remotos a humanidade tem necessidade de contar histórias, “conta para demonstrar seus medos, para explicar suas ansiedades, para dar conta de questões do desconhecido” diz Januária Cristina Alves, jornalista, escritora e pesquisadora da cultura popular brasileira.

Os mitos geralmente descrevem as origens de um grupo de pessoas, o início do universo, eventos naturais ou os rituais de uma cultura específica. São caracterizados por personagens e eventos mágicos que não podem ser comprovados como verdadeiros.

Já a lenda é uma narração escrita ou oral, na qual os fatos  históricos foram modificados pela imaginação popular ou pela imaginação poética. “Muitas dessas histórias aconteceram de verdade, há casos em que foram noticiados nos jornais. Mas de tanto que o relato passou de boca em boca acabou virando lenda” informa Januária.

Folclore Amazônico: as águas geradoras de mitos

A água sempre foi um elemento de destaque para muitos povos. Porém, mais que em qualquer outro lugar ou região brasileira, as águas na Amazônia apresentam uma dinâmica própria, recriam as paisagens e determinam o comportamento da população, principalmente no modo de vida dos povos ribeirinhos.
Considerada pelos povos amazônicos como um forte agente das forças naturais, a água está presente em quase todos os rituais sagrados e nas cerimônias religiosas. Por isso algumas das lendas mais populares na Região Norte têm as águas como cenário principal.

Lendas folclóricas do Norte

Maria Caninana  –  Dizem que a mãe dela era uma índia que engravidou de um Boto e deu à luz a gêmeos. Nasceram duas cobras, um macho e outra fêmea. Sofrendo por ter tido cobras no lugar de crianças, a índia foi perguntar para o pajé se deveria matá-las. Ele disse que se ela as matasse, morreria também. Então a índia decidiu jogá-las no rio. Maria Caninana era uma cobra violenta que afundava embarcações, atacava pescadores e feria peixes pequenos. Já  seu irmão, Cobra – Norato, era bom e salvou muitas vidas. Um dia, cansado das maldades da irmã, ele a matou e ficou nadando sozinho nos rios e igarapés.

Erem – Erem era uma índia muito bonita, filha de Uaiú, um guerreiro que lutava contra os povos que não aceitavam as leis de Jurupari. Um dia, Uaiú tentou agarrar a própria filha e Erem, que não queria ceder aos desejos do pai, fugiu para a mata. Com raiva, Uaiú mandou os guerreiros atrás dela e prometeu a lua para quem trouxesse sua filha com vida. Escondida e com medo, Erem foi vista de longe por um moço que cruzou a margem do rio para encontrá-la. Ele se chamava Cancelri. Erem contou para Cancelri porque fugiu da aldeia e o moço admirando a sua coragem se apaixonou e a pediu em casamento. Erem aceitou, mas disse que eles deveriam fugir dali.

Porém, Cancelri era um guerreiro destemido e queria enfrentar o pai dela para mostrar o quanto era valente. Assim, ele foi ao encontro de Uaiú. Ao se encontrarem, Uaiú pediu para o pajé descobrir onde estava a filha dele e depois de um ritual o pajé descobriu tudo que tinha acontecido com Erem e seu plano de se casar com Cancelri. Uaiú ficou furioso, pois Cancelri era de uma tribo estrangeira e eles nunca poderiam se casar. Ele iria tirar a filha dos braços do inimigo nem que pra isso tivesse que matá-la.

A busca começou e o pajé sabia exatamente onde encontrar Erem. Quando a viu, atirou-lhe uma flecha certeira na cabeça. Cancelri quando viu sua amada ferida, correu para pegar seu corpo. O pajé assim que viu aquilo, atirou outra flecha e Cancelri caiu morto. Então o pajé pegou o corpo de Erem e levou para Uaiú. E assim que ele colocou o corpo de Erem no chão, ela se transformou num pequeno lago.

Dizem que os guerreiros de Cancelri perseguiram e mataram todos os guerreiros de Uaiú. Depois ficaram morando nas terras de Uaiú para sempre.

Poronominare – No Amazonas, especificamente na região do rio Negro, acreditam no aspecto divino de Poronominare. Um índio bem- humorado, danado, malicioso e que fala várias línguas. Ele vive muitas aventuras no qual sempre vence por causa da sua astúcia. Também é conhecido por ser muito vingativo com quem lhe faz mal. Ele tem um fiel companheiro chamado Iure e há várias histórias no qual Poronominare é relacionado a outro personagem, o Macunaima.

- Anúncio -