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Resumo: O livro tenta falar sobre Educação Física ou melhor, tenta explicar o que é a Educação Física, tendo este como tema central do autor, que procura destacar uma definição para esta, não deixando para traz toda sua história a qual justifica seus entendimentos e nos faz compreender de onde parte o pensamento do autor. O que Marinho destaca é que a Educação Física é Educação. E esta deve considerar o indivíduo como o seu próprio arquiteto e construtor de uma sociedade melhor e mais humana.

Palavras-Chave: Educação Física. História. Individuo.

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Summary: The book tries to talk about physical education or rather tries to explain what is physical education, taking this as the central theme of the author, which seeks to

 

Contextualizando a Obra

 

Vítor Marinho de Oliveira nasceu no Rio de Janeiro em 1943, vindo a falecer recentemente: 07 de setembro de 2013. Realizou graduação, mestrado e doutorado em educação física na Universidade Federal do Rio de Janeiro. É reconhecido como um dos principais nomes da educação física no Brasil. Dedicou-se principalmente aos temas: história da educação física, sociologia da educação física, educação física escolar e formação do profissional em educação física. Escreveu vários trabalhos, como por exemplo, os livros: Consenso e Conflito: Educação Física Brasileira, Educação Física Humanista; Fundamentos Pedagógicos da Educação Física (Organizador). Porém, pode-se dizer que o livro O que é Educação Física? é a sua obra mais reconhecida.

O que é Educação Física? foi publicada pela primeira vez em 1983, em plena fase crítica da educação física brasileira, vindo a contribuir para as discussões que efervesciam. Neste livro o autor procura discutir “os caminhos e os descaminhos” da educação física e busca abrir mais um espaço para discussões sobre a crise de identidade da área. Para tanto, Oliveira realiza um percurso pela história trazendo diversos aspectos desde a pré-história até a contemporaneidade.

Na pré-história o autor destaca a dependência do homem em relação ao movimento. Este precisava de força, velocidade e resistência para sobreviver. Realizava longas caminhadas, principalmente devido ao fato de ser nômade, nas quais lutava, corria, saltava e nadava. A base da economia era a pesca e a caça, e para isso necessitava de determinadas habilidades físicas, assim como para a construção de ferramentas.

Com a sedentarização, o espaço ocioso aumentou, levando ao surgimento da concepção de esporte para atividades até então reconhecidas apenas por questões utilitárias, guerreiras ou ritualísticas. O autor destaca que entre os povos primitivos alguns poucos conseguiram atingir o estágio civilizatório, embora ainda mantivessem muitas características dos primitivos foi suficiente para iniciar um novo período histórico: Antiguidade Oriental. Para Oliveira (p.17) “Não é dessa época a origem de uma Educação Física que pudesse ser denominada de científica, mas já é possível uma análise mais apurada das atividades físicas no berço desse novo mundo, agora civilizado, com seus feitos registrados através da escrita”. Desse período que pode ter surgido uma primeira classificação em relação às finalidades dos exercícios físicos como “de ordem guerreira, terapêutica, esportiva e educacional”, destacando entre elas forte vínculo com a religião.

A Antiguidade Ocidental é tratada por Oliveira como o “início autêntico da história da Educação Física” (p.21) graças à filosofia pedagógica que “determinou os caminhos a serem percorridos pela educação grega” destacando a importância da educação física para a formação integral do indivíduo que era um dos princípios do humanismo onde se considerava o homem somente humano quando completo.

As atividades físicas sempre puderam ser consideradas como características do povo grego em todos os momentos. No primeiro, homérico (1200/800 a. C), destacou-se o surgimento de vários jogos entre ele os Jogos Olímpicos que contavam com provas de corrida de carros, pugilato, luta, combate armado, arremesso de bola de ferro, arco e flecha e arremesso de lança. O momento seguinte é o histórico (800/500 a. C), conhecido pela formação das cidades-estado como Atenas e Esparta. Nesse período os jogos continuaram e foi fortalecida a competitividade dos mesmos. Segundo Oliveira (p. 25) “O modelo ateniense vem servir de paradigma para todo o mundo grego, à exceção óbvia de Esparta”.

O período clássico ou humanista (500/338 a. C) marca o terceiro momento da história grega e o aparecimento dos primeiros grandes filósofos ocidentais como Aristóteles e Platão. No entanto, o declínio grego marcou todos os setores da cultura, inclusive nas práticas das atividades físicas que, consequentemente foram perdendo os ideais humanistas. “Os atletas começaram a especializar-se prematuramente, contrariando os objetivos educativos, estéticos e de saúde que foram tão tenazmente perseguidos durante séculos” (p.28).

Os romanos, herdeiros da cultura grega e etrusca, tiveram suas atividades marcadas pelo utilitarismo e pela coletividade. Havia amplos espaços para a prática de exercícios físicos coletivos. De modo geral, praticavam equitação, corridas de velocidade e resistência, natação, pugilato, luta, arco e flecha e esgrima, entre outros.

A Idade Antiga chegou ao fim com a divisão do Império Romano tendo início, portanto a Idade Média (395 a. C). A Idade Média é compreendida historicamente através da divisão em Alta Idade Média (até século X) e Baixa Idade Média (século XI – XV).  Ambos os períodos são reconhecidos como “idade das trevas”, embora na Baixa Idade Média tenham surgido nomes importantes para o Renascimento que questionam o rótulo dessa fase. A educação física de modo geral foi esquecida devido ao forte sentimento de culpa, promovido pela igreja, a tudo que fosse relacionado ao corpo.

Com a decadência do feudalismo (XIV), sistema político-econômico-social da Idade Média, surge então o Renascimento que “Representou uma nova concepção do mundo e do homem, havendo um redescobrimento da individualidade, do espírito crítico e da liberdade do ser humano” (p.26). Houve, então, o resgate da importância do corpo e a educação física passa a ser assunto dos intelectuais: Da Vinci, Montaigne, Bacon, Rousseau, Locke etc. “Todos foram precursores de uma nova tendência e avalizaram a inclusão da ginástica, jogos e esportes nas escolas” (p. 27).

A Idade Moderna (1453 – 1789) continuou o caminho trilhado no Renascimento, e é onde “podemos encontrar os reais precursores de uma Educação Física que iria se firmar no horizonte pedagógico do século seguinte” p.39. A ginástica ganhou peso no currículo escolar, principalmente a partir da Alemanha, sob influência de Rousseau e também Pestalozzi que orientava a ginástica a partir de parâmetros médicos.

Com o advento das Revoluções, Industrial e Francesa configurou-se um novo quadro para o homem contemporâneo, Idade Contemporânea (desde 1789) “Vários fatores foram determinantes para o verdadeiro renascimento físico que ocorreu na Idade Contemporânea, principalmente no campo ginástico” p. 40. Estes fatores para Oliveira estão relacionados ao “crescimento das cidades e a consequente diminuição dos espaços livres limitavam as possibilidades de cenários apropriados aos exercícios físicos” p. 40. Dessa forma, a maior dedicação à educação física esteve relacionada à necessidade de resolver os problemas de saúde dos trabalhadores que eram submetidos a longas jornadas de trabalho.

Várias correntes surgiram a partir da atenção dadas a necessidade da educação física. A corrente alemã foi uma destas que, embora inicialmente seguissem as ideias de Rousseau que em muito lembrava os princípios gregos, logo defendeu a ginástica como a própria educação do povo, e não um meio de educação. A corrente nórdica seguiu muitos elementos da pedagogia alemã. Na Dinamarca em 1804 foi criado um instituto militar de ginástica que segundo o autor, é o mais antigo estabelecimento especializado do mundo. Consequencia disso foi a obrigatoriedade da ginástica nas escolas. Porém, foi na Suécia, corrente Sueca, que a ginástica teve reconhecimento internacional. “A ginástica sueca preocupava-se com a execução correta dos exercícios, emprestando-lhes um espírito corretivo, como Pestalozzi já havia feito” p.42. Com a corrente francesa chegaram os primeiros estímulos que vieram constituir os alicerces da educação física do Brasil. Esta era introduzida através do exército e tinha como principal objetivo o desenvolvimento da força muscular. Segundo Oliveira a corrente inglesa é a única das correntes desse período baseada nos jogos e nos esportes e com orientação para a não-ginástica. “Concebida para envolver a prática esportiva numa atmosfera pedagógico-social, a Escola Inglesa incorporou, no âmbito escolar, o esporte com uma conotação verdadeiramente educativa, haja vista a importância que era dada ao fair-play” (p. 43). A inspiração nos ingleses fez com que o barão de Coubertin, já no século XX, coloca-se o esporte como elemento da educação física e restaurasse os Jogos Olímpicos.

No decorrer do século surgiram novos registros de avanços no campo específico da ginástica. Na década de vinte, através, novamente de uma tendência alemã, mais artística, que recebeu contribuições do teatro, dança e música, surgiu a ginástica rítmica. De ordem pedagógica, nasceu uma tendência na Áustria, na Suécia e na França que estimulava exercícios naturais. “Originário da observação da vida do homem primitivo, também era contrário a qualquer artificialismo e às tradicionais vozes de comando, tão em moda nas aulas de Educação Física” (p. 46). A terceira tendência sob forte influência médica buscou a partir da fisiologia e biomecânica conferir a educação física um rótulo científico.

A partir dos anos trinta os ingleses foram reconhecidos através da inclusão dos esportes nos currículos escolares por todo o mundo. Os Jogos Olímpicos acabaram por difundir o esporte de competição, atualmente distanciados dos ideias propostos por Coubertin. Nos anos sessenta surge a maior contribuição francesa para a educação física: os estudos sobre Psicomotricidade.

A educação física no Brasil é dividida pelo autor, inicialmente em 1º tempo, intervalo e 2º tempo. O primeiro tempo representa os anos iniciais da história do país. Nesse período destacam-se as atividades de caça, pesca, arco e flecha, montaria, canoagem e corridas, atividades que faziam parte do dia-a-dia dos indígenas. O autor destaca o remo como talvez a primeira atividade esportiva do país, e a herança da capoeira e do jogo de peteca.

A vinda da Família Real para o Brasil (1808) marca o intervalo, onde surgem os primeiros livros sobre educação física. O ano de 1851 é a data de início da legislação que considera obrigatória a ginástica nas escolas primárias do Rio de Janeiro, porém poucos esforços foram realizados para estimular práticas pedagógicas significativas para os exercícios físicos.

O segundo tempo é o período posterior a Abolição e a Proclamação da República. As expectativas dessa fase eram outras, o que gerou uma preocupação mais sistemática com a educação física. Conforme Oliveira (p.55) “O futebol, importado da Inglaterra em 1894, começa a escalada que o levaria, na década de trinta, a suplantar definitivamente o remo – a primeira paixão esportiva brasileira”. Porém não foi a única prática introduzida no país, as ginásticas de países como Alemanha e Suécia também tiveram lugar, embora na década de trinta tenham perdido espaço para a ginástica francesa.

O autor termina o “passeio” pela história destacando a tentativa dos anos 70 em tornar a educação física mais democrática. A partir disso questiona: “Chegaremos a entender o que é Educação Física? Qual a sua essência?” Com isso realiza uma série de excursões a possíveis respostas seria a educação física: Ginástica? Medicina? Cultura? Jogo? Esporte? Política? Ciência? “Afinal, o que é Educação Física?” Considera a questão ampla para ser respondida sem maiores discussões, porém destaca que “o que não se discute é o seu compromisso em estudar o homem em movimento” (p.86). Enfatiza a necessidade “do diálogo, do debate, do confronto de ideias” (p. 107), e sente-se satisfeito em dar os primeiros passos para essa longa caminhada.

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