O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO E DE APRENDIZAGEM DO BEBÊ

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RESUMO

Este trabalho objetiva compreender como acontece o desenvolvimento dos bebês e como este está relacionado à aprendizagem. A fim de atingir este objetivo realizamos um estudo bibliográfico que teve como aportes teóricos livros, revistas, artigos que discutem o desenvolvimento psicomotor, físico, cognitivo e afetivo do bebê. Pretendemos assim refletir sobre a importância dos primeiros meses de vida do indivíduo para a construção de estruturas mentais que servirão de suporte para todo o desenvolvimento posterior. Concluímos que o desenvolvimento da criança especificamente de zero a doze meses passa por várias transformações no decorrer da vida. São vários processos os mesmos passam desde o nascimento até completar um ano. Em poucos meses após o nascimento o mundo perceptivo da criança atinge níveis de funcionamento que são semelhantes, aos dos adultos. Desta forma o bebê vai passando por vários estágios, a sequência do desenvolvimento que acontece por etapas. Assim cada dia que se inicia na vida do bebê é único, com novas descobertas e novos aprendizados. Concluímos que cada criança tem seu tempo, mas mesmo assim ele necessita do estimulo do outro. Palavras-chave: Desenvolvimento. Aprendizagem. Estimulação. Bebê. ABSTRACT This work aims to understand how the development of babies occurs and how it is related to learning. In order to reach this goal we carried out a bibliographic study that had as theoretical contributions books, magazines, articles that discuss the psychomotor, physical, cognitive and affective development of the baby. We intend to reflect on the importance of the first months of life of the individual for the construction of mental structures that will support all subsequent development. We conclude that the development of the child specifically from zero to twelve months goes through several transformations in the course of life. Several processes are the same from birth to one year. Within a few months after birth the child’s perceptual world reaches levels of functioning that are similar to those of adults. This way the baby goes through several stages, the sequence of development that happens in stages. So every day that starts in the baby’s life is unique, with new discoveries and new learning. 2 Keywords: Development. Learning. Stimulation. Baby. INTRODUÇÃO O presente trabalho está subdividido em quatro partes. No primeiro momento será abordado o histórico do Desenvolvimento Físico e Psicomotor do bebê de zero a doze meses. Para obter os resultados desta pesquisa, neste capitulo foi realizado uma pesquisa a base de leituras, com o objetivo de compreender o cérebro a linguagem e também as etapas do crescimento físico do bebê. Na segunda parte será apresentado o Desenvolvimento da inteligência sensório motora. Neste momento será trabalhado os estágios do desenvolvimento sensório motor em que passa o bebê. Bem como a sua importância posteriormente. Na terceira parte veremos o Desenvolvimento da Personalidade. A importância do outro no desenvolvimento da criança. Veremos no decorrer do mesmo o porquê que a personalidade de cada um é diferente ou seja, individual. Na ultima parte será trabalhado a Estimulação. Ou seja, a importância da estimulação para o desenvolvimento do bebê (físico, emocional e também intelectual. Posteriormente a metodologia será evidenciada apresentando os principais autores escolhidos para fundamentar o trabalho. O processo do desenvolvimento do bebê passa por várias fases. São momentos importantes que ocorre na vida da criança. Entender como isso acontece e porque é de suma importância, para perceber a evolução que ocorre cada dia com bebê. Desta forma, este trabalho objetiva compreender como acontece o desenvolvimento dos bebês e como este está relacionado a aprendizagem. A fim de atingir este objetivo realizamos um estudo bibliográfico que teve como fonte de pesquisa teóricos livros, revistas, artigos que discutem o desenvolvimento psicomotor, físico, cognitivo e afetivo do bebê. Pretendemos assim refletir sobre a importância dos primeiros meses de vida do indivíduo para a construção de estruturas mentais que servirão de suporte para todo o desenvolvimento posterior. De acordo com Soejima (2008), o processo de desenvolvimento infantil não acontece da mesma forma com todas as crianças. Em seu trabalho traz também que todo conhecimento que o bebê é internalizado através dos sentidos. Desde o início, 3 a criança apresenta atividades distintas. A mesma irá refletir nas características inatas e também nas ambientais. É desde o nascimento do neném que o desenvolvimento da personalidade se entrelaça com os relacionamentos sociais. Relações essas que segundo a autora são matrizes constitutivas do desenvolvimento. O estudo do desenvolvimento de um bebê nos permite conhecer o seu mundo suas fases, e seu tempo. Para aprofundarmos no assunto, no decorrer do trabalho trago estudos de vários autores além da Soejima (2008), como Helen Bee (1977), Wadsworth (1992), Palácios e Mora (1995) e D’ Andrea (1996), para que a temática abordada possa trazer maiores conhecimentos sobre o desenvolvimento e a aprendizagem dos bebês. 1 DESENVOLVIMENTO FÍSICO E PSICOMOTOR Abaixo será apresentada uma discussão de como ocorre o desenvolvimento físico e psicomotor, bem com a sua importância do desenvolvimento do bebê de zero a doze meses. Após um estudo acerca de vários autores vamos compreender mais a criança deste período. Segundo Bee (1997) as partes mais desenvolvidas no cérebro de um neném desde o nascimento são o mesencéfalo e a medula, as quais regulam tarefas básicas como atenção, dormir, andar, movimento da cabeça e do corpo. De acordo com a autora desde o nascimento até os 18 meses, criam-se grandes quantidades de sinapses, as quais representam o crescimento da árvore dendrítica. Lembrando que conforme os estudos o desenvolvimento dos dendritos não é continuo e nem regular. Há uma rápida multiplicação de fibras e, com isso, o peso total do cérebro triplica entre o nascimento e 2 anos de vida. Para Palácios; Mora (1995) o cérebro é a base física de todos os processos psíquicos. A parte mais evoluída do cérebro é o córtex. No recém nascido é menos evoluído. As partes que estão afastadas dos núcleos centrais são as últimas a se desenvolverem neste caso as partes frontais mais externas. Aos doze meses ocorre uma maturação importante em áreas do cérebro relacionadas ao desenvolvimento da linguagem, que está relacionada aos avanços que ocorrem na conduta lingüística nesses meses. (PALACIOS; MORA, 1995, p.38) 4 Bee (1977), em seus estudos sobre a linguagem afirma que o bebê, ao nascer, não é capaz de ouvir sons individuais como separados. Já no primeiro mês de vida o bebê é capaz de discriminar entre os sons da fala como “PA, BA”. E, só por volta de 6 meses, ele consegue discriminar entre “palavras” com duas silabas com baba. Segundo a autora, por volta dos 12 meses os bebês já são capazes de, com precisão, discriminar todos os contrastes de sons. Lembrando que desde o nascimento até por volta do primeiro mês de vida o som mais produzido pelo bebê é o choro. Bee (1977) cita uma série de mudanças que vão aparecer em torno dos nove ou 10 meses: como os gestos, que se tornam mais frequentes, do balbucio para sons de linguagens distintas, os jogos gestuais de imitação. Nesta idade, afirma a autora, a criança começa a compreender as palavras dita pelo outro. A primeira fala do bebê é um momento muito esperado pelos pais, é no meio do balbucio que as primeiras mensagens irão surgir. Essa elocução começa a nomear as coisas e até mesmo as pessoas. Já as palavras com verbo são aprendidas mais tarde pelo fato de dar nomes a relações entre os objetos ao invés de um único objeto apenas (BEE, 1997). Catão (s.d, p.42-47) diz que ao nascer o bebê depende inteiramente do outro, pois, segundo o autor, todos nascem sem conhecer, saber das coisas de seu meio, dependendo, literalmente, do outro. O adulto que está com o bebê deve estimular a linguagem, uma vez que é por meio da voz que a linguagem penetra no organismo do bebê. Desta forma, afirma o autor, que a voz humana porta investimento libidinal, portanto, o primeiro vínculo de um bebê com o outro é a voz, que desempenha um papel primordial na organização e no funcionamento psíquico. Os bebês crescem muito rápido nos primeiros meses de vida, acrescentando de 25cm a 29cm em seu cumprimento, o peso do corpo é triplicado no primeiro ano de vida da criança. Mas, segundo Palácios; Mora (1995, p. 30), “o crescimento físico é um processo altamente organizado” que acontece segundo um calendário maturativo. Ainda, afirmam os autores: Após o nascimento o crescimento físico é bastante rápido nos dois ou três primeiros anos. As crianças aumentam sua estrutura no primeiro ano o dobro em relação ao segundo ano e as diferenças entre o primeiro ano e o segundo são ainda mais evidentes no que se refere ao peso, pois durante o primeiro ano as crianças costumam triplicar seu peso de nascimento. No 5 terceiro ano os aumentos são menores. O crescimento não cessa, mas se desacelera com a idade. (PALACIOS; MORA, 1995. p. 38) De acordo com Palácios; Mora (1995), o processo de crescimento tem uma evolução prescrita pelos genes e está preestabelecido na herança que a criança recebe dos seus pais. O crescimento intra-uterino tem uma lógica endógena ou interna, pois, segundo eles, ocorre seguindo uma sequência semelhante em todos os seres humanos. O crescimento intra-uterino ocorre em duas etapas, primeiro a etapa embrionária que acontece desde a segunda até a oitava semana após a fecundação, na qual irão ocorrer os processos de morfogênese (diferenciação das diferentes partes do corpo: cabeça, braços, entre outras…). A outra é etapa é a fetal que vai até o nascimento. O crescimento acontece em uma velocidade considerável, o feto deixa de crescer quando ocupa todo espaço disponível (Palácios; Mora, 1995). Palácios; Mora (1995) destaca que as crianças nascem com vários reflexos: Reflexo de sucção: o mesmo ocorre quando um objeto entra em contato com os lábios do bebê, um exemplo é quando a boca do bebê tem contato com o bico do seio da mãe. Reflexo de enraizamento: quando estimula a bochecha do bebê. Como por exemplo quando os lábios do bebê tem contato com o seio da mãe ou com o bico da mamadeira. Reflexo palmar: quando o bebê tem acesso a um objeto em sua mão, logo ele tenta agarrá-lo, segura-lo, usando toda sua força Reflexo de Moro: a mudança da estimulação como, por exemplo, um copo ao cair, o barulho que a criança ouve é manifestado uma reação semelhante ao susto. Reflexo de marcha: quando pegamos o bebê e colocamo-lo em contato com uma superfície parece que está andando. Esses reflexos estão presentes em todos os bebês desde o seu nascimento, mas, a maioria vai desaparecer no decorrer dos primeiros quatro meses de vida. Palácios; Mora (1995) aponta que o desenvolvimento segue duas leis: a céfalo-caudal e a próximo-distal. Na lei céfalo-caudal do desenvolvimento, as partes do corpo que estão mais próximas da cabeça são controladas antes das que estão 6 mais distantes, por exemplo, primeiro o domínio do tronco e, por último, das pernas, o que leva o bebê a sentar, engatinhar e só então andar. Na lei próxima distal as partes mais próximas do eixo corporal são controladas antes, na sequência ombros, antebraços braços e mãos. O s autores ainda afirmam que: Com o desenvolvimento a criança vai integrando e controlando voluntariamente um maior número de grupos musculares, com o que vai se tornando progressivamente mais preciso, permitindo incorporar repertórios psicomotores muitos especializados e complexos, que abrem novas perspectivas à percepção (por exemplo, mediante a coordenação olho-mão) e à ação sobre o meio mediante pequenos gestos que têm, não obstante, uma importância capital. (PALACIOS; MORA, 1995, p.40). De acordo com Bee (1977), ao nascer o bebê não consegue manter sua cabeça ereta, pegar os objetos que estão a sua volta. Isso pode mudar nas primeiras semanas. […] Nossa genética é individual e especifica da espécie. Além de sermos programados para várias sequências básicas de desenvolvimento físico cada um de nós recebemos instruções para tendências singulares de crescimento. Tamanho e formato do corpo parecem bastante influenciados por essa herança específica. (BEE, 1977, p. 131). Os progressos maturativo e os estímulos recebidos pelos outros permitem que a criança crie um controle postural Neste processo, Palácios; Mora (1995) define marcos importantes: Controle da cabeça: a sustentação da cabeça acontece em torno dos três – quatro meses. Nesse momento a criança levantar um pouco e girar a própria cabeça. Coordenação olho-mão: a coordenação – visual vai esta mais estabelecida em torno dos três – quatro meses também. Posição sentada até os cinco meses fica sentada com apoio, e até os sete meses ficam sentados, mas com ajuda. Locomoção antes de andar: em torno do oitavo mês o bebê começa a engatinhar. Ele se locomove antes de começar a andar. 7 Manter-se em pé e caminhar: ocorre em torno dos nove – dez meses provavelmente precisa segurar em algo para ficar em pé. Em torno dos doze aos quatorze meses é capaz de dar saltos, andar sem apoio. Vale ressaltar que, segundo os autores, esse calendário pode variar de uma criança para outra, visto que algumas crianças são precoces e outras mais lentas. Tudo que está relacionado ao desenvolvimento físico e psicomotor acontece pelo estímulo da maturação biológica inerente ao processo de crescimento. Portanto, sem a maturação não tem progresso. Mas além da maturação a criança necessita de situações que há estimula sua aprendizagem de habilidades e práticas. Necessita de afeto e de apoio quando fracassa, para resolver seus problemas (Palácios; Mora, 1995). O ambiente em que criança vive também, segundo os autores em tela, influencia, de certa forma, no desenvolvimento da criança. Pois, se o lugar onde ela está a estimula a desenvolver os seus sentidos certamente essa criança irá desenvolver mais. Diferente de uma criança que vive em um ambiente onde não há estimulo por parte daqueles que estão ao seu redor. O seu desenvolvimento logo demorará mais para ter avanços. O estimulo é fundamental. 2 DESENVOLVIMENTO DA INTELIGÊNCIA SENSÓRIO MOTORA Segundo o Luque; Palácios (1995) na teoria piagetiana, a inteligência é definida por dois aspectos interdependentes sendo eles: organização e adaptação. “Organização e adaptação são dimensões de ordem empírica, senão teórica, ou seja, não nos servem para descrever comportamento inteligente específico, senão para explicá-los”. (Luque; Palácios, 1995, p. 57). Para Piaget, conforme afirmam os autores, o comportamento inteligente é caracterizado por uma capacidade de atingir metas semelhantes. A assimilação permite reconhecer objetos com esquemas que já existem. A acomodação só é possível por causa da assimilação. O processo de mudança ocasionado pelo desenvolvimento intelectual faz com que cada vez mais as estruturas mentais deixem de ser simples tornando-se assim mais complexa. 8 O desenvolvimento intelectual é caracterizado por estágios, os quais Piaget chama de “equilibração maximizadora”, segundo Luque; Palácios (1995): […] Os estágios cumprem os seguintes cinco critérios: 1 a ordem sequencial de aquisição deve ser constante, embora não necessariamente o ritmo cronológico […]; 2 as atividades intelectuais que definem o estágio compartilham uma estrutura de conjunto, ou seja, são do mesmo nível, embora possam ocorrer defasagens […]; 3 os estágios são hierarquicamente inclusivos, ou seja, as estruturas de um estágio integramse às estruturas do seguinte […]; 4 a transição entre estágios é gradual e não abrupta, de modo em cada estágio é possível identificar um nível de preparação e um nível de complementação (fase de equilibração e fase de equilíbrio); entre o nível de preparação e de complementação ocorre a elaboração da estrutura de conjunto característica de cada estágio; por isso, o nível de preparação caracteriza-se pelo equilíbrio e pelas operações de acomodação que tentem à requilibração, e o nível de complementação pelo equilíbrio das estruturas de conjunto. (LUQUE; PALÁCIOS, 1995, p. 58). A equilibração, segundo os autores, vai de um estado de equilibro transitório para outro diferente. Passa por vários desequilíbrios e reequilibrações. Já o desenvolvimento intelectual, é caracterizado por fases de equilíbrio transitório entre níveis de equilíbrio inferior e superior. Luque; Palácios (1995) caracterizam os estágios de desenvolvimento da inteligência definidos por Piaget da seguinte maneira: Estágio sensório motor que vai do 0 aos 2 anos de idade, nesse período o que é mais destacado é o estabelecimento da conduta intencional. Estágio pré – operatório vai dos 2 ao 7 anos de vida, e é caracterizado pelo desenvolvimento progressivo dos processos de simbolização. Estágios das operações concretas que vai dos 7 aos 11 anos, o mesmo é caracterizado pela superação do egocentrismo. E, por último, o estágio das operações formais, que ocorre na adolescência, caracterizado pelo aparecimento da lógica formal. De acordo com Luque; Palácios (1995), Piaget apresenta que no estágio sensório motor o bebê relaciona o mundo por meio dos sentidos e das ações evai evoluindo a cada momento, conforme suas ações. No estágio sensório-motor ocorre uma sequência de seis subestágios, que são assim apresentados por Luque; Palácios (1995) e por Wadsworth (1996). 3.1 Subestágio 1 (0- 1 meses) O exercício dos reflexos inatos 9 A conduta reflexa acontece logo quando ocorre uma estimulação. Alguns relacionados a estados internos do organismo, e outros a mudanças do meio físico. É desde o primeiro dia de vida que os reflexos começam a evoluir-se. No primeiro subestágio, no qual acontece o desenvolvimento da inteligência do bebê a assimilação é fundamental. Wadsworth (1996) define o primeiro mês do bebê como sendo Atividade Reflexa. São os reflexos que os bebês já nascem com sugar, agarrar, chorar movimentar os braços, tronco e cabeça. O bebê necessita de estímulos por parte do outro para seus reflexos responderem. A busca é um comportamento reflexo por parte do recém-nascido. Ao nascer ele não tem noção alguma dos objetos ao não ser em nível de reflexo. Qualquer objeto para o bebê é para chupar, agarrar e olhar. 3.2. Subestágio 2 (1-4 meses): As primeiras adaptações adquiridas e a reação circular primária O que caracteriza esse subestágio são os hábitos adquiridos anteriormente. Luque; Palácios (1995) trazem como exemplos desses hábitos: olhar, agarrar, virar a cabeça, entre outros. Neste momento, de acordo com os autores vão surgindo as coordenações motoras. O repertorio do bebê é formado por esquemas de acordo com seu próprio corpo. Segundo Wadsworth (1996) esse período se inicia quando o comportamento anterior começa a se modificar. Essa fase é composto por vários outros comportamentos. O autor explica que chupar o dedo é um comportamento que faz parte dessa época.pois para fazer a movimentação mão-boca o bebê precisa de habilidades as quais não tinham no primeiro período. Wadsworth (1996, p.43) diz que “o movimento dos objetos começam a ser seguido pelos olhos (coordenação da visão); e a cabeça movimenta-se em direção aos sons (coordenação da visão-audição)”. É nesse período queo bebê vai desenvolver a coordenação dos olhos, da visão e da audição e, também, manifestar uma consciência de objetos, afirma o autor. 3.3 Subestágio 3 ( 4 – 8 meses): A reação circular secundária 10 Assimilação com objetos é o que caracteriza esse subestágio. No qual a criança tem contato com objetos, de maneira que e ela possa explorá-lo. Segundo Wadsworth (1996) nessa fase o comportamento do bebê orienta-se para outros objetos, alem do seu próprio corpo. É capaz de observar os objetos passando em movimento. Segundo autor, isso indica o desenvolvimento da noção da permanência do objeto na criança. Ainda nessa etapa a criança permanece egocêntrica. A criança se vê como a causa de todos os eventos, tudo é centrado nela. Segundo Wadsworth (1996), entre 8 e 10 meses o bebê começa a procura por objetos que desaparecem, isso mostra, segundo o autor, que ele é capaz de perceber que os objetos existem mesmo quando ele não está vendo. 3.4 Subestágio 4 (8-12 meses): Coordenação de esquemas secundários aplicados a relações meios-fins Segundo Luque; Palácios (1995): Três êxitos muito significativos, bastante inter-relacionados, demarcam a passagem ao subestágio quatro: acentua-se a atenção ao que ocorre no meio, aparece claramente a intencionalidade (critério para reconhecer a inteligência propriamente dita, segundo Piaget), e aparecem as primeiras coordenações do tipo instrumental meios-fins (um esquema media o êxito de uma meta associada a outro esquema). Se durante o subestágio três as reações circulares secundárias orientam-se direcionalmente a uma meta imediata, a partir do subestágio quatro coordenam-se em função de uma meta não imediata. (LUQUE; PALÁCIOS, 1995, p. 64). De acordo com Wadsworth (1996),o bebê faz uso de meios para alcançar fins. Diferencia forma e tamanho de objetos. Mas, o autor ressalta que esse conceito de forma e tamanho, não se estabiliza na mente da criança antes do quarto período 3. 5 Subestágio 5 (12-18 meses): Reações circulares terciárias Aqui o esquema sensório-motor é integrado por elementos de acordo com as repetições, na medida em que as ações são modificadas. Segundo Wadsworth (1996) neste momento a criança alcança um nível mais alto de operação, é capaz de formar esquemas para resolver os problemas. Mas vale lembrar que o conceito de 11 objeto ainda não está totalmente desenvolvido, mas entre 8 e 10 meses o bebê começa a procura por objetos que desaparecem, isso mostra, segundo o autor, que ele é capar de perceber que os objetos existem mesmo quando ele não está vendo. 3.6 Subestágio 6 (18-24 meses) Invenção de novas combinações de esquemas a partir de suas representações. A criança elabora seus conhecimentos a partir dos objetos que ela tem contato. Explora sua inteligência a partir seu meio. De acordo com Wadsworth (1996), a criança passa do nível a inteligência sensório-motora para a inteligência representacional. Nessa etapa a criança já é capaz de resolver problemas por meio da representação. Consegue encontrar objetos escondidos por deslocamento invisíveis. A representação de possibilidades permite descobrir aquilo que ela não vê. Compreende que o objeto existe mesmo quando ela não está visível. No fim do período sensório-motor a criança apresenta como característica um maior desenvolvimento de sentimentos afetivos, mas o mesmo ocorre durante todo o período sensório-motor. Os sentimentos são fatores de escolha por parte da criança, do que fazer e do que não fazer. Neste período a criança pode investir seu afeto em outras pessoas. O afeto desempenha um papel na seleção e na rejeição das ações. E que nesse período o gostar e não gostar de uma pessoa começa a ser estabelecido e assim as relações interpessoais começa a se formar. 3 DESENVOLVIMENTO DA PERSONALIDADE De acordo com D’ Andrea (1996) a personalidade é temporal, não existem duas personalidades idênticas. Para analisar a personalidade de alguém tem-se que primeiramente fazer uma análise dos dados biopsicológicos herdados e das condições ambientais, sociais e culturais. Segundo o autor, a personalidade é considerada uma unidade individual que vai se desenvolver em um meio, podendo ser definida como “Personalidade é a resultante psicofísica da interação de hereditariedade com o meio, manifesta através 12 do comportamento cujas características são peculiares a cada pessoa”. (D’ Andrea, 1996, p.10). Independente da fase de evolução em que o indivíduo se encontra, a personalidade apoia-se na estrutura física do mesmo, chamada de constituição. D´andrea (1996) destaca que há um conjunto de características individuais e hereditárias que podem ou não se desenvolver nas interações com o meio, esse conjunto é denominado de genótipo (característica humanizada). Destaca ainda que existem características individuais que são adquiridas de acordo com a influência do meio que o sujeito está inserido, esse conjunto é chamado de parátipo. De acordo com D’ Andrea (1996), pode-se relacionar esses conceitos (genótipo, fenótipo e parátipo) ao plano psicológico. Temperamento, que é a tendência do indivíduo para reagir ao meio, com genótipo. Caráter, que é o conjunto de formas comportamentais que são elaboradas com influência sociais e culturais, com parátipo. Já a personalidade, integração dos aspectos físicos temperamentais e cronológico, tem relação com fenótipo. Freud, apud D´Andrea (1996), escreveu dois tópicos sobre o funcionamento do aparelho psíquico, a primeira, chamada de topográfica, o qual o mesmo era constituído pelo consciente, pré-consciente e inconsciente e a segunda chamada de estrutural, na qual o aparelho psíquico era formado pelo Id, Ego e Superego. Para Freud, apud D´Andrea, 1996, p.17, “consciente corresponde tudo aquilo de que o indivíduo está ciente em determinado instante”, é uma parte pequena inconstante da vida mental de uma pessoa. É o aqui e agora o que está em nossa cabeça. Tudo o que ocupa atenção do indivíduo naquele determinado momento. O Pré ou subconsciente é o que está guardado em nossa cabeça. Quando alguém fala a gente automaticamente lembra, pois está internalizado. Corresponde a lembranças posteriores. E, por último, o inconsciente, que está apenas em nossos sonhos, apenas dentro atos falhos. O inconsciente não é acessível, pode ser explorado apenas por meio de análise de dados, ou seja, interpretação dos sonhos. São experiências da pessoa que alguma vez já foram conscientes ou percebidas. Na segunda tópica, de acordo com D´andrea (1996), o Id é a parte original do aparelho que posteriormente irá desenvolver as outras duas. O mesmo já nasce com o indivíduo. É o princípio do prazer evitando a dor. A criança procura satisfazer seus 13 impulsos básicos naturalmente. Deseja gratificação imediata, não tolera frustrações. Ao crescer a criança terá que se adaptar as condições que são impostas por regras sociais. Já o Ego significa que a criança precisa suportar o sofrimento para só assim depois alcançar o prazer. É o princípio da realidade. Vale lembra que ambos os princípios visam a satisfação evitando as dores. O ego tem uma função de autopreservação. É possível perceber os estímulos a partir das lembranças de experiências passadas. As funções do ego são: perceber, lembrar, pensar, planejar e decidir. (D’ Andrea 1996). E, por último, o superego é o princípio das normas, regras e leis de uma cultura. Conforme a criança vai se desenvolvendo ela percebe as normas e as regras existentes em seu meio. As três partes da estrutura psíquica são interdependentes. Uma está ligada ao outra. (D’ Andrea 1996). De acordo com D’Andrea (1996, p.26-27) Freud concebeu o desenvolvimento da personalidade a partir do conceito de libido, segundo ele, a “libido é um conceito biológico que significa que a energia está à disposição dos impulsos de vida ou sexual”. Segundo D’Andrea (1996), Freud traz que o desenvolvimento da personalidade ocorre em 5 fases, no qual são elas: oral, anal, fálica, latência, e genital. Cada fase é considerada única com novos aprendizados e novos desenvolvimentos, nas quais o individuo terá que resolver alguns problemas específicos de acordo com seu crescimento físico e do seu meio. Freud destaca ainda, conforme D´Andrea (1996), que a solução de problemas que depende do tipo de sociedade e da cultura resulta na passagem de uma fase para outra. Fase oral é no primeiro ano de vida da criança. Este é o período do desenvolvimento da personalidade. Nessa fase a libido está concentrada na porção superior do trato digestivo. A energia está à disposição do impulso de auto preservação. Com a necessidade de alimentar-se. D’ Andrea (1996) relata sobre a fase oral: É o período de aproximadamente um ano que segue ao nascimento. Esse desenvolvimento da personalidade é assim chamado porque a maior parte das necessidades e interesse da criança está concentrado na porção superior do trato digestivo. Quer dizer seus impulsos são satisfeitos 14 principalmente na área da boca, esôfago e estômago, ou melhor, a libido está intimamente associada ao processo de alimentação. (D’ ANDREA, 1996, P. 35). De acordo com o autor, desde os minutos de vida de um bebê o comportamento materno vai exercer influências na formação da personalidade da criança. Desta forma, o cuidado materno nos primeiros meses de vida é considerado de suma importância. Pois nesse período a mãe é a única fonte de satisfação para a criança. Segundo D´Andrea (1936, p.36), “o seio que cumpre sua finalidade de maneira satisfatória torna-se um “objeto bom”. O seio que não satisfaz será um “objeto mau”. Assim a criança começa a se defender, recusar a sugar. Ela vira sua cabeça chegando ao ponto de até mesmo vomitar. D’Andrea relata que: […] a necessidade de satisfação oral pode vir independente da necessidade do alimento. Mesmo sem fome, a criança succiona a língua, os dedos da mão ou do pé e tende a levar a boca qualquer objeto que pode alcançar. Embora ligada aos impulsos de autopreservação a energia libidinosa é, em parte, usada na obtenção de satisfação erótica, ou seja, no alivio das tensões do organismo que não pode ser obtido pela simples ingestão de alimentos. Deste modo, uma criança inquieta, por qualquer razão que não a fome acama-se com a chupeta. Afora isso, a criança tem outras necessidades além das orais, como ver, tocar e ouvir a mãe. (D’ ANDREA, 1936, p.36-37). De acordo com o autor, no início do período o bebê não consegue diferenciar o mundo externo de si mesmo. O seio materno é a parte mais integrante do bebê. Nesse período a libido está voltada para o próprio indivíduo. “Nos três primeiros meses, a relação com o objeto não é total, a criança relaciona-se com partes da mãe que se confundem com si mesma”. (D’ Andrea, 1936, p.41). Em torno dos seis meses o bebê tem uma percepção da mãe como uma pessoa total. “Então as, relações da criança com a mãe são em termos mais realistas e começa o aprendizado do controle dos impulsos frente às demandas do meio” (D’ Andrea, 1936, p.41). Quando a mãe oferece uma quantidade suficiente de afeto e calor, colocando medidas justas nas restrições às demandas da criança esta ultrapassará co segurança o período oral, fortalecendo o ego e aumentando a sua auto-estima. Estará, assim, preparada para enfrentar as novas dificuldades da fase seguinte do desenvolvimento. Entretanto, quando isso não ocorre, pode haver fixações que impedirão um desenvolvimento normal nas outras fases levando para a vida adulta padrões orais de comportamento. (D’ ANDREA, 1936, p.41-42). 15 Na fase oral há duas formas principais de atividade: succionar e morder. A primeira está relacionada à incorporação do objeto, ou seja, o seio. Já a segunda é quando o bebê possui um maior desenvolvimento da musculatura perioral e começa a morder os objetos. “Nesta fase, costuma-se dividir o caráter oral receptivo ou incorporativo e o caráter oral agressivo”. (D’Andrea, 1936, p.44). O caráter oral receptivo é quando a criança não sofreu privações no período da sucção. Agora caso o bebê teve algumas frustrações ele pode tornar-se uma criança pessimista. Já o segundo tipo oral agressivo, tem uma tendência em odiar, destruir ter ciúmes de uma atenção que o outro recebe. D’ Andrea (1936, p.46), diz que “a tendência a procurar satisfação ou alivio de tenção por meios orais é comum a todas as pessoas, seja qual for a fase de desenvolvimento”. 4 ESTIMULAÇÃO Rabuske; Cols (2005) apud Soejima (2008) afirmam que, para as mães o desenvolvimento infantil é um período que a atenção, carinho e a presença da mãe junto com a criança são fundamentais. A saúde do bebê neste momento está relacionada ao cuidado materno: a amamentação, o temperamento do bebê, inteligência e o estímulo que é oferecido para à mesma.Tudo isso associa-se com o desenvolvimento físico e motor do bebê. O desenvolvimento da criança é influenciado pelas condições materiais, O estimulo que ela recebe vai influenciar no desenvolvimento físico e motor. O estímulo acontece todos os dias com as atividades físicas e motoras. Em seu trabalho Soejima (2008), aponta que segundo as pesquisas de Andraca; Pino; La Parra (1998), a amamentação, o temperamento da criança e o estimulo que a mesma recebe, está associado ao desenvolvimento físico e psicomotor do bebê. A autora nos traz ainda que o desenvolvimento físico e psicomotor depende também de fatores contextuais. Todo conhecimento que a mesma tem vai ser internalizado por meio dos sentidos. 16 Correa (2004); Eimas, (1999) apud SOEJIMA (2008) apontam que os bebês antes de dizerem suas primeiras palavras comunicam-se através da fala prélingüística, são elas o choro e balbucio. De acordo com Tristão; Feitosa (2003), os bebês desenvolvem a linguagem na capacidade de reconhecer e compreender os sons da fala. Reconhecer as diferenças entre os sons e a fala é fundamental para o desenvolvimento da linguagem. “Esta capacidade está presente antes do nascimento, mas é durante o primeiro ano de vida que ela torna-se mais refinada”. (Borges; Salomão, 2003). Primeiramente as crianças se familiarizam com os sons das palavras e com as locuções e depois vão dando significado a essas palavras. (Borges e Salomão, (2003), Eimas (1999), Tristão e Feitosa, (2003), Véras e Salomão, (2005). Quanto mais cedo as crianças foram estimuladas, arrisca a falar o quanto antes. Desde o nascimento o desenvolvimento da personalidade se entrelaça com os relacionamentos sociais. Todo esse desenvolvimento no decorrer do tempo vai influenciar a criança no espaço educacional. “O desafio é, portanto, o de proporcionar um ambiente estimulante à criança”. (Soejima, 2008, p.32) A autora nos traz ainda que os materiais que serão manuseados pelas crianças devem estar de acordo com seu nível de desenvolvimento. Estimular o bebê é de suma importância para o seu desenvolvimento. Isso para todos os tipos de estimulação, o desenvolvimento físico, intelectual e emocional. Dessa maneira percebemos a importância da estimulação, para o desenvolvimento do bebê. CONCLUSÃO Conclui-se que o processo de desenvolvimento e de aprendizagem do Bebê, passa por vão varias etapas de desenvolvimento. Cada uma é única. Assim cada criança tem o seu tempo. Cada período representa um comportamento diferente da criança. Todos são únicos nenhuma fase vai substituir a outra, apenas supera aquele que a criança já fazia. Os aspectos cognitivos do desenvolvimento vão evoluindo na forma em que a criança vai agindo sobre o meio. As ações são espontâneas. Ao completar o 17 desenvolvimento sensório-motor espera-se que a criança tenha alcançado um desenvolvimento conceitual necessário ao desenvolvimento da linguagem falada. Daqui para frente o desenvolvimento intelectual da criança vai ser mais na área simbólica do que da sensório-motora. Lembrando que isso não é o fim do desenvolvimento sensório-motor. O desenvolvimento intelectual apenas passa a ser representado pelas atividades simbólicas. No decorrer da pesquisa foi apresentado cada etapa de desenvolvimento e de aprendizagem que o bebê passa. Lembrando que aqui trabalhamos o bebê de zero até os doze meses. Durante todo o trabalho o objetivo foi de sempre deixar claro para o leitor as fases que a criança irá passar, desde os primeiros balbucios até chegar à sua primeira palavra. Cada fase será diferente uma da outra. A influência do meio é suma importância para o processo em que está criança irá passar. É desde ao nascer que começa esse processo de aprendizado. Com isso chagará um certo momento em que aquele bebê trabalhado será capaz de resolver situações, conflitos que o próprio causou. A criança demonstra vários comportamentos diferentes, fazendo assim capaz de definirmos o período em que o mesmo está. 18 REFERÊNCIAS BEE, H. A criança em desenvolvimento. 6. ed. São Paulo: Harper e Row do Brasil Ltda, 1977. BORGES, L. C. SALOMÃO, N. M. R. Aquisição da Linguagem da Perspectiva da Interação Social. 2003, Vol 16. CATÃO, Ines. Adoção pela palavra. In: Mente e cérebro, s.d, p.42-47. D´ANDREA, F. F. Desenvolvimento da personalidade. 12ª ed., Rio de Janeiro: Bertrand do Brasil, 1996. 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