Em 2005 ficou decidido. Seria no dia 16 de junho que o mundo, ou pelo menos os surfistas, iriam celebrar a existência do esporte. Por trás da decisão estava a falecida Surfing, uma das principais publicações do esporte que não está mais entre nós, e a Surfrider Foundation, primeira e talvez única não governamental (ONG) de peso do surf.

Datas comemorativas podem ser facilmente acusadas pelos mais radicais de uma manobra precária e velha conhecida do sistema capitalista. Como o Dia dos Namorados, por exemplo.

Semana passada saímos para jantar na tentativa de comemorar como namorados, apesar de já estarmos casados há dois anos. Ao final do jantar, lembro de termos mencionados algo do tipo: pra que serve essa data, senão movimentar o comércio, os bares e restaurantes?

Voltamos para casa de barriga cheia e com a certeza de que qualquer dia é dia de celebrar o amor, a união, a cumplicidade. Fico com essa sensação quanto ao dia Internacional do Surf.

Como tudo na vida tem o lado bom, a data não é só feita pra te deixar mais pobre enquanto o outro enriquece. É bom parar para pensar, refletir, e se um terço da população que comemora o dia dos namorados pensar nas coisas boas que o amor traz a vida, já terá valido a pena.

Com o surfe a mesma coisa. Sendo assim, o mais importante é pensar sobre o propósito da coisa. Dessa forma, a data serve para refletir sobre nossa relação com mar e o que estamos fazendo por ele, afinal pode parecer piegas (e é mesmo) ele dá tantas alegrias para nós. Por que retribuirmos desse jeito estúpido? Matando seus animais, poluindo seus afluentes.