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Introdução

No Brasil, apesar de existir lei que regulamenta a inserção das pessoas portadoras de necessidades especiais na sociedade, muitas especificações contidas nela não são cumpridas. Assim, a maioria destas pessoas sofre exclusão social por não ter o mesmo acesso que as pessoas sem nenhuma limitação.

Esta dificuldade de acesso às atividades de lazer se dá ao grande número de barreiras, sendo elas, arquitetônicas, urbanísticas, das edificações, dos transportes e das comunicações existentes nas cidades.

Analisa-se a questão da acessibilidade nos tempos atuais, abordando o seu conceito, além do estudo das barreiras existentes, as quais impedem o pleno exercício de direitos por parte das pessoas com deficiência. Por oportuno também será exposto a temática do desenho universal, instrumento auxiliador na solução dos problemas concernentes à acessibilidade.

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Aborda-se, ainda, a legislação, inclusive brasileira, no tocante ao direito à acessibilidade, partindo das normas constitucionais voltadas ao assunto. Para o deslinde do tema, serão tratados três aspectos da acessibilidade, quais sejam, a acessibilidade urbanística, a arquitetônica e a acessibilidade nos transportes.

Um breve histórico de deficiência no mundo

O problema da deficiência acompanha os homens desde os primórdios da civilização e desde então sofre dificuldades na vida cotidiana e os diferentes aspectos são enfatizados de acordo com o momento histórico e sociocultural que os deficientes se situavam e ainda situam-se.

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Nas culturas primitivas, para que as pessoas sobrevivessem era preciso ir atrás de alimentos, caçavam e pescavam. Assim as pessoas com dificuldade de locomoção, como os 13 idosos, doentes e pessoas com deficiências colocavam em risco todo o grupo e então era necessário abandonar essas pessoas.

Vê-se que antigamente era comum a amputação dos membros como forma de punir e estigmatizar, a prática objetivava informar a todos que as pessoas portadoras de sequelas decorrentes das amputações eram escravos, criminosos ou traidores.

Na Idade Média, marcada pelo Cristianismo, a deficiência era ligada a questões religiosas, quem possuía alguma deficiência era vista como demoníaca e/ou satânica. As pessoas ao invés de buscarem conhecimentos mais científicos aprofundados sobre as doenças e suas causas, viam na fé, na religião a explicação. Então acreditavam que um corpo “deformada” só podia abrigar uma mente também deformada.

A partir dos séculos XVII e XVIII com o crescimento do mundo e o desenvolvimento do homem, mais pesquisas e estudiosos começaram a desmistificar o conceito de deficiência e a prevenir grande parte de doenças que causavam deficiência, passando então a terem um melhor controle dessas pessoas e encaminhavam à uma grande diversidade de atitudes, como a institucionalização em conventos e hospícios até o ensino especial.

No século XIX o capitalismo se fortalece ainda mais, tomando necessário à estruturação de sistemas e ensino para todos, com o objetivo de formar cidadãos produtivos. A atitude pública se vê responsável em atender as necessidades dos deficientes.

A partir de 1979 o movimento das pessoas com deficiência repercutiu a nível nacional. Foi realizado o I congresso Brasileiro de Pessoas Deficientes.

Nos anos 80 declarações e tratados mundiais passam a defender a inclusão das pessoas deficientes, principalmente na área educacional. O ano de 1981 foi proclamado pelas Nações Unidas como “Ano Internacional das Pessoas Deficientes”.

Em 1982, muitas cidades brasileiras sensibilizaram-se e conscientizaram-se da necessidade de se reconhecer os direitos das pessoas com deficiência. Destaca-se a criação por unanimidade do “Dia Nacional de Luta das Pessoas Deficientes”. Este movimento foi liderado pelo Sr. Candido Pinto, pernambucano radicado em São Paulo, militante do Movimento pelos Direitos das Pessoas Deficientes (MDPD).

Em 1988, no Brasil, a nova Constituição garante atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino.

Em 1996 é decretada Lei de diretrizes e Bases, dando o direito à educação das pessoas portadoras de necessidades especiais.

Ainda nos anos 90, o Brasil aprova o Estatuto da Criança e do Adolescente, que reitera os direitos garantidos na constituição: atendimento educacional especializado para portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino.

A situação atual no mundo e especificamente no Brasil em relação às pessoas portadoras de deficiência vem evoluindo e assim melhorando a qualidade de vida dessas pessoas. São Leis decretadas aos direitos das pessoas com deficiências, a população está mais conscientizada e a inclusão e integração dessas pessoas cresce a cada dia.

Conceito e Classificação da Deficiência

Assim, o conceito de deficiência começa a ser discutido devido às modificações de acordo com os valores sociais, éticos, filosóficos e religiosos que a ciência vem desenvolvendo e assumindo. Estes oriundos de novos paradigmas, estando bastante relacionado com o tipo de cultura em que o indivíduo vive.

Por outro lado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou em 1980 uma classificação internacional dos conceitos de Deficiência, Incapacidade e Desvantagem (CIDID), a qual visa complementar a abordagem médica, focando-se nas consequências objetivas e sociais da exteriorização da doença, sendo discutido se o uso de instrumentos classificatórios como esse ainda são convenientes, tentando dessa forma clarear os conceitos e imagens relacionadas às pessoas portadoras de deficiência.

Deficiência (Impairments): é toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica em um órgão ou estrutura do corpo humano e que restringi a execução de uma atividade.

Incapacidade (Disabilitics): é toda restrição ou ausência da capacidade de realizar uma atividade de forma ou dentro dos parâmetros considerados normais para um ser humano.

Desvantagem (Handicap), Impedimento ou Invalidez: uma situação desvantajosa para um determinado indivíduo em consequência de uma deficiência ou incapacidade que o limita ou impede de desempenhar uma função normal no seu caso (levando-se em consideração a idade, sexo e fatores sociais e culturais).

Pessoas com Deficiência

Apesar de alguns esforços para buscar uma terminologia mais adequada para definir as pessoas com deficiência, ainda persiste a confusão dos termos.

Na nossa sociedade, mesmo que a ONU e a OMS tenham tentado eliminar a incoerência dos “conceitos”, a palavra “deficiente” tem um significado muito forte. De certo modo ela se opõe à palavra “eficiente”. Ser “deficiente”, antes de tudo, é não ser “capaz”, não ser “eficaz”. Pode até ser que, conhecendo melhor a pessoa, venhamos a perceber que ela não é tão “deficiente” assim. Mas, até lá, até segunda ordem, o “deficiente” é o “não-eficiente”.

A expressão “Portadores de Necessidades Especiais” ampliou o grupo de tal forma que fica difícil definir quem é de fato pessoa com ou sem deficiência. Temos que ter cuidado com essa expressão para não transformarmos causas de outras naturezas em deficiência. 21 Assim ressaltamos que toda pessoa deficiente poderá manifestar uma necessidade especial mas nem toda pessoa portadora de necessidade especial possui uma deficiência. Temos como exemplo, os diabéticos, os hipertensos, as gestantes, os idosos, os obesos e etc.

Em qualquer sociedade existem valores socioculturais e estes refletem imediatamente no pensamento, nas imagens dos homens norteando sua ações e também nas palavras com que os homens se exprimem. Assim a palavra “deficiente” em todas as sociedades adquire um valor cultural segundo regras, padrões e normas estabelecidos nas relações sociais.

Entende-se que os termos mrus adequados para caracterizar as pessoas com deficiência são as seguintes:

  • Deficiência Visual: pessoa com deficiência visual ou cega;
  • Deficiência Auditiva: pessoa com deficiência auditiva ou surda;
  • Deficiência Mental: pessoa com deficiência mental;
  • Deficiência Física: pessoa com deficiência física; e
  • Quando houver duas ou mais deficiências associadas~ utiliza-se expressão pessoa com deficiência múltipla.

Apesar de todos os tipos de deficiência fazerem parte do grupo das pessoas com deficiências, existem características e necessidades bastante distintas entre elas. Como por exemplo à pessoa com deficiência mental possui características e necessidades diferentes de uma pessoa com deficiência física e assim vale para outras deficiências e outras pessoas.

Por isso, não é aconselhável comparamos as pessoas com deficiência de wn mesmo tipo e nem de tipos diferentes. Cada pessoa é aquilo que a sua vida lhe possibilitou ser. Portanto, independentemente de uma pessoa possuir ou não deficiência, ela é igual às demais naquilo em que é igual e é diferente das demais naquilo em que é diferente.

Caracterização das Deficiências

Entende-se por Deficiência Física qualquer comprometimento no aparelho locomotor que compreende o sistema ósteo-articular, o sistema muscular e o sistema nervoso. E que de alguma forma altera seu funcionamento normal, comprometendo assim a movimentação e a deambulação do indivíduo.

A variabilidade é grande das patologias e agravos que alteram a motricidade. Além das alterações anatômicas devemos considerar também as alterações fisiológicas do aparelho locomotor.

ACESSIBILIDADE

Acessibilidade é definida pela norma NBR (Norma Brasileira Registrada) 9050/94, como sendo “a possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, de edificações, espaços, mobiliários e equipamentos urbanos”.

A palavra acessibilidade é um conceito moderno de abordar o tema deficiência, este conceito é relatado em diversos países da Europa, da América do Norte e mais recente na América Latina.

A acessibilidade pode ser vista de várias maneiras, conforme o enfoque e a área de estudos que está sendo conceituada. Por exemplo quando se pensa em transporte urbano, público, a preocupação é do acesso às pessoas no transporte dentro de sua cidade ou entre cidades. Já na área de geografia urbana, a acessibilidade é vista de uma forma mais abrangente, relacionada à questão da inclusão social e não da segregação.

Assim acreditamos que a acessibilidade não é a mesma em toda parte, depende-se de questões socioeconômicas, políticas, disponibilização de espaços para que as pessoas sejam inseridas. E para que a cidadania seja exercida na comunidade em que vive é preciso que as pessoas conquistem sua autonomia e independência e um dos fatores que contribui é o meio em que vivem, principalmente para as pessoas com necessidades especiais que precisam de espaços adaptados às suas necessidades.

A falta de acessibilidade é um desafio na vida das pessoas e no meio em que elas vivem. Obstáculos às vezes imperceptíveis para aqueles que não convivem com o problema, mas constrangedor para aqueles que não se encaixam no “padrão de homem” e convivem com essa realidade. As dificuldades enfrentadas, como atravessar avenidas, subir rampas inclinadas, passar por portas estreitas ou conduzir carrinhos de bebês em ruas esburacadas são atitudes normais do dia-a-dia de pessoas idosas, gestantes, crianças, dos incapazes temporários (acidentados), obesos e também das pessoas com deficiência.

O direito de ir e vir

De acordo com a Lei n° 5.296, de 02 de dezembro de 2004, art. 8, A acessibilidade é a possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia. total ou assistida, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos transportes e dos dispositivos, sistemas e meios de comunicação e informação, por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida.

O grande desafio dos responsáveis pela construção e manutenção das cidades e seus equipamentos, incluindo o transporte, é projetar com a preocupação do desenho universal, capaz de permitir acessibilidade a todos, sejam eles idosos, obesos, gestantes ou portadores de deficiências ou necessidades especiais. Mas, apenas com a garantia de recursos para que este desenho universal se transforme em realidade, se terá uma mobilidade sustentável.

Hoje o moderno conceito de acessibilidade envolve o ambiente fisico, como edificações e os transportes, bem como o acesso aos meios de comunicação pelas pessoas com necessidades especiais. É muito importante que empresas, governos e a população se unam para viabilizar esta questão que é Lei e que tomará a vida dessas pessoas muito mais práticas, dignas e prazerosas.

Barreiras de Acessibilidade

Aa barreiras são consideradas para as pessoas portadoras de deficiências, mobilidade reduzida ou com dificuldade na locomoção como sendo o problema de maior importância em suas vidas, pois estas impedem ou limitam suas habilidades de expressão e o acesso aos lugares e meios de sua vida.

As pessoas com algum tipo de necessidade especial podem participar da vida da comunidade em geral, porém isto não acontece na real. Essas pessoas têm dificuldades diversas oriundas de sua própria individualidade, mas possuem capacidades para transitar pelas vias de circulação urbana, para se educar e para serem cidadãos ativos de se conviver.

Barreiras Visíveis

Constituem barreiras visíveis todos os impedimentos concretos, entendidos como a falta de acessibilidade aos espaços.

Barreiras Invisíveis:

Constituem a forma como as pessoas são vistas pela sociedade, na maior parte das vezes representadas pelas suas deficiências e não pelas suas potencialidades. A eliminação de barreiras visíveis poderá vir a contribuir para a diminuição das barreiras invisíveis.

Barreiras Físicas

Implica suprir barreiras arquitetônicas e urbanísticas, como também de transporte, reconhecendo a inevitável necessidade de locomoção de todos os seres humanos.

Barreiras urbanísticas

Todas barreiras existentes nas vias públicas e nos espaços públicos. Conceituam-se as dificuldades encontradas pela população nos espaços e mobiliários urbanos. Exemplificando a falta de rebaixamento nas calçadas, falta de telefone público adaptado, inexistência de vagas especiais adequadas para as pessoas com deficiência, mobilidade reduzida ou dificuldade de locomoção.

Barreiras arquitetônicas na edificação

São as barreiras e obstáculos existentes no interior dos edifícios públicos e privados. Temos como exemplo: escadas e rampas de acesso aos prédios, portas; estreita circulação dentro dos edifícios, falta de placas de identificação em braile e etc.

Barreiras de transportes

São as dificuldades, falta de adaptações aos meios de transporte particulares ou coletivos. Cita-se como exemplo: banheiros adequados nos veículos coletivos, falta de informações visuais e em braile, entre outros.

Barreiras Socioculturais (ou atitudinais):

As barreiras socioculturais são as que mais afastam os deficientes de praticarem lazer, isso se originam muitas vezes devido à divisão de classes sociais e que podem ser agravadas com atitudes de preconceito, estigmas e estereótipos em relação às pessoas com necessidades especiais existentes na sociedade.

Barreiras à Educação:

A acessibilidade à educação tem como base o ideal de contribuir para o desenvolvimento das pessoas. A educação é importante para uma melhor compreensão e participação nas atividades de lazer. A leitura dá base para acompanhar estas diversas atividades. Alguns conteúdos de lazer exigem um mínimo de grau de formação escolar para que sejam desenvolvidos, proporcionando o aumento da interação social com as pessoas.

Barreiras ao Trabalho:

A acessibilidade ao trabalho aparece como o mecanismo de integração mais eficaz, pois propicia o sustento da pessoa com necessidade especial e também à sua independência. As pessoas que trabalham ‘”fora” têm mais oportunidades de lazer, mesmo tendo menos tempo livre. Isso acontece por apresentarem uns círculos maiores de amizades, de conseguirem lidar com as barreiras, seja de deslocamento ou arquitetônicas e por receberem uma remuneração que permitem ter mais acesso ao lazer. As pessoas com necessidades especiais que trabalham não se sentem inferiores as ditas “normais”, pois o trabalho faz com que elas se sintam úteis a sociedade e a si próprias.

Barreiras à Habitação:

Há a necessidade de uma política habitacional que garanta espaços acessíveis a todos. É preciso lembrar que as pessoas deficientes, com mobilidade reduzida ou com dificuldade na locomoção precisam de uma moradia adequada para se viver.

Barreiras a Cultura, Lazer e Desporto:

O acesso às atividades culturais, aos equipamentos de lazer e as práticas esportivas são direitos de todos. Assim é necessário que os teatros, cinemas, museus, bibliotecas, bares, quadras esportivas, clubes, etc, sejam adequados a permitir o acesso independente das pessoas com deficiência, mobilidade reduzida ou com dificuldade na locomoção.

Barreiras a Saúde

Os serviços públicos devem estar preparados e capacitados para atender toda comunidade, inclusive ao atendimento integral ao deficiente. Este deverá ir deste a prevenção precoce da deficiência até aos atendimentos de reabilitação. E os serviços devem estar em locais próximos às residências facilitando a locomoção dos usuários.

LAZER

O lazer é tão fundamental quanto a saúde, a educação, a moradia, o transporte, o saneamento básico, o trabalho e a alimentação são para a vida de todo e qualquer ser humano. Historicamente adquirido, compreendido e valorizado, é um dos direitos sociais assegurados pela Constituição da República Federativa do Brasil, no seu art. 6°, capítulo 11 -Dos Direitos Sociais (Brasil, 1988).

Desde que respeitadas suas características, vivenciado dentro de um espaço e tempo disponíveis, de forma desinteressada, como uma opção individual, onde se busca a satisfação e o prazer, o lazer tem como funções o descanso, o divertimento e o desenvolvimento humano- pessoal e social. Dessa forma, a vivência de um lazer de qualidade pode proporcionar a emancipação de um homem crítico e criativo, capaz de gerar e vivenciar normas e valores questionadores da atual ordem estabelecida.

O lazer oferece várias possibilidades de ocupações e funções, passando do quantitativo para o qualitativo. Ainda vemos que para as pessoas usufruírem as oportunidades que o lazer oferece é inegável que há impedimentos socioeconômicos presentes nas vidas das pessoas.

O lazer é um meio de descansar e de se distrair, de tempos em tempos. Para a maioria, às atividades de lazer são cada vez mais exercidas no tempo fora do trabalho profissional e familiar, buscando um crescente interesse pela realização pessoal independentemente do nível social. O lazer se definiu em função da liberação do trabalho profissional e familiar.

Com a conquista de mais tempo livre (redução da jornada de trabalho, repouso semanal, aposentadoria, etc.) esperávamos que o homem usufruísse com maior regularidade as atividades de lazer. Porém, a realidade não é essa, são vários fatores que impedem como, o cansaço físico e mental (gerados pelas condições de trabalho) cada vez mais rotineiro e dividido; o barulho e a poluição; as grandes distâncias entre moradia, local de trabalho e os espaços de Jazer; as dificuldades enfrentadas no trânsito; a questão financeira; e principalmente a falta de espaços de lazer na cidade que contemple toda a população.

Apesar de muito se falar em lazer, são poucos os estudos nesta área. Como há uma diversidade de atividades e significados é preciso o desenvolvimento de pesquisas específicas na área para um melhor entendimento e valorização à população. Entretanto, o termo lazer vem ganhando espaço na população em geral, na mídia, na educação e etc, enfatizando que não há distinção de classe ou grupo social, faixa etária, … o que todos querem é o mesmo, ter mais lazer.

Diante disto explicitaremos sobre o lazer e suas bases teóricas de modo que possamos compreender e dar valor a esse fenômeno que vem crescendo e se intensificando a cada dia.

Conhecendo e compreendendo o Lazer

A palavra “lazer”, ao longo das últimas décadas vem ganhado força e reconhecimento de sua importância na vida da população. Ela faz parte de conversas informais, aparece em campanhas publicitárias e políticas, ocupa títulos de revistas, anúncios de jornais, também está presente em órgãos públicos (por exemplo: Secretaria de Esportes e Lazer), enfim está presente no cotidiano das pessoas em geral.

Devido à utilização em massa do termo, é importante conceituarmos o lazer. Há vários autores que se dedicam a esse assunto. Uns seguem o pensamento independente de um tempo determinado, a satisfação provocada pela vivência e outros que enfatizam o tempo, o tempo liberado do trabalho e das obrigações familiares, sociais e religiosas. A seguir explicitaremos o que cada autor pensa sobre o lazer.

Assim o lazer é um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se, ou ainda para desenvolver sua formação desinteressada, sua participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora, após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e sociais.

Tempo e Cultura

O tempo está presente em toda nossa vida, articula nossos sistemas físicos, sociais e biológicos. Presente nas mais diferentes culturas, a existência do tempo de trabalho implica a existência de mn tempo de não trabalho. Assim vemos que o tempo de lazer se encontra em relação direta com o tempo das obrigações, principalmente com as obrigações profissionais (o trabalho) e não em oposição a elas. Se considerarmos a esfera das atividades profissionais, principalmente a do trabalho, o tempo de lazer situa-se no “tempo liberado” deste, supondo, portanto, a sua existência.

Temos a divisão do tempo em Microtempo (relógio – universaliza o controle de tarefas) e o Macro tempo (calendário – articula e possibilita o controle político do tempo). O calendário organiza e dá ritmo na dialética do trabalho e do tempo livre.

O calendário seria o resultado complexo de um diálogo entre a natureza e o homem, diálogo este não estranho ao lazer, ao esporte e ao jogo.,

Temos quatro períodos de tempo favoráveis ao lazer: o do fim do dia de trabalho, o do fim de semana, o das férias e o do fim da vida profissional, para os que se aposentam.

Observamos então que o lazer é o grande vencedor do tempo liberado do tempo profissional e doméstico, muito mais que trabalho social voluntário, sócio espiritual ou o sócio político.

Falando na cultura e sua influência no lazer, destacamos que esta é vivenciada no “tempo disponível” da população em relação ao trabalho. Deve ser considerada estreita e também como outras esferas da vida social, como saúde, educação, habitação, segurança, entre outros. A cultura também não deve ser reduzida a um único conteúdo como apenas aos “conteúdos artísticos”, mas abordar os diversos conteúdos culturais sendo entendido tanto como “produto” quanto “processo”, como “conteúdo” e “forma”.

Construções do Lazer

O lazer, podemos dizer que foi construído pela urbanização e modernização, assim a divisão do trabalho e sua evolução também influenciaram nesta construção. Antes era nítida a evolução conjunta do trabalho e lazer, hoje assumem características distintas.

Uma das maneiras de interpretar o lazer é contrapô-lo ao trabalho, traçando uma trajetória histórica de ambos a partir da Revolução Industrial. Sob essa perspectiva destacam-se pelo menos três etapas: a mecanização (séculos XVIII e XIX), a automação (séculos XIX e XX) e a informatização (segunda metade do século XX).

A industrialização e a urbanização no Brasil tiveram e têm efeitos sobre o tempo de trabalho e o tempo livre. As pessoas reivindicam suas horas de trabalho, descanso semanal, férias e a aposentadoria. O tempo livre é o elemento essencial para que se possa falar em lazer. Assim, nesta fase temos reflexos sobre as atividades tradicionais de lazer no Brasil. Algumas permanências (lúdico-religiosas), transformações e até o desaparecimento dessas atividades.

Com a conquista de mais tempo livre para o lazer, são reivindicadas novas formas de relacionamento social espontâneas, afirmação da individualidade e a contemplação da natureza. Observa-se nas pessoas, mudanças nas suas relações afetivas, nas considerações com o próprio corpo, no contato com o belo, em geral na busca do prazer.

A relação sujeito/trabalho atualmente está sofrendo algumas modificações importantes no que diz respeito ao tempo e espaço. O avanço da tecnologia tem permitido reorganizar esses dois elementos. Por um lado, às máquinas estão realizando com menos tempo e energia, o trabalho do homem, liberando-o teoricamente seu tempo livre. Porém a exigência cada vez mais aumenta em relação à especialização da mão de obra, isso produz uma alteração na relação tempo/livre e tempo/ocupado. Consumindo mais o tempo do homem e cansando-o emocionalmente, contribuindo assim para o elevado índice de stress nas pessoas.

O divertimento, a alegria, a descontração, a felicidade leva a liberação do cansaço causado pela monotonia do trabalho ou por comportamentos habituais reforçados na produção moderna , provocados pela exigência do mercado de trabalho, causando stress físico, mental e emocional.

As regras sociais coordenam e manipulam a vida do ser humano desde o seu nascimento até sua morte, as vezes a relação destas não é caracterizada pela paz e aceitação, assim o indivíduo sente dificuldades de fazer suas próprias escolhas. São nos momentos de lazer ou de tempo livre que o indivíduo encontra possibilidades de livre escolha de tudo aquilo que queira fazer.

Formas diversas de uso do tempo livre

Há formas urbanas (principais) de ocupação do tempo livre; como: cmema, teatro e concertos. O cinema constitui uma diversão tradicionalmente cultivada pela população (brasileira), atinge classes alta, média e algumas baixas. Apesar de hoje em dia com o avanço da tecnologia e as pessoas poderem alugar filmes e assisti-los em casa, o cinema apresenta-se importante atividade para a população. Já o teatro é uma das mais seletivas atividades de lazer do brasileiro. O público que vai ao teatro são restritos, entre intelectuais, artistas, burguesia, estudantes universitários, classes média e alta. Essa restrição se dá ao fato de os ingressos terem preço elevado, sofre ainda com a concorrência do cinema e TV. O público do teatro é distinto economicamente e culturalmente.

A preferência da população para preencher seu tempo livre é em primeiro a televisão (43%), depois cinema (30%) e por fim o teatro (27%). O acesso ao cinema e ao teatro já está chegando à população mais carente, através das instituições, órgãos públicos, federais e etc. Em relação aos concertos, estes são bem mais restritos de pessoas, apesar de que hoje em dia há projetos trazendo, expondo e explicando a música clássica e popular à população.

Vale ressaltar que ouvir rádio, ouve-se boas músicas e estas fazem muito bem ao corpo e a mente.

“Após o rádio, a televisão é o veículo de maior penetração entre o público brasileiro, mas que ainda pode ser considerada fraca em face da extensão territorial do país’. (Requixa, 1977, p. 53)”.

A televisão é um mobiliário que está presente em quase todos os lares dos brasileiros, pelo menos um aparelho de TV é (consumido) encontrado em cada residência, mesmo sendo esta de classe social baixa. A televisão é um instrumento ativador da sociabilidade familiar e fonte de abastecimento de conversação.

O hábito de leitura está ligado ao nível de educação formal e a escola tem um papel importante na formação do gosto pela leitura. Além das leituras escolares, temos os jornais que são circulados nas cidades, principalmente nas capitais, porém a incidência de leitura é baixa pela população. As revistas por sua vez não têm apenas o objetivo de dar informações ao leitor mas também evidenciar o aspecto lúdico. As revistas são circuladas também num grau acentuado nas zonas mais urbanizadas e são mais adquiridas e lidas pelo público feminino funcionando como lazer.

As revistas se diversificam e se especializaram para atender a todos, com assuntos científicos, técnicos, fofocas, artesanato, moda, … e também o importante papel na divulgação cultural que as revistas vêm desempenhando no país.

Já os livros, através de uma “divulgação em linguagem mais popular e leve, invadiu por assim dizer, a seara dos livros, e atendeu à moda do consumo cultural por maiores parcelas da população”.

O livro também nos informa de uma forma prazerosa, principalmente nos aspectos culturais. Além de adquirirmos um livro, temos a oportunidade de disponibilidade de acesso aos livros nas bibliotecas.

No Brasil, as praças públicas sempre foram ponto de interesse para a população nas suas horas livres- lazer. Além das praças, há os parques (concentração de área verde) que são frequentados por classe média devido em alguns o acesso não ser fácil. A frequência às praias, no Brasil, é uma forma de lazer frequentada por grande parte da população. Sendo assim, vemos que a praia é um forte recurso democrático, pois é gratuita e acessível a todos.

Equipamentos e Espaços de Lazer

O espaço para o lazer é o espaço urbano e algumas vezes o rural. Ao investigar na população em geral, vemos que os hábitos de lazer se encontram no âmbito doméstico (ouvir música, TV, ler) para depois as práticas serem realizadas fora do lar.

Com a vida corrida nos dias de hoje, normalmente esquecemos de olhar para a natureza, de prestigiar a beleza das coisas simples. Passamos tão depressa pelas coisas que não notamos o quão belo são os trabalhos das pessoas que transformam o ambiente e o quão mais belo é o trabalho que a natureza nos proporciona.

Todo equipamento é construído de maneira com que a população usufrua suas instalações, porém nem sempre esse usufruir é possível, pois na maioria dos casos a preocupação é com o retomo financeiro e não com o prazer das pessoas.

Primeiro devemos ter claro qual o sentido democrático oferecido do espaço, que significa o atendimento da população de uma maneira direta e livre de impedimentos ao acesso fácil ao ambiente de lazer.

Em seguida, a implantação de uma política de animação cultural voltada para os interesses do lazer na organização dos equipamentos, de forma a não deixar de atrair os interesses das instituições, dos grupos primários e mesmo de iniciativas individuais, no sentido de procurarem os equipamentos.

Podemos visualizar as formas de existências dos equipamentos quanto à dimensão física de espaço e suas finalidades programáticas:

* equipamentos especializados: são equipamentos destinados a atender uma programação especializada ou uma faixa de interesses culturais específicos. Ex.: academia de ginástica, teatro, cinema, biblioteca, parques aquáticos.

* equipamentos polivalentes (de capacidade médios e grandes): equipamento destinado a receber uma programação diversificada ou para atender variados interesses socioculturais. Ex.: centros culturais em geral, parques urbanos, clubes de campo, parques temáticos, parques ecológicos.

* equipamentos de turismo: equipamentos destinados a programações turísticas em geral, associada hospedagem e atividades recreativas. Ex.: hotéis de lazer, colônias de férias, acampamentos.

*equipamentos não específicos: “um ambiente que não foi planejado e construído para uma determinada finalidade específica, que não o lazer, mas que pode ter a sua apropriação ampliada para outras atividades”. Ex.: a própria habitação das pessoas, a escola, a rua, o carro, o trabalho.

As pessoas estão habituadas a procurar lugares “ditados pela moda”. Alguns lugares se perpetuam oferecendo divertimento, equipamento, tempo e etc, porém outros desaparecem, às vezes tão instantaneamente como surgiram.

CONCLUSÃO

Hoje em dia, a pessoa com deficiência ou necessidade especial não é mais aquela pessoa que fica em casa, em uma cama, fora da realidade do mundo. Estas estão trabalhando, estudando nas faculdades, indo aos clubes, nas academias, no comércio, na noite … E algumas já conseguem um trabalho, portanto urna renda e, assim consequentemente também faz parte do público consumidor. Mas para que tudo isso aconteça, essas pessoas precisam de acessibilidade viabilizada, como rampas nas escolas, nas lojas, cinemas, teatro, de banheiros adaptados em todos os lugares públicos, … e também o respeito por parte dos que não possuem deficiência.

A pessoa com deficiência ou necessidade especial deseja e tem todo direito de viver uma vida saudável e comum. Ser saudável é viver em equilíbrio e harmonia com seu corpo, sua imagem e com seu espaço no mundo. Porém essa realidade só se concretiza quando oportunidades de aprendizado, de trabalho, de convívio social são acessíveis independentes de suas condições físicas, mentais ou sensoriais.

Em nosso trabalho procuramos demonstrar os principais e importantes aspectos da acessibilidade das pessoas com necessidades especiais nas diversas atividades de lazer. Enfatizamos principalmente os aspectos que impedem a essas pessoas ao acesso fácil às práticas de lazer, assim vimos todo tipo de barreira

Eliminando essas barreiras, serão abertos espaços para o acesso do deficiente a urna vida dignamente social, profissional e pessoal de igual qualidade à das pessoas sem mobilidade restrita. Para que essa realidade se consume é necessária uma conscientização coletiva que permita a todos aqueles que possuem alguma capacidade restringida ou limitada por tempo permanente ou temporário, atingindo da criança ao idoso, transitar sem barreiras pela vida.

Pudemos observar que para as PNEs integrarem-se com acesso pleno a sociedade e as atividades de lazer disponíveis nos espaços públicos, são necessárias intervenções simultaneamente em saúde, habitação, lazer, cultura, por entender que os serviços públicos são os recursos imediatos na promoção de informações, enfim a integração de um conjunto de políticas públicas que permita o acesso de todos e a todos os meios.

Uma vez garantido esses direitos a todos dentro de um convívio social, dá-se um passo ao direito de viver numa sociedade inclusiva, mais justa, mais democrática, mais humana, onde todos são iguais perante a lei, como reza a Constituição da República Federativa do Brasil.

É importante entendermos que apesar de algumas pessoas apresentarem alguma condição de deficiência ou necessidades especiais, as construções, edificações, transportes, enfim as cidades em geral são planejadas e projetadas com ineficiência, com deficiência para o uso do homem com suas mais diversas diferenças.

Se valorizarmos mais a “pessoa” e menos a “limitações impostas pela “deficiência”, poderemos ter atitudes menos segregadoras e superar grande parte das barreiras socioculturais oriundas de tais atitudes.

A ideia da diversidade significa garantir a todos a oportunidade de participação, aceitação do outro, independentemente de suas habilidades e necessidades específicas. Devemos oferecer chances de lazer para todos. Assim, fortalecer o convívio com a família, amigos, adequar espaços e promover atitudes onde todos possam participar.

O lazer é necessário na sua plenitude do ser, estar e compreender nas pessoas em geral. Assim concluímos este trabalho afirmando e recomendando a necessidade de mais estudos nesta área para um melhor entendimento a aproveitamento das pessoas em geral.

BIBLIOGRAFIA:

http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?down=000437308

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