História do carnaval na Europa

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Os festejos de carnaval, com todos os atos e ritos cômicos que a ele se ligaram, ocupavam um lugar muito importante na vida do homem medieval. Além dos carnavais propriamente ditos, que eram acompanhados de atos e procissões complicadas que incluíam as praças e as ruas durante dias inteiros, celebrava-se também a “Festa dos Tolos” (festa Stultorum) e a “Festa do Asno”; existia também um “Riso Pascal” (Risus Paschalis) muito especial e livre, consagrado pela tradição. (…) O Carnaval é a segunda vida do povo, baseada no princípio do riso. É a vida festiva. A festa é a propriedade fundamental de todas as formas de ritos e espetáculos cômicos da Idade Média.
Mikhail Bakhtin, “A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento”, citado por Hiram Araújo no site www.liesa.com.br

Durante a Idade Média e o Renascimento, em toda a Europa eram praticados festejos com características carnavalescas. A Igreja continuava dividida, entre “cristianizar” as festas, associando-as a datas religiosas, ou condená-las. Os Concílios Eclesiásticos debatiam essa questão, sob a influência de Papas mais tolerantes ou mais rígidos.

O Papa Gregório I, o Grande, foi quem incorporou oficialmente o carnaval ao calendário cristão, no século VI d.C. Porém os excessos levaram Roma a proibir as comemorações durante um bom tempo. O Papa Paulo II, já no século XV, foi um dos maiores simpatizantes do Carnaval, que em Roma consistia em corridas de cavalos, desfiles de carros alegóricos, guerras de confete e outros costumes. O próprio Papa Paulo II introduziu o baile de máscaras às tradições do Carnaval romano, sob a inspiração da Commedia del’ Arte. Daí surgiriam as famosas máscaras do Carnaval veneziano, e também os personagens Arlequim e Colombina.

Os bailes conquistaram as Cortes nos séculos XV e XVI, e um Rei chegou a morrer “no salão”: Carlos VI foi assassinado em uma festa carnavalesca, fantasiado de urso. Eram comuns os casos de abusos praticados atrás das máscaras, durante e depois do carnaval, o que fez as autoridades proibirem seu uso no início do século XVII.

Em Nuremberg, Alemanha, havia uma procissão de um único carro alegórico, Hölle, muitas vezes em forma de navio. As festas em torno de carros-navios, praticadas desde a Antiguidade, fizeram surgir a hipótese de que a palavra carnaval teria origem em carrum navalis, o que foneticamente parece bastante lógico, mas não foi comprovado historicamente.

Outra variante do Carnaval, comum em Portugal e na Hungria, era o Charivari. A população saía às ruas, fazendo algazarra, cantando e caçoando das pessoas mais estranhas ou impopulares do lugar. Bonecos representando os “homenageados” eram crucificados e queimados, o que nos faz lembrar a nossa “malhação do Judas”.

Apesar de diminuírem a partir do século XVIII, as inúmeras tradições festivas da Idade Média e Renascimento não foram esquecidas, sendo adaptadas e revividas nos séculos XIX e XX, tanto no Velho como no Novo Mundo.

Assim, em cidades como Nice, Veneza, Munique, Colônia, e até em New Orleans, nos Estados Unidos, o Carnaval leva adiante a tradição milenar das festas populares.

Mas, em nosso país, o “pai” do Carnaval não poderia vir de outro lugar que não Portugal: a festa do Entrudo, que trouxe para o Brasil Colônia agressivas “batalhas” de rua, com água e farinha. No século XVIII, os ingredientes já incluíam ovos podres, tangerinas e tomates estragados. O Entrudo foi a principal comemoração carnavalesca no Brasil durante quase três séculos.

Até a Corte se rendia à farra, obviamente com líquidos de melhor procedência e odor. O Paço Imperial era palco das brincadeiras do jovem Dom Pedro II, seus familiares e amigos. Dizem que mesmo já velho, no Palácio Imperial de Petrópolis, o Imperador festejava com os mais íntimos. Mas os excessos populares eram combatidos com rigor pelas autoridades. O famoso arquiteto Grandjean de Montigny, por exemplo, teria morrido em decorrência de um choque corporal com um entrudo mais agressivo. A violência provocava proibições oficiais, que, como em outros tempos, não davam em nada.

Os primeiros bailes de Carnaval no Brasil datam de 1840. As músicas ainda eram as lusitanas, especialmente quadrilhas e as chamadas “chanças”. Isso até surgir o Zé Pereira.

 

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