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Ao realizar a leitura do capítulo 4, foi possível identificar os principais conceitos de cada escola geográfica, bem como compreender quais foram as circunstâncias que influenciaram as respectivas definições.
Escola tradicional determinista alemã Teoria formulada no século XIX pelo geógrafo alemão Friedrich Ratzel que fala das influências que ascondições naturais exerceriam sobre o ser humano, sustentando a tese de que o meio natural determinaria o homem. Nesse sentido, os homens procurariam organizar o espaço para garantir a manutenção da vida.
As afirmações de Ratzel estavam fortemente ligadas ao momento histórico que vivia, durante a unificação alemã. Os discípulos do determinismo foram além das proposições ratzelianas, chegando a afirmar que o homem seria um produto do meio. Defendiam que um meio natural mais hostil proporcionaria um maior nível de desenvolvimento ao exigir um alto grau de organização social para suportar todas as contrariedades impostas pelo meio.
Escola tradicional possibilista francesa Originou-se na França rival econômica, militar e territorial da Alemanha, no início do século XX com Paul Vidal. Sua tarefa primordial era combater e deslegitimar o conteúdo teórico e ideológico da geografia alemã. Paul Vidal realizou estudos regionais procurando provar que a natureza exercia influências sobre o homem, mas que o homem tinha possibilidades de modificar e de melhorar o meio, dando origem ao possibilismo. Assim a natureza passou a ser considerada fornecedora de possibilidades e o homem o principal agente geográfico. As ideias de Paul Vidal tiveram grande repercussão no mundo acadêmico e educacional no Brasil. Foi com base em suas premissas que se iniciaram os cursos de formação de professores no campo da geografia em nosso pais.
Escola de transição Teve inicio em meados do século XX quando ainda prevalecia a influência Lablacheana. Esse períodositua-se entre a Geografia Tradicional e a Geografia Crítica. Uma das primeiras reações à concepção tradicional da geografia foram as propostas do geógrafo alemão Alfred Hettner e do americano Richard Hartshorne. Para Alfred Hettner a Geografia é a ciência que estuda “a diferenciação das áreas”, isto é, deve explicar o “por que” e “em quê” diferem as diferentes partes da superfície terrestre. Os esforços teóricos de Hettner foram pouco divulgados e aceitos na época, uma vez que, a Escola Possibilista estava iniciando sua fase áurea.
As concepções de Hettner foram retomadas duas décadas depois pelo geógrafo americano Richard Hartshorne, suas ideias não se resumiam a um debate exclusivo no campo da disciplina, mas integravam-se ao processo global de deslocamento da hegemonia da Europa para outros centros de poder no quadro político internacional.
Para estes autores, a função primordial da geografia seria sistematizar o máximo de elementos contidos numa determinada área. Para os seguidores desta corrente, o estudo geográfico não isolaria os elementos do espaço nem os tomaria emprestados de outras ciências, mas os investigaria nas suas inter-relações para evidenciar o caráter variável das diferentes áreas da superfície da Terra.
Hartshorne chamou esta metodologia de trabalho de “Geografia Ideográfica”, isto é, aquela que busca uma investigação “singular e unitária” do espaço, o que, consequentemente, permitiria o conhecimento pormenorizado de um determinado lugar. (Moraes, 1997, p. 87).Hastshorne elaborou também uma forma de investigação espacial denominada de “Geografia Nomotética”. Que consiste no de estudo ideográfico de várias áreas, e em posse dos dados obtidos, captaria os elementos de integração destas áreas, o que permitiria explicar cada uma delas, considerando que fenômenos similares se repetem com relativa frequência em diferentes lugares. Outra variante do pensamento geográfico largamente difundido no “Período de Transição” foi a “Escola Pragmática”, também denominada de “nova geografia” devido à pretensa tentativa de ruptura com os paradigmas da linhagem tradicional. Voltada às análises comparativas entre áreas e regiões, ela introduziu no campo da geografia numerosas técnicas de enfoques quantitativos, com forte viés econômico, demográfico e geomorfológico. De tradição norte-americana, o método quantitativo também estendeu sua influência para a Inglaterra e o Brasil, aplicado geralmente aos estudos regionais e na elaboração de “geossistemas” utilizados nos estudos econômicos e socioambientais (MONTEIRO, 2001).
Escola crítica marxista Sabemos que a geografia foi uma das últimas ciências sociais no século XX a incorporar o arcabouço do ideário marxista em seus referenciais teóricos. Embora o centro de difusão deste marxismo tenha sido a França dos anos de 1970 e 1980, é nos países do Terceiro Mundo onde este “marxismo tardio” encontra apoio ideológico. Pois a pobreza, as graves desigualdades sociais e regionais, a soberania territorial fragmentada por interesses externos, problemasambientais e de saneamento básico contribuíram, para a consolidação da vertente crítica da disciplina nos meios acadêmicos e políticos até o presente.
Essa Escola geográfica utiliza as teorias da Filosofia marxista para examinar as relações espaciais de Geografia humana, ou seja, na Escola geográfica marxista, as relações que a geografia tem tradicionalmente analisadas – ambiente natural e as relações espaciais – são revistas como resultados do modo de produção material, e considera que para compreender as relações geográficas, a estrutura social também deve ser examinada. A Geografia marxista é radical em sua natureza e sua principal crítica é da ciência positivista espacial centrada em suas metodologias, que não conta ou não demonstra os mecanismos do capitalismo e da exploração humana que são a base de arranjos espaciais. A ênfase é sobre a estrutura e os mecanismos estruturais, porém a ênfase nesse aspecto da sociedade tem produzido resultados, mas também críticas.
Escolas “pós-modernas” de perspectiva “multicultural” e “ambiental” Outras correntes da geografia atual priorizam a questão da conservação ambiental como um instrumento essencial de estudo e ação prática da geografia. Assim, como um campo de luta e resistência em prol da própria sobrevivência da vida humana, o enfoque ambiental se consolida no enfoque geográfico como a “mediação fundamental” entre a “ciência do espaço” com as demais disciplinas das ciências sociais. Nesta “seara pós-moderna”, repleta de novos enfoques se perspectivas geográficas, há espaço paraa “geografia cultural”, a “geografia alternativa”, a “geografia feminista” e até mesmo para o “resgate localizado” do tradicionalmente lembrado “quadro natural”, no qual as questões climáticas e morfológicas retomam um posicionamento de destaque.
Foi possível compreender por meio da leitura destes quatro capítulos, que a geografia passou por um longo caminho até assumir o atual referencial de ciência humana voltada à crítica e à análise social do espaço humanizado. Durante esse tempo, muitos foram os embates e as crises teóricas em torno desta disciplina, nas quais ideologia, interesses de Estado, disputas nacionais e sistematização científica muitas vezes se misturaram num só corpo teórico.
Contudo, compreendemos também que essa “instabilidade conceitual” não impediu que a ciência geográfica continuasse o seu desenvolvimento teórico no campo acadêmico e na vida prática das sociedades humanas. Porém, ao transferirmos essas polêmicas históricas para o campo em que a geografia se faz mais presente – as salas de aula em todos os países do mundo, entre eles o Brasil –, a dinâmica em questão se torna mais complexa e exigente de novos caminhos e criatividades pedagógicas.

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