El Niño e La Niña

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Efeitos do El Niño no meio do ano (Foto: Climatologia UFF)

El Niño é um fenômeno atmosférico-oceânico caracterizado por um aquecimento anormal das águas superficiais no Oceano Pacífico Tropical. Altera o clima regional e global, mudando os padrões de vento a nível mundial, afetando assim, os regimes de chuva em regiões tropicais e de latitudes médias.

Derivada do espanhol, a palavra “El Niño” refere-se à presença de águas quentes que todos os anos aparecem na costa norte de Peru, na época de Natal. Os pescadores do Peru e Equador chamaram a esta presença de águas mais quentes de corrente El Niño, em referência ao Niño Jesus (Menino Jesus), isso pelo fato de que a ocorrência da ressurgência proporciona o acréscimo de peixe na superfície marítima.

Os ventos alísios empurram e empilham água quente superficial para o oeste. Nessa condição, a ressurgência, na costa oeste da América do Sul, traz à superfície água fria profunda com nutrientes, tornando a região uma das áreas mais piscosas do mundo. É importante destacar que a ressurgência não ocorre apenas com o fenômeno El Niño; ela também pode ocorrer em um litoral qualquer.

Esquema da ressurgência (Foto: Climatologia UFF)

A melhor maneira de se referir ao fenômeno El Niño é pelo uso da terminologia, que inclui as características oceânicas-atmosféricas, associadas ao aquecimento anormal do Oceano Pacífico Tropical.

O Enos, ou El Niño-Oscilação Sul, representa de forma mais genérica um fenômeno de interação atmosfera-oceano, associado a alterações dos padrões normais da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) e dos ventos alísios na região do Pacífico Equatorial, entre a Costa Peruana e o Pacífico Oeste próximo à Austrália.

A La Niña também um fenômeno oceânico-atmosférico, mas com características opostas ao El Niño. Caracteriza-se por um esfriamento anormal nas águas superficiais do oceano Pacífico Tropical, alterando o clima regional e global, mudando os padrões de vento a nível mundial, afetando assim, os regimes de chuva em regiões tropicais e de latitudes médias.

Pode ser chamado também de episódio frio, ou ainda El Viejo (“o velho”, em espanhol). Algumas pessoas chamam o La Niña de anti-El Niño, porém como El Niño se refere ao menino Jesus, anti-El Niño seria o Diabo e, portanto, esse termo é pouco utilizado.

A célula de circulação com movimentos ascendentes no Pacífico Central/Ocidental e movimentos descendentes no oeste da América do Sul e com ventos de leste para oeste próximo à superfície (ventos alísios, setas brancas) e de oeste para leste em altos níveis da troposfera é a chamada Célula de Walker. A inclinação da Termo clima é vista mais rasa junto à costa oeste da América do Sul e mais profunda no Pacífico Ocidental.

Com os ventos alísios mais intensos, mais águas quentes irão ficar “represadas” no Pacífico Equatorial Oeste e o desnível entre o Pacífico Ocidental e Oriental irá aumentar. Com os ventos mais intensos, a ressurgência também irá aumentar no Pacífico Equatorial Oriental. Por outro lado, devido a maior intensidade dos ventos alísios as águas mais quentes irão ficar represadas mais a oeste do que o normal. Novamente teríamos águas mais quentes, que aumentam a evaporação e consequentemente os movimentos ascendentes, que por sua vez geram nuvens de chuva e a Célula de Walker, que em anos de La Niña fica mais alongada que o normal.

Efeitos do El Niño no meio do ano (Foto: Climatologia UFF)

Efeitos do El Niño no meio do ano (Foto: Climatologia UFF)

La Niña: efeitos no mundo (Foto: Climatologia UFF)

La Niña: efeitos no mundo (Foto: Climatologia UFF)

Efeitos do La Niña (Foto: Climatologia UFF)

Efeitos do La Niña (Foto: Climatologia UFF)

Especificamente em relação ao Brasil, seguem-se os principais impactos dos dois fenômenos:

Em relação ao El Niño, a Região Norte sofre com a diminuição das precipitações e secas, além do aumento do risco de incêndios florestais. Secas severas assolam a Região Nordeste. Não há evidencias de efeitos pronunciados nas chuvas na Região Centro-Oeste, no entanto, nota-se uma tendência de chuvas acima da média e temperaturas mais altas no sul do MS.

Na Região Sudeste, ocorre um moderado aumento das temperaturas médias. Tem ocorrido substancial aumento das temperaturas neste inverno. Não há padrão característico de mudanças das chuvas. Por último, há precipitações abundantes, principalmente na primavera e chuvas intensas de maio a julho, além do aumento da temperatura média na Região Sul.

O fenômeno La Niña é responsável pelo aumento de precipitação e vazões de rios nas regiões Norte e Nordeste. O Centro-Oeste e o Sudeste são áreas com baixa previsibilidade sobre os efeitos. Por fim, a Região Sul costuma ser palco de severas secas.

Na América do Sul, El Niño provoca secas no Altipleno Peru-Bolívia, redução das precipitações na Colômbia e aumento da vazão dos rios no Noroeste do Peru e do Equador. Já La Niña castiga a Colômbia com precipitações intensas e enchentes, diminuição das chuvas no Uruguai e tendência de secas no Peru.

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