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    Diferença no uso do acento grave entre o Brasil e Portugal – Vou à ou a? Venho de ou da?

     

    O texto do Ricardo Russo sobre o acento grave é espetacular, mas não resisto em escrever mais alguma coisa sobre este tema, que julgo ser, de certa forma, um pouco curioso.

    Nunca vi alguém escrever “venho de Bahia”, mas não posso dizer o mesmo da frase “vou a Bahia”, culpa da riqueza da nossa língua, terror dos estrangeiros que tentam aprendê-la.

    Utilizando o velho exemplo da Bahia: quando dizemos “venho da Bahia, esse “da” corresponde a uma junção da preposição “de” com o artigo “a”, formando o “da”. Se a regra gramatical diz que o acento grave só se aplica quando há essa junção, então “vamos à Bahia” e “vimos da Bahia”.

    E São Paulo? Concordam que “quando vimos de São Paulo”, o “de” é uma preposição purinha, sem artigo? Então, não havendo artigo, “vamos a São Paulo” (sem acento). Fácil não é?

    Ilustração diferença Brasil, Portugal E agora vou vos contar um segredo: sou um carioca que vive em Portugal há mais de 20 anos, que escreve para portugueses e brasileiros e que tem que estar atento “ao” que escreve e a “quem” escreve. Qual o motivo? Não é só por causa das palavras diferentes ou dos diferentes significados para as mesmas palavras, mas por causa da forma como é usada. Aquela coisa a que chamamos “convencionalismos”.

    Se escrevo a um brasileiro a contar sobre a minha viagem, tenho que escrever assim:

    “Acabo de chegar da França e já tenho que ir à Itália e à Espanha.”

    Se escrevo a um português, já tenho que escrever assim:

    “Acabo de chegar de França e já tenho que ir a Itália e a Espanha.”

    As regras gramaticais não são as mesmas? Claro que sim. Ambos os países obedecem a mesma regra gramatical. O que difere aqui é a “forma como as palavras são usadas”.

    Se em Portugal eu digo “venho de França”, ao invés de “venho da França”, então não se aplica a junção da preposição “de”+ o artigo “a”. Assim sendo, não posso escrever “Vou à França”, mas sim “Vou a França”, tal como escrevo “Vou a Portugal” (porque venho de Portugal), “vou a Itália” (porque venho de Itália) e “vou a Espanha” (porque venho de Espanha).

    Ah… É claro que se em Portugal dizemos “Venho de França”, jamais poderia dizer que a “minha filha está vivendo na França”. Se não usamos a preposição “de” com o artigo “a”, então também não podemos usar a preposição “em” com o artigo “a”. Assim, tenho que dizer “Minha filha está em França”.

    Espero que este texto ajude a fixar esta regra gramatical muitas vezes ignorada.

    Abraços e beijinhos da minha filha – de França.

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