A incidência de dengue em todo o mundo tem aumentado nas últimas décadas. Hoje, a doença ocorre em mais de 100 países. O Aedes aegypti, vetor da dengue, é uma espécie de mosquito hematófago originário da África. Acredita-se que tenha aportado no continente americano junto com os navios negreiros na época da colonização (século XVI). Já o vírus da dengue é proveniente da Ásia e só chegou depois à América.

Os primeiros surtos de dengue foram reportadas no final do século XVIII, em Java (sudoeste asiático), na Filadélfia (Estados Unidos) e no Cairo e Alexandria (Egito). No século seguinte, quatro grandes epidemias assolaram o Caribe e o sul dos Estados Unidos.

Haviam longos intervalos entre as epidemias, provavelmente devido à dificuldade de introdução de novos sorotipos do vírus causador da doença em decorrência do lento transporte marítimo. A incidência das epidemias, como pôde-se constatar ao longo da história, geralmente está associada à introdução de novos sorotipos.

Uma pandemia de dengue clássica tomou o sudeste asiático depois da Segunda Guerra Mundial. Já os primeiros casos de dengue hemorrágica de que se tem notícia aconteceram na década de 1950, nas Filipinas e na Tailândia. A síndrome do choque, por sua vez, teve seu primeiro registro epidêmico na Tailândia, em 1958.

Uma segunda expansão da dengue na Ásia começou nos anos 80, quando o Sri Lanka, a Índia e as Ilhas Maldivas tiveram suas primeiras epidemias de dengue hemorrágica. Desde então, epidemias de dengue causadas pelos quatro sorotipos também intensificaram-se na África.

América

Em 1953, o vírus do tipo 2 foi isolado pela primeira vez na América, na ilha de Trinidad. Mas a presença do vírus da dengue no continente só intensificou-se após a década de 60. A primeira epidemia confirmada em laboratório foi associada ao sorotipo 3, isolado no Caribe e na Venezuela em 1963-1964.

O sorotipo 1 apareceu pela primeira vez em 1977, na Jamaica, vindo provavelmente da África. A partir de então, países da América do Sul, como Brasil, Bolívia, Paraguai, Equador e Peru, que estavam livres da dengue, foram acometidos por epidemias causadas por esse sorotipo.

Já o sorotipo 2, vindo do sudeste asiático, foi o responsável pelo primeiro surto de febre hemorrágica ocorrido fora da Ásia. O surto aconteceu em 1981, em Cuba. O segundo surto dessa manifestação da dengue ocorreu na Venezuela, em 1989.

Também no ano de 1981, houve a introdução do tipo 4 no continente, importado provavelmente das ilhas do Pacífico, causando diversas epidemias. O sorotipo 3, que não era encontrado desde 1978, voltou a ser detectado em 1994, na Nicarágua e no Panamá. Em 1995, a dengue já era a mais importante doença viral transmitida por mosquito no mundo.

Brasil

No Brasil, há referências de epidemias de dengue desde 1916, em São Paulo, e em 1923, em Niterói, no Rio de Janeiro, sem comprovação laboratorial. No começo do século XX, o Rio de Janeiro vivia uma crise de febre amarela, doença também transmitida pelo Aedes aegypti. Oswaldo Cruz iniciou então uma campanha para a erradicação do mosquito. Apesar de ter sua população reduzida drasticamente, ele não chegou a ser erradicado e voltou a se espalhar, provocando nova epidemia na década de 20.

Nas décadas de 1930 e 1940, a Fundação Rockefeller incentivou intensas campanhas de erradicação do Aedes aegypti nas Américas. Já em 1947, a Organização Pan-Americana da Saúde passou a coordenar campanhas com a mesma finalidade. Em 1955, o Brasil conseguiu eliminar seu último criadouro do mosquito e, três anos depois, o vetor foi declarado erradicado no país.

Em 1962, 18 países continentais e várias ilhas do Caribe tinham obtido êxito na tarefa. Contudo, o mosquito permaneceu em alguns países e conseguiu, aos poucos, reinfestar o continente. Em 1967, confirmou-se a reintrodução do Aedes aegypti no Brasil. Mosquitos foram encontrados no Pará e, dois anos depois, também no Maranhão. Novos esforços conseguiram que, em 1973, o vetor fosse considerado erradicado novamente do terri¬tório brasileiro.

Devido às falhas na vigilância epidemiológica e à urbanização acelerada, o mosquito retornou ao Brasil já em 1976. Foram confirmadas reinfestações no Rio Grande do Norte e no Rio de Janeiro. Entretanto, não foram registrados casos de dengue. Nos anos seguintes, o mosquito se espalhou pelo país até que, em 1995, a distribuição geográfica do Aedes aegypti já era similar à verificada antes dos programas de erradicação do mosquito.

Doença

O primeiro surto de dengue registrado no Brasil após a reentrada do mosquito no país aconteceu no ano de 1981 em Boa Vista, capital de Roraima. Foi também a primeira epidemia documentada clínica e laboratorialmente. Os sorotipos 1 e 4 foram identificados, mas não se alastraram pelo país.

Em 1986, com a chegada do sorotipo 1 ao Rio de Janeiro, houve uma epidemia. Logo o vírus espalhou-se para a região nordeste (Alagoas e Ceará). Entre esse ano e 1990, as epidemias de dengue se restringiram a alguns estados do sudeste (Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais) e nordeste (Pernambuco, Alagoas, Ceará e Bahia).

Nesse ano de 1990, também no Rio de Janeiro, ocorreu a introdução do sorotipo 2. Registrou-se, então, o primeiro surto de dengue hemorrágica do Brasil. A partir de 1994, o Aedes aegypti se dispersou rapidamente, levando o vírus para um maior número de estados e provocando um aumento dos casos da dengue, que teve uma terceira onda epidêmica em 1997-1998.

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