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Arcaísmo, palavra de origem grega de uso lexical ou gramatical de uma palavra ou expressão antiga, que não se usa mais.
Os arcaísmos são o oposto do neologismo e estão na contramão do movimento criador de palavras, já que nossa língua, por ser objeto de constante transformação, carece de uma renovação lexical. Esse movimento é natural e não tem como objetivo descaracterizar o idioma; seu objetivo é adequá-lo a uma nova realidade linguística.

*LEXICO: É o conjunto de palavras que as pessoas de uma determinada língua têm à sua disposição para expressar-se, oralmente ou por escrito.
*GRAMÁTICA: Conjunto de regras que regem o funcionamento de uma língua, podendo ser usada tanto na norma culta, quanto nas variantes de padrão.

Os arcaísmos podem ser classificados como linguísticos ou literários.

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ARCAÍSMO LINGUÍSTICO: é encontrado na fala que contém traços fonéticos, morfológicos, sintáticos e léxicos que são conservadores e antigos na língua.

Arcaísmos linguísticos fonéticos:
Em princípio, os arcaísmos fonéticos encontram-se em variedades conservadoras do português. Por exemplo, os dialetos portugueses setentrionais mantêm, no vocalismo e no consonantismo, características que podem ser vistas como arcaicas: o ditongo [ow] em ouro ouroubar1; e o [tʃ]em chamar ou  cacho. No entanto, mesmo no dialeto que é considerado padrão, baseado tradicionalmente no falar das classes cultas de Coimbra e Lisboa, há características que podem ser tidas como arcaicas: o ditongo representado por em maneira, palavra que noutros dialetos apresenta uma solução inovadora, a monotongação de [ej] em [e] —man[e]ra, como se diz em quase todo o Centro-Sul português. Mesmo assim, é de assinalar que tal ditongo não é pronunciado hoje no português-padrão como [ej] mas sim como [ɐj], cujos elementos têm maior contraste entre si (dissimilação). Por outras palavras, apesar de continuar a existir um ditongo como na Idade Média, a sua articulação é diferente, porque o elemento principal do ditongo, [e], passou a [ɐ] para o diferenciar melhor de [j].

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Arcaísmos linguísticos morfológicos:
Arcaísmos morfológicos são, por exemplo, substantivos, adjetivos, verbos, etc., que caíram em desuso, isto é, existem na língua, mas não se usam hoje em dia. Tomemos como exemplo o antigo artigo definido “lo, la, los, las” ou “el” (em el-rei), o substantivo “sanha” (ira), o adjectivo “leda” (alegre) ou os verbos “poer” (pôr) ou “soer” (costumar).

Arcaísmos linguísticos sintáticos:
São construções que se usaram, mas que foram abandonadas atualmente.
Exemplos:
a) quandouma palavra de sentido negativo precedia o verbo, não se omitia o advérbio de negação: “Nenhum não veio”;

b) “ambos os dois” hoje condenado, tido como pleonasmo vicioso, já foi no passado uma expressão correta.

Arcaísmos linguísticos léxicos: palavras em desuso.
Alcaide: prefeito
Ceroula: cueca
Nosocômio: hospital
Outrossim: também
Hum: um
Soer: acostumar
Cincoenta: cinquenta

Os arcaísmos são encontrados no Novo Dicionário da Língua Portuguesa, de Aurélio Buarque Ferreira de Holanda, mas isso não implica que ele possa ser usado. Há arcaísmos que têm apenas usos regionais, como:

Apalermado: bobo, idiota
Copiar: alpendre, vestíbulo
Magote: grande quantidade

ARCAÍSMO LITERÁRIO: é encontrado nas obras literárias, para tornar o texto mais solene e mais culto. São observados nas obras literárias e são empregados, quando do uso proposital, para conferir rebuscamento e imponência, ou até mesmo como um recurso estilístico para imprimir ironia. Vale ressaltar que os arcaísmos presentes em textos antigos não podem ser considerados como propositais por se tratarem de expressões em corrente uso na época em que foram escritos.

1º Ex. Poema
Língua portuguesa

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouronativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela…

Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!
Olavo Bilac.
2º Ex. Música
O Drama de Angélica
Tangos & Tragédias
Compositor: Alvarenga & Ranchinho

Ouve meu cântico
Quase sem ritmo
Que a voz de um tísico
Magro esquelético

Poesia épica,
Em forma esdrúxula
Feita sem métrica,
Com rima rápida

Amei Angélica,
Mulher anêmica
De cores pálidas
E gestos tímidos

Era maligna
E tinha ímpetos
De fazer cócegas
No meu esôfago

Em noite frígida,
Fomos ao Lírico
Ouvir o músico
Pianista célebre

Soprava o zéfiro,
Ventinho úmido
Então Angélica
Ficou asmática

Fomos ao médico
De muita clínica
Com muita prática
E preço módico

Depois do inquérito,
Descobre o clínico
O mal atávico,
Mal sifilítico

Mandou-me o célere,
Comprar noz vômica
E ácido cítrico
Para o seu fígado

O farmacêutico,
Mocinho estúpido,
Errou na fórmula,
Fez despropósito

Nãotendo escrúpulo,
Deu-me sem rótulo
Ácido fênico
E ácido prússico

Corri mui lépido,
Mais de um quilômetro
Num bonde elétrico
De força múltipla

O dia cálido
Deixou-me tépido
Achei Angélica
Já toda trêmula

A terapêutica
Dose alopática,
Lhe dei uma xícara
De ferro ágate

Tomou no fôlego,
Triste e bucólica,
Esta estrambólica
Droga fatídica

Caiu no esôfago
Deixou-a lívida,
Dando-lhe cólica
E morte trágica

O pai de Angélica
Chefe do tráfego,
Homem carnívoro,
Ficou perplexo

Por ser estrábico
Usava óculos:
Um vidro côncavo,
Outro convexo

Morreu Angélica
De um modo lúgubre
Moléstia crônica
Levou-a ao túmulo

Foi feita a autópsia
Todos os médicos
Foram unânimes
No diagnóstico

Fiz-lhe um sarcófago,
Assaz artístico
Todo de mármore,
Da cor do ébano

E sobre o túmulo
Uma estatística,
Coisa metódica
Como Os Lusíadas

E numa lápide,
Paralelepípedo,
Pus esse dístico
Terno e simbólico:

“Cá jaz Angélica,
moça hiperbólica
beleza helênica,
morreu de cólica!”

Palavras que hoje são usuais para nós, futuramente se tornarão arcaísmos, e os que hoje existem, antigamente foram palavras usuais. Isso ocorre naturalmente devido ao processo de evolução da língua, por ser modificada pelos próprios falantes ao longo do tempo.

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