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A VERDADEIRA RELAÇÃO ENTRE ESCULTURA E ARQUITETURA

 

 

Por si só, a arquitetura já pode ser considerada um tipo de escultura, com seu jeito particular de manifestar a linguagem da forma, como o Statuary Architecture. Isto é algo que nem todas as pessoas compreendem. O termo “arquitetura escultural” surgiu por volta dos anos cinquenta. Servia para descrever o trabalho que certos profissionais estavam desenvolvendo ao longo da história, como Antoni Gaudí, Santiago Calatrava, Frank Gehry, Zaha Hadid ou Daniel Liebeskind. São, basicamente, projetistas que constroem edificações de visuais “não comuns”, que provocam estranheza ou a surpresa nos observadores.

Arquitetura contemporânea de Daniel Libeskind. (imagem extraída de ArchDaily) Arquitetura desconstrutivista de Frank Gehry. (imagem extraída de Vinicius C. Almeida em Youtube)

Analisando a história, volumes de templos e tumbas antigas – esculpidos em rochas ou contendo elementos estruturais ousados, como contrafortes e arcobotantes – também poderiam ser exemplos de arquitetura escultural. Mas, será que elas eram arquiteturas esculturais ou apenas arquiteturas que continham esculturas? Na verdade, eram conversões paralelas de artes.

Modhera Sun Temple, Índia. (imagem extraída de Pinterest)

+ QUAL A DIFERENÇA ENTRE ARQUITETURA E ARTE ESCULTURA?

O termo “escultural” foi utilizado por criativos de todas as áreas diferentes, sempre se referindo às obras ícones de suas profissões. A Torre Eiffel foi chamada, muitas vezes, de “arquitetura escultural”. Mas, sua construção foi um feito de engenharia, pois é fruto do trabalho do engenheiro Gustave Eiffel. Neste caso, a forma estrutural assumiu totalmente o controle. Do mesmo modo, muitas vezes, o arquiteto não consegue encontrar a solução criativa apenas na ordem arquitetônica; então ele também produz uma obra escultural. Já a Estátua da Liberdade não é considerada, por muitos, como uma arquitetura, mas apenas uma escultura monumental.

Estátua da Liberdade nos Estados Unidos. (imagem extraída de Eu em Orlando)

Ainda confuso? Primeiro, é importante entender que engenharia ou arquitetura escultural não é a mesma coisa que arte escultura. Elas se juntam em certos pontos e às vezes até podem ser confundidas. Em comum, as duas existem em três dimensões. Porém, há diferenças.

+ EXEMPLO DE ARQUITETURA ESCULTURAL

Arquitetura desconstrutivista de Frank Gehry. (imagem extraída de Ana Luiza Paraiso)

+ EXEMPLO DE ARTE ESCULTURA

Escultura de Bernini em Fontana de Trevi, em Roma, Itália. (imagem extraída de Khristianos)

A arquitetura pode ser vista de todos os ângulos, inclusive de dentro. Seu principal objetivo é a função, mesmo quando o edifício é escultural. Já a arte escultura só pode ser observada de fora. Ela nem sempre visa à funcionalidade e dificilmente poderá ser uma arquitetura. A Estátua da Liberdade poderia ser uma exceção, pois é uma escultura e arquitetura ao mesmo tempo – sendo que você pode admirá-la de fora e ainda acessar seu interior.

+ ENTÃO, O QUE É STATUARY ARCHITECTURE?

“Statuary Architecture” é um termo que não pode ser confundido com “arquitetura escultural”. Na verdade, trata-se da união da arte escultórica com a arquitetura. É uma categorização geral usada para descrever um tipo de arquitetura que emprega itens artísticos para a ornamentação de fachadas e decoração de ambientes. Essa integração é pré-estabelecida no projeto original. As peças – esculturas arquitetônicas – podem vir a serem partes integrantes da estrutura ou criações separadas, unidas posteriormente.

Fachada da Catedral de Berlim – destaque para seu conjunto de ornamentação de fachada. (imagem extraída de Berlin on Bike)

– São exemplos de esculturas adicionadas às arquiteturas: cornijas, colunas, capitais, suportes, altares, estátuas, gárgulas, painéis em alto ou baixo relevo e frontões alegóricos com figuras humanas, religiosas, mitológicas e de outras criaturas da fantasia; em forma de folhas, flores, videiras; em elementos geométricos, como círculos, quadrados, triângulos ou frisos; e mais.

– São materiais utilizados na produção destes elementos decorativos: arenito, terracota, ferro fundido, zinco laminado, concreto, entre outros.

Detalhe de vários tipos de aplicações de esculturas arquitetura em fachada de edifício. (imagem extraída de pxhere)

+ EXEMPLOS DA INTEGRAÇÃO ENTRE ARQUITETURA E ESCULTURA AO LONGO DA HISTÓRIA

A escultura arquitetônica tem sido empregada por construtores ao longo da história e em praticamente todos os continentes da Terra. Acredita-se que esta tradição tenha começado com os assírios, por volta de 879 a.C., na cidade de Nimrud. A região teria um grande depósito de alabastro, ou gesso. Isso lhes permitiu esculpir facilmente seus palácios, desenvolvendo muitos murais com desenhos em baixo relevo.

Frontão em homenagem à Zeus. (imagem extraída de Wikipedia)

Posteriormente, os egípcios criaram vários monumentos suntuosos dedicados aos seus deuses e faraós. Essas construções foram feitas com uma grande quantidade de esculturas arquitetônicas, desde as fachadas até os interiores. Estátuas, além de paredes, colunas e pilares esculpidos, encantam os visitantes até hoje, mesmo com o desgaste de milhares de séculos.

Templo de Luxor – exemplo de statuary architecture no Egito. (imagem extraída de Pixabay)

Já na arquitetura grega, o Partenon, localizado na Acrópole de Atenas, teve esculturas arquitetônicas incorporadas em vários de seus elementos estruturais. Os romanos, que receberam influência da cultura helenística, também fizeram o mesmo em suas obras. Seus estilos foram copiados e adaptados pelos renascentistas, como os neoclassicistas e os românticos.

Exemplo de statuary architecture em templo romano – destaque para o frontão em baixo relevo. (imagem extraída de Live in Internet) Catedral de Reims, na França – exemplo de statuary architecture na Europa. (imagem extraída de pxhere)

+ A STATUARY ARCHITECTURE NOS ESTADOS UNIDOS

Nos Estados Unidos, o emprego de esculturas arquitetônicas nas construções começou por volta de 1870 – tendo seu auge entre os anos de 1890 e 1920. Isto pode ser conferido em obras edificadas pertencentes a vários estilos diferentes – uma consequência das Belas Artes parisienses, que defendia elementos figurativos integrados como ornamentados e com finalidade estética.

Edifício da Suprema Corte em Nova York – exemplo de statuary architecture nos Estados Unidos. (imagem extraída de Wikipedia)

A evolução das tecnologias construtivas, como o aço e o concreto armado, durante a virada do século XIX para o século XX, fez surgir modelos arquitetônicos diversificados. Também apareceram novas formas de abordagens esculturais. Nos primeiros movimentos modernos, como o Art Nouveau e o Art Decó, as esculturas ainda eram esperadas.

Em edifícios públicos e comerciais americanos antigos há muitas esculturas arquitetônicas. Um exemplo é a Câmara Municipal da Filadélfia, do ano de 1871, que possui cerca de 250 peças ornando a sua fachada. Essa prática declinou após o final das Grandes Guerras. Depois dos anos de 1940, as esculturas arquitetônicas não desapareceram por completo, mas tomaram um papel mais simples, sendo utilizadas apenas quando o necessário – por desejo do projetista ou gosto do consumidor, não mais como um requisito obrigatório.

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