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A Revolução Farroupilha, também conhecida como Guerra dos Farrapos, foi o segundo maior conflito armado do continente americano, começando em 1835 e tendo fim somente em 1845.

Por que “Farroupilha”?

Este foi um apelido dado aos gaúchos na luta contra o Império Brasileiro. Como não tinha uniforme para todo mundo — e havia, inclusive, falta de equipamento exclusivamente militar para a luta armada, como armas e botas — muitos lutaram com roupas esfarrapadas, maltrapilhos, e levavam suas próprias garruchas, espingardas, adagas e facas para a luta. Muitos soldados eram peões de estância e negros recém-alforriados pelos senhores, portanto, pessoas mais humildes.

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O início do conflito

Podemos dizer que a Revolução teve causas político-econômicas. A corrente política de influência liberal pedia uma maior autonomia das províncias, em contraste à Constituição de caráter unitário promulgada por D. Pedro I em 1824. Alguns liberais eram a favor da separação da província, pois entendiam que apenas desta forma teriam plena autonomia.

Havia também a questão do charque e do couro produzidos pelos estancieiros gaúchos. Os produtos eram taxados com preços maiores que os importados da região do Prata — no caso, Argentina e Uruguai.

Ou seja: era mais barato a pessoa no Brasil comprar charque e couro da Argentina e do Uruguai do que comprar dos gaúchos. O item que causava maior impacto econômico era o charque, pois este abastecia a região das Minas Gerais e as fazendas de cana-de-açúcar do nordeste, dois pólos de riqueza do Império.

A gota d’água para a revolução estourar foi a nomeação de Antônio Rodrigues Fernandes Braga para governador da província. No dia da posse, Braga fez uma séria acusação de separatismo contra os estancieiros, citando até alguns nomes.

Em 20 de setembro de 1835, o governador e alguns membros do Partido Conservador foram presos, e quase toda a província — com exceção da cidade do Rio Grande — ficou sob o controle dos farroupilhas.

Em 1836 os farroupilhas foram surpreendidos por uma ação conservadora em Porto Alegre. Liderados pelo general Manuel Marques de Sousa, os soldados do Império tomaram a cidade. No mesmo ano, durante o combate da Ilha do Fanfa, no rio Jacuí, o comandante Bento Gonçalves, que liderava os farroupilhas, foi feito prisioneiro e levado à prisão no Rio de Janeiro, e de lá para Salvador.

Aliás, antes de continuar o texto sobre a Revolução, vamos falar um pouco de Bento Gonçalves:

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Bento Gonçalves

Bento Gonçalves da Silva nasceu no município de Triunfo, em 23 de setembro de 1788.

Quando morava em Cerro Largo, foi credenciado pelo Império para comandar o 29° Regimento de Milícias.

Pode ser considerado o principal comandante da Revolução, inclusive foi eleito Presidente da República Rio Grandense.

Sua liderança era indiscutível tanto entre os militares quanto entre os estancieiros. A família de Bento Gonçalves era dona de vastas terras onde criavam gado e produziam charque e couro, por isso o interesse direto na luta separatista.

Casou-se com a uruguaia Caetana Garcia, com quem teve oito filhos. Faleceu em Pedras Brancas em 18 de julho de 1847.

Voltemos então à Revolução

Após a vitória na Batalha de Seival, o general Antônio de Sousa Neto fundou em 11 de setembro de 1836, junto com outros líderes da Revolução, a República Rio Grandense, estabelecendo a capital na cidade de Piratini — daí o nome República do Piratini — , já que Porto Alegre estava ocupada pelas tropas imperiais.

Os farroupilhas adotaram uma constituição republicana e emitiram um comunicado conclamando as demais províncias do Império a unirem-se como entes federados do sistema republicano.

Também foram adotados um hino [você pode baixá-lo neste link], uma bandeira e um brasão de armas, símbolos mantidos até hoje no estado do Rio Grande do Sul.

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Bandeira e brasão da República Rio-Grandense

Enquanto era eleito presidente pela Assembléia Nacional Republicana, Bento Gonçalves conseguiu fugir da prisão na Bahia, auxiliado pelos rebeldes liberais que organizavam a Sabinada, e financiado secretamente pelo empresário Irineu Evangelista de Souza — o Visconde de Mauá — Gonçalves conseguiu retornar ao Rio Grande do Sul.

Entre 1837 e 1840 continuaram as tentativas do Império de vencer os revolucionários. Mas a luta estendeu-se até Santa Catarina, com a proclamação da República Juliana, que perdurou de 24 de julho a 15 de novembro de 1839. Falaremos deste fato em outro texto, mas a título de curiosidade devemos citar que os farroupilhas, liderados por Davi Canabarro e Guiseppe Garibaldi, auxiliaram os catarinenses e fundaram uma confederação com os farroupilhas.

Paz momentânea e o fim do conflito

Em 1840 o governo regencial resolveu negociar com os farrapos, e uma relativa paz foi observada no conflito. Em 1842 enfim foi promulgada a Constituição da República Rio Grandense, e mesmo com as negociações, os farrapos tiveram o ânimo renovado na luta contra o Império.

Ainda em 1842, foi designado pelo Império para presidente da província do Rio Grande do Sul o general Luis Alves de Lima e Silva, na época ainda conhecido como Barão de Caxias. Uma das primeiras medidas tomadas pelo Barão foi o estrangulamento da economia gaúcha, atacando as cidades da fronteira que permitiam o escoamento da produção gaúcha de charque para Montevideo.

Além de estrangular a economia, os ataques também tinham como objetivo isolar gaúchos e uruguaios, já que o Império temia a aproximação de ambos.

Com as saídas para o mar bloqueadas — o Império tinha controle sobre a região da Lagoa dos Patos, o estuário do rio Guaíba entre outros rios importantes — e os ataques bem sucedidos na fronteira, o Barão propôs condições aos revoltosos para acabar com o conflito e reintegrar todo o território do Rio Grande do Sul novamente às ordens imperiais. Foram elas:

  • Anistia aos oficiais e soldados e incorporação dos mesmos no exército imperial nos mesmos postos ocupados anteriormente enquanto revolucionários;
  • A escolha do presidente da província seria feita pela Assembléia Provincial e não mais por indicação do Império;
  • Taxações maiores sobre o charque e o couro da região do Prata.

Só que o Império não aceitava a condição dos escravos alforriados e integrantes do exército farroupilha, pois para o Império o que existia no Rio Grande do Sul era uma sedição da população. Sendo assim, os ex-escravos não tinham direitos. Os gaúchos, apoiados principalmente pelos elementos mais radicais da Revolução inicialmente não aceitaram as condições propostas pelo Barão de Caxias.

O impasse só foi resolvido após as duas últimas derrotas dos farroupilhas, conhecidas como o massacre dos Porongos e a batalha de Ponche Verde. Muitos Lanceiros Negros foram aniquilados em Porongos, e o exército farroupilha ficou muito desfalcado após estas duas derrotas, não tendo outra alternativa a não ser aceitar os termos do Império para evitar um massacre ainda maior.

Alguns ex-escravos sobreviventes acompanharam o general Antonio Neto em seu exílio no Uruguai após a rendição gaúcha. Outros poucos foram incorporados ao exército imperial e o restante foi vendido novamente como escravo no Rio de Janeiro.

O Império manteve a unidade e os revolucionários gaúchos desistiram de manter uma república independente do Império. E antes de terminar o texto, gostaria de deixá-los com um depoimento atribuído a Guiseppe Garibaldi:

“Eu vi corpos de tropas mais numerosas, batalhas mais disputadas, mas nunca vi, em nenhuma parte, homens mais valentes, nem cavaleiros mais brilhantes do que os da bela cavalaria rio grandense, em cujas fileiras aprendi a desprezar o perigo e combater dignamente pela causa sagrada das nações. Quantas vezes fui tentado a patentear ao mundo os feitos assombrosos que vi realizar por esta viril e destemida gente, que sustentou, por mais de nove anos contra um poderoso império, a mais encarniçada e gloriosa luta!”

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