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A Relação Pedagógica

 

Você já parou para pensar na influência da relação pedagógica no processo ensino-aprendizagem?  Já pensou que o sucesso ou fracasso do professor e de seus alunos pode estar diretamente ligado ao tipo de relação pedagógica estabelecida em sala de aula?

 

Considerando essas questões convidamos você, professor, para uma reflexão sobre o tema.

Para iniciarmos esta reflexão, é importante partir do conceito de Relação Pedagógica. Usarei como referência dois estudiosos do assunto: Maria Teresa Estrela e Hugo Assmann.

Maria Teresa considera que a Relação Pedagógica não envolve apenas o contato entre professor–aluno, mas também o contato entre aluno-aluno dentro de situações pedagógicas.

Para Hugo Assmann, a Relação Pedagógica é um sistema comunicativo, entre professor e aluno, que envolve experiências de aprendizagem.

Dessa forma entende-se que a Relação Pedagógica não é um simples encontro de professores e alunos, alunos e alunos em um espaço denominado sala de aula. É um conjunto de interações sociais, um encontro formativo, um encontro que tem como pano de fundo o saber.

São muitas as dimensões que envolvem as situações pedagógicas, uma delas é a organização do currículo. O professor traduz esse currículo e faz suas escolhas, que se revelam em pequenos e importantes detalhes e que merecem ser cuidadosamente examinados, dentre essas escolhas podemos citar a organização do espaço da sala de aula, a seleção das atividades, a organização do tempo cronológico e as formas de comunicação.

A sala de aula é o espaço pedagógico, campo das relações humanas entre professor-aluno, aluno-aluno. A forma como o professor organiza a sala de aula revela a posição de hierarquia de quem ensina em relação aquece que aprende.

A distribuição dos alunos, dos materiais, do mobiliário, o ordenamento das cadeiras e mesas escolares na sala levam os alunos a voltarem-se para o professor e para o quadro negro. A  organização na qual o professor  se dirige aos grupos em momentos de trocas e interações também  revela o tipo de relação pedagógica que se pretende ter.

Outra escolha refere-se  à seleção das atividades de ensino e aprendizagem. Esta escolha pressupõe a existência de uma organização que cria tarefas, distribui papéis aos alunos e ao professor, estipula regras e instruções, abre ou fecha canais e redes de comunicação e relacionamentos. Essa organização de atividades está explícita na forma como o professor concebe seu papel de educador na Relação Pedagógica.

A escolha que envolve o tempo na escola é outro aspecto importante. Segundo  Assmann, o tempo na escola se torna pedagógico quando cria um espaço e um clima propício às experiências de aprendizagem. A organização do tempo tem estreita relação com a prática docente, o peso de cada disciplina, a dosagem de conteúdos, os períodos de recreio e de descanso.

Sabemos que o tempo escolar em muitos casos não é distribuído de modo equilibrado e de certa forma acaba quase sempre por subordinar os ritmos do aluno e do professor, o que origina sentimentos de perda ou de ganho de tempo.

É necessário se mobilizar e tornar esse tempo, num tempo pedagógico, em que possam se produzir vivências de prazer em aprender, pois as relações entre aquele que ensina e aquele que aprende refletem sempre na qualidade da aprendizagem.

Outra escolha é a forma de comunicação: o jeito como o professor faz as exposições, faz perguntas, dá respostas, orienta os trabalhos revelam modos de exercer poder e concepções de ensino e aprendizagem. Dependendo da escolha que o professor faz, ser professor pode deixar de ser só ensinar, mas também  aprender.

As pesquisas cognitivas mostram que, ainda que os sujeitos tenham capacidades ou inteligências para aprender, é necessário que o ambiente oportunize o desenvolvimento de tais capacidades e inteligências por meio de uma comunicação positiva.

Diante dessa reflexão, é inquestionável que a relação pedagógica deixa marcas em todos os envolvidos, marcas de saberes construídos e de valores exercitados. Marcas que se enraízam em alunos e professores e que imprimem marcas da relação humana, como sabiamente Paulo Freire já descreveu: “o professor autoritário, o professor atencioso, o professor competente, sério, o professor incompetente, irresponsável, o professor amoroso da vida e das gentes, o professor mal-amado, sempre com raiva do mundo e das pessoas, frio, burocrático, racionalista, nenhum desses passa pelos alunos sem deixar sua marca”.

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