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A origem do pensamento liberal provém do século XVIII, sendo um conjunto de princípios e teorias políticas cujo ponto principal é a defesa da liberdade política e econômica, tendo como pensadores ingleses e franceses. O texto de Cunha aborda a origem das formulações do liberalismo, destacando as ideias dos ideólogos a respeito do contexto educacional na elaboração do aperfeiçoamento individual e geral. Ao abordar sobre a doutrina liberal, através da pedagogia da escola nova e pelo Estado o autor traz questionamentos do modelo educacional vigente para a formação do homem/indivíduo total. Dessa forma analisaremos os princípios gerais do liberalismo destacando o papel social da educação até chegarmos à análise da realidade educacional.

O liberalismo é uma ideologia que surge com as lutas de classes entre a burguesia e a aristocracia na Revolução Francesa. Em busca de um Estado democrático, moderno e laico, os pensadores liberais rompem com o modelo estagnado da sociedade, cujo Estado era controlado pela Igreja sendo autoritário e autocrático. O pensamento liberal fundamenta-se em princípios básicos para sua doutrina: o individualismo, a liberdade, a propriedade, a igualdade e a democracia. Com base nesses princípios o autor afirma que a doutrina liberal aceita a sociedade de classes, porém rejeita os estratos sociais fixos, assim a divisão de classes existe e é necessária, pois a responsabilidade do sucesso ou fracasso na vida decorre do próprio indivíduo retirando essa responsabilidade do Estado e repudiando as ideias referentes ao privilégio decorrente do nascimento. As desigualdades sociais são reconhecidas conferindo direito dos indivíduos mais talentosos serem recompensados materialmente.

Ao analisar os pensamentos dos teóricos liberais, Cunha destaca uma posição comum entre eles, que é o princípio ideal liberal para a educação. De acordo com esse princípio a educação não pode estar a serviço de nenhuma classe, de nenhum privilégio, de herança ou dinheiro, de credo religioso ou político. Como a instrução não pode beneficiar somente a classe dominante, ela deve proporcionar ao indivíduo a formação do “homem total”, pleno e liberado. Nessa perspectiva da educação liberal a ascensão ou descensão do indivíduo está atrelada a sua educação, sendo que a condição material independe de seu status, afirmando que o talento está no indivíduo. O texto traz a abordagem de Concorcet, um dos mais importantes teóricos da educação liberal que propõe soluções práticas utilizando um plano de ensino que visava o atendimento público gratuito da educação para promover o estabelecimento de igualdade de oportunidades. De acordo com Concorcet não é suficiente que o Estado respeite os direitos naturais do homem, ele tem que assegurar a cada cidadão o gozo de seus direitos intervindo na superação das desigualdades, dessa forma passa a ser um domínio à parte da política e da economia e dos jogos e interesses. Utilizando esses argumentos esse autor foca na educação libertadora de forma a assegurar a toda criança o acesso integral ao conhecimento, porém Concorcet percebeu que a gratuidade em si não sustenta a igualdade de instrução, pois as desigualdades sociais estão presentes e as classes menos favorecidas além do ensino gratuito necessitam de medidas para que garantam a sua permanência, assim ele afirma que é necessário uma complementaridade, como um sistema de pensões e  distribuição de uniformes.

Após discorrer sobre os princípios gerais do liberalismo e de destacar de acordo com os ideólogos liberais sobre o papel social da educação, Cunha traz a abordagem da realidade educacional vigente e nesse ponto que se encontra a ideia principal do texto. Para uma sociedade ser aberta é necessário que cada indivíduo de acordo com sua qualidade alcance o lugar na sociedade e o autor coloca que na sociedade brasileira existem fatores que impedem a entrada ou influenciam na evasão de muitos indivíduos na escola e isso permite que estes não atinjam o seu “degrau” na escada, dessa forma nossa sociedade ainda não é completamente aberta. Em nosso País as oportunidades de escolarização não são dadas a todos de forma igual, o atendimento educacional é muito desigual entre as diversas regiões, o autor finaliza argumentando que o Estado mantém fechados os canais de participação política, tendo uma característica autoritária, a junção do papel equalizador da educação com o autoritarismo torna impossível à homologação do pensamento liberal.

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